Ignorância

Contaram-me que muitos americanos nunca viram um peixe senão em filetes, no prato, e que ficam estarrecidos quando lhes servimos aqui em Portugal um corpo escamoso, com uma espinha a meio, além de rabo e cabeça, ficando sem saber o que fazer com ele (mas depois gostam, claro). Também me disseram que, nos EUA, quando pedem a algumas crianças para desenharem uma galinha, elas a desenham depenada e embalada, tal como a encontram no supermercado. O Washington Post noticiou, porém, recentemente algo de bradar aos céus que até parece brincadeira... ou mentira. Publicando os resultados de um estudo realizado por um Centro de Inovação Americano, declara que 16 milhões de adultos norte-americanos (cerca de 7% da população) acham que o leite achocolatado que se vende nos supermercados provém de vacas castanhas, desconhecendo, aliás, que o chocolate é feito de cacau, leite, açúcar... Enfim, torna-se para mim cada vez mais claro como é que Trump chegou a presidente... Bom fim-de-semana!

Comentários

  1. Alguns americanos vivem num mundo só deles... 😂

    ResponderEliminar
  2. Emílio Gouveia Miranda30 de junho de 2017 às 02:03

    Bom fim-de-semana.

    ResponderEliminar
  3. António Luiz Pacheco30 de junho de 2017 às 04:04

    Só os americanos?
    Isso são mitos, a ignorância Norte-americana é um mito europeu e uma forma de compensarem a superioridade tecnológica e científica americana... frequentei uma universidade nos EUA e pude perceber muita coisa, como visitei em trabalho supermercados e outras estructuras como fábricas e matadouros em vários estados. Um magarefe em Chicago não é diferente de um em Beja, a diferença está na marca da cerveja que bebem! O universitário americano difere do europeu no facto de muitos daqueles terem um emprego!

    Os europeus são mais cultos? Falemos do cidadão comum, não das elites sócio-culturais e artísticas, não creio que o seja!
    É capaz de haver muita criança europeia que não sabe de que é feito o ketchup e nem as batatas pré-fritas ou o caldo Knorr! Em todo o Mundo...
    Conheço um engenheiro agrónomo que me disse ser alérgico ao mel, o que é um disparate e de uma ignorância enorme, pois a alergia é ao pólen usado pelas abelhas nesse mel! Devo titulá-lo de ignorante?
    Quantos dos meus Extraordinários e literáriamente cultos comparsas me sabem dizer o que é um solo fersialítico, ou o ciclo de Krebs? Serei eu capaz de traduzir um texto alemão ou corrigir um texto em português?
    A ignorância é algo de muito relativo e indefinido...

    A geração actual é ignorante! Tem saber tecnológico, mas fica por aí e se forem a uma universidade portuguesa perguntar como é feito e de onde vem o chocolate, muita gente desconhece que o cacau é um fruto. Querem apostar? E lá como cá, pela facilidade da comunicação e em opinar, opina-se muito sobre aquilo que se desconhece na prática, baseado em impressões próprias e absorvidas por contágio junto dos muitos grupos que pontificam e pretendem guiar as vidas das pessoas, sendo esses os piores ignorantes, aqueles que se presumem "esclarecidos" mas são incapazes de discutir com profundidade e argumentar solidamente, mas têm opinião!

    O Trump não foi eleito por ser ignorante... ele sabe-a toda! Foi eleito porque o Obama governava para impressionar o Mundo, como se fosse a Oprah! A Clinton falava apenas para uma elite presumidamente bem-pensante e para se exibir perante a Europa, culta, urbana e pacifista.
    Esqueceram-se que a maioria dos americanos são operários, que estavam a ficar desempregados porque a elite que apoiava Obama e os Clinton, os bonitos, bem-vestidos e educados, mudaram as indústrias que lhes alimentam esse estatuto e mantém seguros com guarda-costas e em mansões vigiadas, para países onde produzem barato por pagarem salários miseráveis, sem segurança social nem sindicatos ou direitos... pois é!
    Trump soube falar a essa gente, aos desempregados, aos que não são bonitos e nem bem-vestidos ou educados, que trabalham, investem, criam riqueza e a distribuem, que fizeram os EUA.
    São ignorantes? E o Bill Clinton foi algum modelo de sabedoria? A Hillary é uma patrona das artes e cultura? O Obama não foi um produto do marketing porque mediático e fácil de vender, até e sobretudo fora dos EUA onde estavam os interesses da elite financeira americana?

    Posso parecer apoiante do Trump, mas apenas sei que temos de contar com a esperteza dos outros, sobretudo com a dos americanos! Como sei que num passado ainda recente quem estendeu a mão à Europa e a tirou do buraco que ela própria cavou? Quem manteve o equilíbrio face ao expansionismo soviético e assim impediu que hoje fôssemos impedidos de estar aqui livremente a falar destas coisas?

    Não se iludam! Uma tarde destas proponham aos vossos sobrinhos, filhos, e amigos adolescentes ou jovens, um questionário ou jogar à enciclopédia como nós fazíamos... e depois espantem-se com o resultado! Mas sem os aparatos electrónicos por perto ou é batota, hoje a sabedoria está neles e não nas cabeças! Eles só sabem dedilhar...

    Bom fim-de-semana são os meus votos desde a Cidade Morena!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Meu caro, gostei da sua resposta, pela organização apresentada e pela aparente coerência. Gostei, mas não quer dizer que concorde. Aliás, a alegada culpa de ignorância não pode ser imputada às crianças, mas sim aos seus pais. No entanto, sendo eu da chamada classe média remediada deste país, digo-lhe sem problema que qualquer magarefe de Beja sabe que as vacas castanhas dão leite e não leite com chocolate, quanto aos de Chicago não sei.
      Dizer-lhe que pena tenho eu de não ter estudado numa das boas universidades dos EUA, como o senhor, mas lá está nada como uma élite para falar de magarefe.

      Eliminar
    2. Viva meu caro!
      É ser apreciado, mesmo que e sobretudo quando não concordam, o que é um sinal Extraordinário!

      Concordo inteiramente com a observação quanto à responsabilidade dos pais, sobretudo dos pais urbanos pois hoje e como nunca, existe uma clivagem entre o campo e a cidade... o tecido urbano ganha terreno!
      O meu filho fez rir as educadoras depois destas dizerem: Olha um camião! Ele prontamente corrigindo: Não! É uma "betoneia"!

      A sua observação final revela fino sentido de observação e ironia, portanto inteligência! É gratificante falar com alguém inteligente, até discutir, pois nos obriga a dar o nosso melhor!
      Portanto, impõe-se esclarecimento da minha parte, devo-lhe essa explicação porque a sua observação é acertada se bem que injusta como vai entender:
      - Tenho quase 62 anos, nasci e criei-me no campo, numa quinta agrícola, num outro tempo, ainda do candeeiro a petróleo à luz do qual estudei para os exames do 7º ano do liceu. Meu pai era oficial do exército e acreditava que para se mandar tinha de saber fazer também! Por isso e desde muito novo trabalhei ao lado dos barrões, suei com eles, ri com as suas conversas e ganhei ainda rijeza no corpo. Depois já com 30, fiz carreira na distribuição alimentar, mas quando entrei para o Grupo JM e porque tinha carta de pesados (estranho num zootécnico comum) andei meses com uma camioneta a fazer entregas de fruta nas lojas, foi o meu estágio! No Grupo JM toda a gente começava por baixo, ao Sr. Pedro Santos filho do "patrão" e hoje o Presidente do Conselho de Administração, conheci-o como recepcionista numa loja... passei anos, noite e madrugadas fora, nos mercados do Rego e Cais do Sodré, no Chaves de Oliveira, comprando directamente horta e frutas à saloiada com quem ia à caça, como o fazia com a minha gente lá no bairro! Chefiei as compras durante 10 anos, e nessa qualidade tratava directamente com os cortadores nos nossos talhos, como ia aos matadouros ver a carne que se comprava, falava directamente com quem a desmanchava ou quem a engordava, em Portugal, Espanha, França, Dinamarca, e, EUA. Mais tarde operei na Docapesca e mantive operações na Mauritânia, Marrocos e Moçambique, também ali andava de noite ou dia a tratar directamente o que se embalava, comprava e vendia.
      A despeito de ter andado na universidade sempre soube falar com toda a gente, imagine que já depois dos 55 me vi em Angola, no mato profundo integrando um projecto agrícola e depois ao longo de todo um ano a fazer o levantamento de 2700 apicultores perdidos em 4 províncias (Moxico, Bié, Huambo e Cuando Cubango), como agora ando pelas pescarias e fazendas de Benguela, Namibe e Quanza Sul ou Norte, falando como posso com pastores e pescadores, sejam mucuandos ou mucuíços que muitas vezes nem português falam.
      Felizmente sei falar com todos, o que me permite continuar a minha carreira como consultor de projectos agrícolas, pecuários e agroalimentares, exactamente porque sei ver e ouvir. Os camponeses são a minha gente, independentemente da côr da pele são todos iguais! E eles logo percebem que sou um deles, acredite!
      Portanto sei que um magarefe Afro-mericano, latino-americano, anglo-saxónico, bordelês é igual a um alentejano ou da Prelada... como um camponês quioco é igual a um beirão, e, um pescador nhanheca é igual a um penicheiro!
      Acredite em mim , que sei, lhe garanto.

      A diferença será só uma: a forma como ordeno as ideias e componho o discurso, porque muito do que sei foi aprendido no mesmo local que eles, a universidade só ajudou a organizar o que fui aprendendo e que me faz poder valer-lhes, seja a reparar uma ponte, detectar carências nos cultivos, avaliar a olho o peso de um animal ou caixa de sardinhas, podar uma árvore, tratar uma ferida, manobrar uma máquina, desenhar uma charca, calcular a elevação para um depósito de rega, entender que uma "onça" numa noite pode dizimar um curral de cabritos, uma n'goroca pode estar debaixo da electrobomba, sou capaz de contar uma história que eles entendam, dar um conselho

      Eliminar
    3. António Luiz Pacheco30 de junho de 2017 às 07:51

      Bolas!
      Faltou o BOM , na frase inicial, É BOM saber ...
      E faltou identificar-me, peço desculpa!

      Eliminar
    4. Ó Pacheko, afinal és o IKEA em pessoa.

      Eliminar
    5. Peço desde já desculpa à autora do blog por esta inusitada, mas feliz, troca de comentários.

      Meu caro, a admiração foi sentida, e mais é, agora, após a sua explicação.
      Como eu gosto de pessoas inteligentes. Espero que me perdoe a ironia do final da minha resposta.
      Estou certo que o António Luiz Pacheco deve ter histórias interessantíssimas para contar, dado a história de vida que relatou. Por um acaso não tem um blog?
      Deixo-lhe um fraterno e respeitoso abraço, e claro um obrigado por este momento.

      Eliminar
    6. António Luiz Pacheco30 de junho de 2017 às 11:04

      Ahahahah! Não ó Severino... sou o Pingo Doce, sabes eu sou comilão!!!

      Eliminar
    7. Concordo com o que diz mas não se esqueça que, apesar de tudo, a Hillary teve mais 3 milhões de votos que o Trump, que só foi eleito devido á bizarria do sistema eleitoral americano. Se fosse sufrágio directo e universal a Clinton teria ganho, apesar de todos os seus defeitos, mas seria um mal menor...

      Eliminar
  4. E as vacas lilases darão o quê ?

    Hipótese A - Vinho tinto
    B - batido de mirtilos
    C - substâncias com alto teor alucinógeno

    Deve ser a última, pois 16 milhões é muita gente...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. António Luiz Pacheco30 de junho de 2017 às 07:50

      As lilases não sei, mas as pretas dão café! E portanto as brancas e pretas dão café com leite... agora as lilases, acho que está a gozar com o pagode!

      Bom fim de semana!

      Eliminar
  5. Parabéns pelo texto que se mostrou profícuo atenta a discussão que originou. Uma sociedade que se fecha relativamente ao resto do mundo e que tem o consumo como um dos pilares mais importantes, só podia dar nisto.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório