Exclamar!
Confesso que embirro bastante com pontos de exclamação, mais ainda se forem constantes. Uma frase precisa, por vezes, de ser exclamativa, mas uma narrativa coberta de pontos de exclamação faz-me sempre pensar num diário adolescente («Estou tão triste! Ninguém gosta de mim! Os meus pais não me compreendem!»). Leio um artigo sobre a matéria, no Atlantic Daily, no qual nos dizem quantos pontos de exclamação usaram grandes escritores ao longo da sua carreira. Elmore Leonard, nas suas 10 Regras para Escrever, aconselha a não usar mais de dois ou três por cada 100 000 palavras; porém, nos seus mais de 40 romances, que totalizam 3,4 milhões de palavras, deveria ter usado apenas 102, mas parece que usou mais de 1600... Mesmo assim, a sua média é muito baixa: 49 pontos de exclamação em cada 100 000 palavras; Joyce, com apenas três romances, conseguiu uma média de 1105, Fitzgerald de 356, Hemingway de 59, Salman Rushdie de 204, Virginia Woolf de 258, Jane Austen de 449. Nenhum destes escritores é conhecido por ser especialmente exclamativo, e porém... Espero que ninguém se lembre de contabilizar os pontos de exclamação de Shakespeare – ou a regra de Leonard cairá por terra, obrigando-me também a rever a minha embirração.
Eu gosto de pontos de exclamação!
ResponderEliminarMas vou estar atenta quando escrever o meu primeiro romance!
Ahahah!
:-) Antonieta
Devia ter escrito Antonieta! Afirmando-se como tal! Ahahahah!
EliminarTem razão, caro Pacheko (estou a imitar o Severino, eheh!), deveria ter assinado Antonieta exclamativa!!!
EliminarMas sabe o que me irrita mais?
Não é bem irritar, é mais intrigar.
Não é o ponto de exclamação - que até acho elegante (alto e magro!) - é as pessoas em geral, e também alguns escritores, não conseguirem atinar com a diferença entre os acentos agudo e grave, entre o "à" e o "há".
Com isso é que eu embirro mesmo!!!
:-) Antonieta
Como é que um escritor é capaz de redigir "10 regras para escrever" é que me faz comichão...
ResponderEliminarBem dizia o Cardoso Pires, quando falava da "urgência" de esquecer a "gramática", para se conseguir escrever uma boa história...
Esta ideia de esquecer a gramática para se conseguir escrever uma boa história é muito perigosa, porque abre as portas à ilusão de que a gramática é uma chinesice
EliminarNoto que a embirração se tem propagado nos últimos tempos a ponto de algumas pessoas o terem eliminado. Por mim gosto de o ver utilizado a preceito.
ResponderEliminarNão deveria ter terminado a frase (afirmativa) com ! em vez de . ?
EliminarEheheheh!
Eis "la regula" o (sonhara) rigedez. Exclamar, declamar ou até reclamar, disso ou àquilo; outrora escrever era percorrer no horizonte sinuosa curva. Claro, questionava-se mais.
ResponderEliminarOra aqui está um belíssimo contributo de Cláudia:
Eliminar«Outrora questionava-se mais. Escrever era percorrer no horizonte sinuosa curva».
Merece um ou dois adequados pontos de exclamação.
Se me dão licença, cá vão eles:
– Grato, Cláudia!!
Aplaudo!!!!!
EliminarAplaudo??? Ó Pacheko mas aplaudes o quê? Ajuda-me lá e explica-me, por favor, pois, sinceramente, se eu percebo alguma coisa do que diz (escreve) a Cláudia... Ou será que o burro sou eu? É o mais certo.
EliminarNão respondo, pois o que disser pode ser usado contra mim!
EliminarAhahahah!
Ó Caro amigo Pacheko estiveste bem; gostei.
EliminarUm abraço.
Já que falam nisso, prefiro o ponto de exclamação ao de não retorno.
ResponderEliminarPrefiro o ponto de viragem ao ponto cruz. E como ponto a ponto se faz um conto, talvez fique pelo ponto pérola que é feito de açúcar e alimenta o cérebro ...
Espero que não tenham nada contra os três pontos:)!
Agora o que está na moda são mesmo as reticências...
ResponderEliminarTambém gosto, confesso, e uso e abuso delas...
:-) Antonieta
Pois... exprimem dúvida ou hesitação, ambiguidade, que hoje muito abundam!
EliminarEu também não gosto lá muito! eheheh
ResponderEliminarTambém não gosto de reticências...
Cada um tem a sua sinalética de embirração, não é?
Mas com o que eu embirro mesmo é com o pmqp (pretérito mais que perfeito). Soa-me a escrita velha, antiquada. Por exemplo: ela comprara ervilhas e descascara-as todas. Mais tarde, fizera um caldo que se tornara bastante ácido. Fora a falta de frigorífico.
Grrrrrrrrrrrrr!
E também não gosto de uma data de coisas que não devo mencionar. Isto no que diz respeito à escrita, claro.
Só mais uma: e aquela escrita corrida em que tudo se baralha, o discurso directo com o indirecto e sem um único sinal ortográfico?
Deve ser arte. Digo eu. Não é para todos.
Cristina Carvalho
Com o que eu embirro é com o pretérito mais que perfeito composto. Mostra que não se sabe escrever.
EliminarA sua embirração com o pmqps (porque, como sabe, também existe o pmqpc, igualmente "velho", "antiquado", mas, aparentemente, menos sinergético, lembra-me outra embirração que também campeão muito por aí, e com as mesmas a acusações de senilidade: o uso do "vós", a segunda pessoa do plural do pronome pessoal. Sinais da "modernidade".
Eliminar"Ela comprara ervilhas e descascara-as todas. Mais tarde, fizera um caldo que se tornara bastante ácido. Fora a falta de frigorífico."
EliminarPondo de parte a foleirice do exemplo, que nenhum escritor a sério usaria, ficaria bem pior assim:
"Ela tinha comprado ervilhas e tinha-as descascado todas. Mais tarde, tinha feito um caldo que se tinha tornado bastante ácido. Tinha sido a falta de frigorífico."
São ambos exemplos de má escrita. Sabemos bem que não se escreve assim quando se escreve bem. E escrever bem implica usar o pretérito mais que perfeito simples em lugar do pretérito mais que perfeito composto quando soa melhor. E muitas vezes soa melhor.
Esta embirração lembra-me outra de pessoa bem conhecida da praça que detesta o belíssimo "pormenor" e gosta do galicismo "detalhe"... É uma questão de mau gosto, que se há-de fazer?
EliminarBem, fazer um bom creme de ervilhas também não é para todos... deve adicionar-se-lhe uma colher de açúcar!
EliminarEheheheh!
Mas o caro/a anónimo/a está tão cheio de azedume por alguma razão especial?
EliminarQue horror!
Cristina Carvalho
A mim parece-me que "o/a" apresenta sintomas de azedume mais-que-perfeito composto...
Eliminar:-) Antonieta
Ficaste com o BISSEX na cabeça, Antonieta. :). Hoje, dia 9, o meu azedume vai para este país que não sabe avaliar o verdadeiro génio e dá o prémio camões a um poeta tão fraquinho como o manel caçador.
EliminarEm resumo, o prémio camões não vale nada.
Ah, era o/a Bissex?
EliminarDesculpe, mas eu estava a responder ao comentário da Cristina Carvalho.
Discordo quanto ao prémio em questão não valer nada - vale 100 mil euritos!
Com açúcar e afecto...
:-) Antonieta
Na verdade, o ponto de exclamação tornou-se um sinal de pontuação muito abrangente: cobre todas as emoções.
ResponderEliminarJá agora, há que tempos que não se inventa um sinal de pontuação!
Um ponto de reclamação dava jeito... às vezes...
Ahahahah! Apoiado!
EliminarE um ponto de aborrecimento?
Mas esse não rima!!!
Eliminar:-) Antonieta
E um ponto de...? E um ponto de...? Caminho imparável!
EliminarJá eu, aquilo com que mais embirro é com não uso de maiúscula a seguir ao ponto final. Não serve para nada, além de dificultar a leitura, pois impede a visão periférica de antecipar o final da frase. E não é verdade que contribua para conferir ao texto características da oralidade. Isso mostrou Saramago que se consegue usando a vírgula para substituir outros sinais. E o pior de tudo é que parece estar a tornar- se moda. Isto, para não falar dos que colocam o ponto final não no final da frase, ma no início da frase seguinte ou, bem no meio, entre a última palavra de uma frase e a primeira da seguinte. Gostaria que me explicassem qual o contributo expressivo que isto traz à frase.
ResponderEliminarÓ Helder, mas qual moda? mas escrever desta ou daquela maneira é moda? Simplesmente ou s
Eliminar-escapou-se-me o dedo..
Eliminarsimplesmente, dizia eu, ou se escreve mal ou se escreve bem e o resto é (a tal) conversa da treta.
Completamente de acordo com este comentário do Hélder Gonçalves.
EliminarE agora estou a falar (escrever) a sério.
:-) Antonieta
A INTERROGAÇÃO
ResponderEliminarAndo a escrever um livro, não a minha obra prima. Essa depois de escrita tomou por decisão, que respeito e não contrario, a procura de refúgio monástico. Fechou-se numa gaveta que por lá tenho, e emudeceu. Respeito as suas convicções e não a vou visitar.
Ando a escrever um livro que fala de amor. Não é por ser esse tema, podia ser outro, mas não consigo terminar. Acho que me tomei eu mesmo de amor por ele, impossibilitando-me de libertar o objecto amado. O amargo da perda ou da perca – que nunca sei – abate-me. Encontro sempre e por isso, uma boa desculpa para acrescentar algo mais, aplainar palavras mais rudes, rever pontuações.
Como se soubesse fazer isso, aplainar ou rever. São assuntos de entendidos e eu não sou entendido, em nada. Mas são as desculpas, para termos um convívio diário, e enquanto se mantém uma relação assim, mesmo que já não seja honesta, atiça-se a esperança de mantermos uma dependência.
Ela, a história, estará desejosa de ganhar a sua, neste caso independência, eu, inseguro e necessitado de companhia, finjo que não entendo e continuo todos os dias a fazer revisões começando sempre na primeira linha. É certo que as primeiras cinquenta páginas já foram revistas umas vinte vezes, mas ainda não estão bem. Faltam as restantes, que são cinquenta. Quando chegar a elas, com afinco e o pormenor que me exige este livro, levarei o tempo correspondente que gastei nas primeiras. Depois terei que fazer ainda uma leitura final, pausada e sem pressões, com tempo.
Acho que nunca vou acabar, mas temo que seja isso que quero: escrever um livro só para mim.
E também que interesse tem um livro do amor incondicional? Isso existe?
(terei abusado da pontuação interrogativa?)
Além de "soar" a escrita de adolescente, a utilização excessiva do "!" retira impacto à voz do narrador, ou mesmo tratando-se de um simples comentário/post no facebook, pois parece que a pessoa dá um destaque exagerado, gabarola, como se dissesse, "vejam lá este meu pensamento tão interessante!", ou até como aquela gente que conta uma anedota ou lança uma piada e já vai a rir, achando-se o máximo...e a estragar tudo. Nos exemplos que a Maria do Rosário deu, perdoa-se, eu acho: eram outros tempos. Na escrita mais moderna, no entanto, a tendência é suprimi-los, sim, e na verdade não fazem falta alguma. Excepção feita no caso dos diálogos: aí, sim. Beijo
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