Ai, Dylan

A escolha de Bob Dylan para vencedor do Prémio Nobel da Literatura está desde o início envolta em polémica. Primeiro, foi o facto de se tratar, acima de tudo, de um escritor de canções, e não de um escritor no sentido mais tradicional; depois, foi o silêncio do premiado, que esteve sei lá quanto tempo sem atender o telefone à Fundação Nobel e sem se pronunciar sobre a circunstância de lhe terem atribuído o galardão. Quando finalmente decidiu acusar o toque e parecia que tudo correria bem, faltou à cerimónia marcada para a entrega do prémio, em Estocolmo, alegando compromissos enquanto músico (sabe-se lá se com uma remuneração superior à do prémio, que é de 820 e tal mil euros). Mesmo assim, era obrigatório entregar o discurso de aceitação para poder receber o valor do prémio e só uma semana antes de o prazo terminar Dylan se dignou a fazê-lo; o discurso, que julgo estar disponível online para quem o queira ler, falava de alguns livros que marcaram o músico-autor (que escolheu, aliás este nome artístico por causa do poeta Dylan Thomas), entre os quais se destacava o romance Moby Dick. Mas agora uma professora diz que ele roubou várias frases sobre a obra de Melville a um site de resumos de obras literárias usado especialmente por estudantes de literatura que não têm vontade de ler os livros de fio a pavio... Oh dear! A polémica não pára. 

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda29 de junho de 2017 às 01:08

    Polémica é isto mesmo...
    Confesso que não tenho uma opinião formada relativamente a este caso, apenas porque não li ainda a obra de Dylan, para poder ajuizar acerca do seu valor Universal... Pois é disso que se trata quando é atribuído um prémio Nobel, certo?; do seu valor Universal... De que forma a obra em causa influiu beneficamente no caminho tomado pelo Mundo e nos corações daqueles que a partilharam... E julgo que, aqui, este pressuposto está mais do que assegurado. Relativamente ao conceito de literatura que se pode encontrar na obra de Dylan, talvez ele exista indesmentivelmente pelo facto de percebermos que irá perdurar de formas que outras obras agraciadas não conseguiram...

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  2. Foi apenas mais uma polémica do Nobel, entre tantas (deve haver uma alínea qualquer no regulamento, que diz que o factor surpresa é tão importante como o talento do escolhido...)

    Mesmo o nosso Saramago, que nem foi contestado (só o António Lobo Antunes e o Sousa Lara é que não devem nenhuma piada à escolha...). E não é a grande figura literária da língua portuguesa do século XX.

    Sinceramente não vejo qual é o problema de ele (ou o seu secretário...) ter retirado frases de um site de resumos.

    Não estamos a falar de um erudito, estamos a falar essencialmente de um músico, que escreveu canções sobre a realidade, sobre os problemas das pessoas (que até poderia inspirar-se nas notícias de jornais...).

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  3. António Luiz Pacheco29 de junho de 2017 às 03:29

    Bom, e passado este tempo todo, também eu traça dos livros que assume a sua ignorância e incapacidade, não tenho opinião formada nem final sobre este tema, como não consegui obter os esclarecimentos que me ajudassem a formá-la!

    Claro que considero estranho quem nunca escreveu um único livro, fosse de poesia, ensaio ou romance, receber tamanho prémio, ainda que essa pessoa seja o Genial Bob Dylan... por outro lado ele efectivamente escreveu letras de canções imorredoiras! É literatura? Sinceramente não sei, mas diria que a resposta a esta questão parece portanto ser "blowin in the wind" !
    Eheheh!

    Quanto à “acusação” de ter ido buscar citações aos tais resumos… é vã!
    E convenhamos, qual o escândalo que isso provoca? Podia e muito bem, não se recordar com exactidão das palavras e ter ido esclarecer-se a um local óbvio e fácil de o fazer! Faz todo o sentido.
    Faço notar que para o fazer teve de saber em que obras figuram ou quem foi o autor das citações, e, para saber da existência delas foi porque leu as obras… ou não?
    Se calhar a referida senhora nunca consulta nada, sabe tudo de memória?
    Polémica quanto a mim inútil e inábil, baseada um detalhe mesquinho que não ensombra nem Dylan nem deslustra o prémio.

    Estarei errado? Ser, ou não ser, eis a questão como me parece ser apropriado, citando o famoso actor de cinema inglês Sir Laurence Olivier!

    Eheheh! Saudações hamleteanas cá da Cidade Morena.

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    1. Concordo, a mim também não escandaliza. Mas há críticas de tudo. Para todos os gostos. Não deve ser esta a reflexão crítica que os meus professores tanto desejavam cultivar nos alunos. Por vezes até me parece crítica meia acéfala.

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  4. O chamado tema fracturante. Rosário, no que tu foste falar! ahahah! Já estava tudo esquecido, arrumado nos escaninhos da nossa memória e bumba, aqui vai outra vez! Round and around again. Fazes bem! Eu faria o mesmo.

    Cristina Carvalho

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  5. Displicência na elaboração do discurso de aceitação do prémio.
    Se analisarmos bem todo o processo, há displicência em Bob Dylan desde o início. Perfeitamente coerente.
    Talvez o inspire a escrever e musicar um poema sobre a displicência... dele e não só.

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  6. "Oh inclemência! Oh martírio!"

    Para quem não saiba, continua assim:
    "Estará porventura periclitante a saúde desse nobre e querido menino que eu ajudei a criar?"

    Pai Tirano

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    1. C'preendi-te... tens medo qu'eu seja cão, e t'humedeça a base!

      (O Pátio das Cantigas)

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    2. Não fui eu, "Pai Tirano" quem respondeu como "Pátio das Cantigas". Não sou cão nem humedeço bases (seja lá o que isso quer dizer).

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  7. É o preço da informação excessiva, por todo o lugar, a toda a hora e consultada por toda a gente. Há sempre alguém a descobrir isto e aquilo e a contar. O afã de contar a malandrice dos outros sobretudo se se trata de gente pública. Que tanta vez não vale a pena. Antigamente chamava-se de parte o plagiador e levava a surra a sós. Agora leva-a perante o mundo virtual ou real que quanto mais show melhor. É um tanto triste o mundo em que vivemos.

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  8. Tenho lido muitas coisas, esqueço-me de outro tanto, mas não me irei esquecer deste discurso do Nobel .
    Embora sem palavras, apraz-me dizer que foi um Homem
    que o ganhou por toda a Humanidade.

    Que se lixem as citações

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  9. E não retiro nem uma vírgula ao que disse sobre o Fausto.
    Merecia o Nobel ou o prémio Camões, mas isso só vão descobrir daqui a 500 anos.

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  10. Pois...
    O fim de 2017 anos, ser original é coisa difícil.
    Por vezes a pessoa cria algo de início ao fim desconhecendo que alguém teve a mesma ideia e fez o mesmo.

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  11. Pois...
    O fim de 2017 anos, ser original é coisa difícil.
    Por vezes a pessoa cria algo de início ao fim desconhecendo que alguém teve a mesma ideia e fez o mesmo.

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  12. Cláudia da Silva Tomazi29 de junho de 2017 às 16:49

    Sinceramente tem cada "doido"... Seria infeliz reprovar acções de um artista de natureza pop. O seguimento literário (tirou a casquinha) significativa este Bobel 2017. Ora, ora quanta implicância; sabe-se o que cai, jogar alho para cima.

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  13. O "fanhoso" mais uma vez provou que não merecia o galardão que a Academia Sueca lhe outorgou. Teve o desplante de plagiar o seu discurso de aceitação do prémio (é claro que não leu nenhum dos livros que ele cita) fazendo troça da Academia que foram "comidos" que nem otários! O Comité Nobel para lavar a sua honra devia retirar-lhe o prémio e ele, se fosse honesto devia devolver o cheque que provou não merecer. Enfim, um enxovalho como este não dignificou nada as disposições testamentárias de Alfred Nobel. É caso para dizer que o "fanhoso" foi ignób(e)il.

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    1. Diverte-me imenso esse seu ódio de estimaçao ao "fanhoso".
      Quanto a mim, ele mereceu bem o Nobel.
      Quanto a si, engula lá o sapo, ahahah.
      Joan Baez

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