Viagens com livros
Quando viajo, seja de avião, seja de comboio, levo sempre um livro comigo. Agora, que as pessoas vivem agarradas ao telemóvel e algumas falam ao telefone ou recebem mensagens com apitos durante toda a viagem, é mais difícil ler no comboio do que no avião. Mesmo assim, há quem tenha decidido que vale a pena tentar aumentar os níveis de literacia e os hábitos de leitura dos portugueses disponibilizando, em algumas viagens do Alfa-Pendular, um livro para ler durante o percurso. Este estará, em princípio, pousado no assento quando o passageiro chega ao seu lugar; mas, se não estiver, pode ser pedido na carruagem-bar, onde há, pelos vistos, um bom número de exemplares de reserva. O lema deste programa é «viagens com livros» – e os livros, mesmo os de autores estrangeiros como Edgar Allen Poe, são facultados em tradução portuguesa. Curiosamente, a iniciativa está a cargo de uma instituição de crédito – a Cetelem – numa parceria com a CP e no âmbito da política de responsabilidade social da empresa. Por isso, se viajar nos comboios que vão de Lisboa a Braga (ou vice-versa) neste mês de Maio, terá um livro à sua espera. Desconheço se, finda a viagem, pode ficar com ele.
É uma boa ideia.
ResponderEliminarNormalmente quando vou para sítios com sala de espera, levo o livro que ando a ler (se não for um "calhamaço"...).
Mas penso que o verdadeiro leitor prefere ler o que quer e não o que quer que leiam... ou seja, bom é que o bar tenha uma boa estante de livros, à escolha do freguês. :)
Excelente notícia!
ResponderEliminarLá de boas intenções está a Cetelem cheia mas, sinceramente, creio que a isto não ficaria mal se lhe chamasse Demagogia - Pura Demagogia - a tal conversa de ervanária que um meu amigo costuma citar nestes casos-!
ResponderEliminarQuem Lê anda sempre com um livro agarrado a ele e ainda mais quando vai numa viagem.
Então alguém que lê está à espera que um livro lhe caia do céu? quem não lê até podem lá estar cinco em cima do banco que ele nem os vê pois só tem olhos para o telemóvel; então se quando ele anda na rua nem o caminho que pisa vê...quanto mais livros em cima do banco...
Demagogia poderá parecer demasiado penalizador para quem teve a iniciativa (nas melhor das intenções) talvez ficasse melhor - é deitar pérolas a porcos-!
EliminarFinda a viagem, o leitor poderá estar motivado para contrair um empréstimo.
ResponderEliminarHouve um tempo, uma moda estranha, em que se levavam livros para o transporte, jardins e esplanadas. Para hábitos de português até parecia inusitado, mas, pronto, pensei: olha, afinal, agora é que vai ser... Geralmente, eram só aqueles tijolos de literatura traduzida, os códigos e coisas assim. Lá apareceu também a mania do Tavares e do tipo do telejornal, mas, enfim... Há uns anos a esta parte, lá se foi a moda das senhoras e dos senhores com a mania de mostrar que eram finos, até liam tijolos em público, se calhar foi coincidência com o regresso do benfica à ribalta, aos tempos do salazarismo dos FFF...
ResponderEliminarPois...se eu fizesse uma viagem comprida e me esquecesse de levar um livro, até agradecia que outro estivesse à minha espera.
ResponderEliminarMas quem não gosta de ler, como acima foi dito, não vai passar a gostar por encontrar um livro no assento. Receio que o desvie sem o abrir.
É verdade que vejo muita gente nos transportes e na rua ocupada com o telemóveis e afins. Mas também encontro algumas pessoas com livros, a lê-los. Compro alguns de pequenas dimensões e deixo-os para tais situações. Mas é em silêncio que gosto de ler. E, por vezes, repito em casa as leituras que já fiz em lugares de menor recato.
Então é assim (para mim, traça dos livros):
ResponderEliminar- Penso que todas as iniciativas que chamem a atenção para a leitura ou a ela convidem, são bem-vindas!
Mesmo que não funcionem ou sejam de duvidosa eficácia, o objectivo tem de ser chamar a atenção para o livro, falar no livro, promover a palavra livro (e leitura, óbviamente).
Portanto esta é mais uma boa notícia!
Duvido muito é que os portugueses não leiam assim tão pouco! Com a verdadeira catadupa de livros publicados e expostos e anunciados e sei lá o quê mais, é porque se lê! Tenham paciência... alguém acredita que o linear de livros exposto no Modelo/Continente não pague esse espaço e o destaque dado - logo na entrada?
Parece-me ser um mito, essa de que se não lê em Portugal... talvez não se leia o que as editoras desejariam, que deve ser um valor ambicioso e inatingível, mas não acredito nessa idéia generalizada que parece ser fruto da nossa tendência para o desprezo próprio!
Enfim, quanto à iniciativa do viajar lendo, eu levo sempre o que ler, seja de trabalho seja para passar o tempo... e acredito que seria bem mais interessante em vez de ter livros (para serem lidos em quantas horas?) houvesse sim uma revista de bordo como nos aviões, com informações úteis sobre a geografia, folclore, história, cultura, gastronomia e outras actividades, das regiões atravessadas! Isso é que era serviço, punha as pessoas a ler na mesma, e mais se fossem feitas referências a obras onde se pudesse aprofundar aquilo que a revista aborda pela rama, mas também divulgava e instruía!
Saudações tracejantes cá da Cidade Morena.
Pensei o mesmo que a Rosário, há uns anos, quando numa viagem a Amsterdão encontrei no quarto do hotel um livro.
ResponderEliminarNa mesa de cabeçeira, impecável de novo, acho que ainda a cheirar a tinta.
Também eu tinha um livro, um não, pelo menos três. Mas fiquei preso aquele. Li-o de um trago.
É engraçado passaram quase 20 anos desde que isso aconteceu e ainda me lembro dos contos, particularmente um, que para mim passou a ser o nome do livro.
" Who Will Water the Rosebushes?" de Arcadio Garcia.
O livro na verdade chamava-se Bedside Stories e fazia parte de um concurso de contos que aquela cadeia de hotéis promovia.
Na contracapa faziam menção que era uma oferta.
Foi um dos melhores livros de contos que li, inclusive o pequeno texto de introdução que nem estava assinado e que tinha a voz do Conrad, embora os escritores fossem todos espanhóis.
" Some of the characters in this book while away their hours on those hot Caribbean afternoons lying in a hammock, listening to extravagant stories and drinking rum..."
Coisas dos livros.
Considero ser uma boa ideia. Como a iniciativa cessa quando cessar a parceria talvez também fosse uma boa ideia a parceria ser estabelecida com caráter mais duradouro com um organismo público dedicado ao livro e à leitura. Era um serviço público de mérito e não era caro.
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