Pimenta na língua
Não, não se trata de dizer asneiras… Pelo contrário, de falar muito a sério. Todos sabemos que hoje, no mundo inteiro, o inglês é a língua de comunicação por excelência entre pessoas de diferentes nacionalidades e que, em Portugal, até já há muita gente que a utiliza no meio de palavras da sua língua (sexy, input, top model, online, designer, fitness… ui, são tantas!), alegando que os vocábulos ingleses exprimem melhor o que querem dizer do que os seus correspondentes nacionais. O inglês instalou-se por causa das músicas, dos filmes, das séries – e, talvez, grosso modo, por causa do tamanho e da importância da América nas nossas vidas (foi por isso que a eleição de Trump foi tão falada por cá). Mas o senhor Jean-Claude Juncker, ao discursar para um grupo de diplomatas em Florença, nas vésperas das eleições francesas, sobre as negociações que o Brexit implica, disse não ter quaisquer dúvidas de que a língua inglesa vai perder importância na Europa (mesmo que isso vá acontecer lentamente) – e disse-o em inglês, para Theresa May ouvir lá na terra dela, passando imediatamente ao francês, quiçá para avisar os Gauleses que tivessem tino ao votar e não escolhessem ninguém que se lembrasse de referendar a saída da França da União Europeia. Pois, calculo que Juncker esteja chateado com os ingleses e queira pôr pimenta na língua do Reino Unido, falando tão pouco inglês quanto possível; mas não sei se tem razão ao dizer que a língua inglesa vai perder peso na Europa. Será?... É que as séries, os filmes, as músicas... continuarão, acho eu, a ser maioritariamente em inglês. E isso, creio, faz toda a diferença.
Ele deve ter dito o que queria, para ele e para o seu grupo de "jean-claudes", mas como os políticos gostam muito de se afastar da realidade, especialmente os europeus...
ResponderEliminarBom dia.
ResponderEliminarDe facto, e no que à Televisão diz respeito, para quem vê qualquer canal menos o 2 da RTP, os filmes continuam a ser em Inglês, mas eu, há algum tempo que procuro essencialmente a RTP 2 que tem apostado em excelentes séries francesas e do norte da Europa. Pois bem; repito: excelentes! Não tenho nada contra o Inglês, nem contra qualquer outra língua e acho interessante este tipo de atitudes de censura por parte do dito senhor, mas não entendo como uma Televisão Europeia, como é a Eurovisão permite que num concurso musical em que - julgo eu - o que se pretende é destacar as diferenças num Mundo em que todos somos cada vez mais iguais, seja permitido que se cante em inglês e não seja imposta a obrigatoriedade de fazê-lo nas línguas nativas.
Somos eventualmente o único país que sempre cantou na sua própria língua e, mesmo que isso não nos tenha, aparentemente rendido muito, pelos menos afirmamos - neste caso particular - a nossa identidade.
Seja louvado este nosso acto.
E já agora, parabéns ao Salvador pela vitória de música, da língua e da perseverança.
Concurso de cantigas da Eurovisão : das coisas mais tristes e mais saloias que tenho visto nos últimos tempos, exceptuando, naturalmente, o nosso representante que esteve muito, muito acima de tudo e de todos, em todos os aspectos, e cantou na sua própria língua, só que toda aquela saloiada e todos aqueles xaretéus duma ignorância atroz não deram decerto pelo facto.
EliminarEm contrapartida, na RTP1, passa quase diariamente um imbecil (mais o seu staff-esta do staff já serve a qualquer taberneiro-) dizia eu, passa um imbecil que, de vez em quando, boceja umas palavras em português; todos os "seus " concursos têem nomes pomposos, é o Brainstorm, é o não sei quantos Picture e outras alarvidades por aí fora... como é que, no principal canal televisivo e àquela hora (nobre) se permitem tais ignorantes e tanta alarvidade, fomentando-se a ignorância que continua a grassar cada vez mais. Os responsáveis têem responsabilidades (de formação) para com a população portuguesa que não podem ser descuradas desta maneira - que gente se está a formar?
Pois... Mas há uma «coisa» a que eu chamo «livre arbítrio». Cada um bebe da água de que mais gosta, cada um procura onde deseja. Responsabilizar os outros, e sobretudo uma televisão, é esquecer a própria responsabilidade de escolha. Longe vai o tempo em que não existiam opções. Hoje não faltam opções, mas, curiosamente, parecem faltar as escolhas... Num mundo de liberdades, cada um deve assumir as consequências das suas.
EliminarGrande abraço.
Gosto de pessoas que se têm em tão grande conta que acreditam que conseguem operar um efeito-Pigmalião na cultura.
ResponderEliminar(um) beijo de mulata
A Cultura não é a «peneira»; é a «farinha». Por isso há tantas variedades de «pão»...
EliminarO Inglês não vai perder importância. Uma língua global não é uma língua nacional ou local, é uma ferramenta comunicacional possuída por quem a fala. É a "lingua franca", a língua trans e supra-fronteiras e, por isso, goste-se ou não, continuará a ser língua de trabalho na Europa.
ResponderEliminarNunca uma língua teve a disseminação do Inglês (nem o Latim no mundo antigo, nem o Português do séc. XVI que já cruzavam continentes e mares) e, mesmo não sendo a língua-nativa mais falada no mundo, é a que é mais falada, mais apropriada, mais mudada e transformada pelos falantes.
O Sr. Juncker esquece-se que o Inglês não é a língua dos ingleses, é a língua mundial e... a língua que mais facilita as trocas comerciais e a economia e, claro, o mercado rege a política.
Certa gente come consoante os mercados, dorme consoante os mercados, anda consoante os mercados, canta consoante os mercados, dejecta consoante os mercados, sonha consoante os mercados (não sonha porque os mercados não consentem), diverte-se consoante os mercados, dança consoante os mercados, olha consoante os mercados, cheira consoante os mercados, saboreia consoante os mercados, pensa consoante os mercados, vive consoante os mercados, morre consoante os mercados...
EliminarJulgo que o inglês ficará como é... pelo menos enquanto for aprendido nas escolas do Mundo inteiro como segunda língua... e também enquanto Hollywood persistir assim como as excelentes séries faladas em inglês que complementam o ensino da língua na escola e a divulgam, sem dúvida, ao contrário do mandarim, castelhano, francês, alemão... dê por onde der os filmes e o ensino complementam-se!
ResponderEliminarDepois, é bom lembrar que o inglês é a língua adoptada internacionalmente em muitas profissões ou meios técnicos, é a língua dos manuais e o "on/off" é por demais vulgar e popular!
Finalmente, enquanto no UK, EUA, Austrália e Nova Zelândia, Canadá (anglófono) , na Índia e em vários países da África subsaariana, for o idioma oficial de países tão populosos, não há volta a dar!
Sorry Mr. Juncker... no way!
Saudações anglófonas cá da Cidade Morena!
Ó Pacheco, curiosamente o Mr. Juncker não me parece um amorfo, até me parece (às primeiras impressões) um gajo com tomates...
EliminarE por muito que negue, a fama de alcoólico não o larga.
Eliminarhttp://www.telegraph.co.uk/news/2016/09/14/jean-claude-juncker-denies-alcohol-problem-during-interview-in-w/
Portugal não cantou sempre exclusivamente em português no Eurofestival.
ResponderEliminarVer aqui:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal_no_Festival_Eurovis%C3%A3o_da_Can%C3%A7%C3%A3o)
Salvador Sobral não foi o único a cantar na sua língua materna. O cantor húngaro, um cigano "Roma", cantou na sua língua (esteve na final), assim como o concorrente italiano. Não sei se houve mais um ou outro. Lembro-me que a concorrente francesa cantou quase tudo em francês (houve qualquer coisa em inglês, sim), assim como os últimos classificados, os miúdos espanhóis, que cantaram quase tudo em espanhol/castelhano. Aliás, a França, a Espanha e a Itália também não costumam abdicar das suas línguas neste certame.
Compreendo a euforia e eu também adorei que Portugal tivesse ganho. Na verdade, porém, todos os anos há artistas que fazem isso mesmo: dispensam as luzes e o fogo de artifício e cantam sozinhos em palco, por vezes acompanhados da sua guitarra. Lembro-me de um concorrente belga, há uns anos. Não ganhou, ficou em segundo ou terceiro, mas a sua canção foi a única que ouvi várias vezes na rádio alemã. Lembro-me também de um par holandês que também cantou com muita simplicidade, uma canção que igualmente teve êxito na Alemanha. Ficaram em segundo, perderam para a Conchita Wurst.
Ainda não ouvi o Salvador na rádio alemã.
A quem interessar, encontrei a participação holandesa (cantam em inglês). Foi em 2014 e, sim, usaram alguns efeitos, mas simples. A canção é agradável, mereciam ter ganho.
https://www.youtube.com/watch?v=4ggBPAm5XLA
Também me parece que o inglês continuará a ser a língua franca mesmo sem o Reino Unido na UE. Boa foi esta saída. Eles só lá estavam porque tinham a convicção de que uma Europa unida seria uma ameaça para o seu lugar de pretensa 1.ª potência europeia. Há muitos anos que se regem por esse princípio estratégico. Agora que concluíram que não vai haver Europa unida, já não sentem a ameaça, saíram. Ainda bem, pois por aquela razão eram um elemento nocivo.
ResponderEliminarEra só ganhar a Marine e a saída da França estava garantida!
ResponderEliminarSe o Juncker quis «avisar os Gauleses que tivessem tino ao votar e não escolhessem ninguém que se lembrasse de referendar a saída da França da União Europeia», fez afinal um grande favor à democracia!
Sim, será dificil substituir o papel do inglês no mundo. Temos no entanto uma vantagem, todos nós os que temos uma cultura não anglo-saxónica / americana e falamos outras linguas, que é a de usufruirmos da cultura deles, de certo modo já universal, mas nos podermos refugiar na nossa. E há todo um mundo fora da cultura dominante: "There's a big world outside the USA".
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