Os mais talentosos da América
De dez em dez anos, a famosa revista Granta publica um número especial, dedicado aos jovens escritores (jovens quer dizer com menos de 40 anos) mais talentosos dos EUA. São geralmente nomes a que devemos prestar atenção, pois a maioria acaba mesmo por vingar num mercado que é imenso – e grande parte consegue traduções em várias línguas. Há dez anos, por exemplo, estava nessa lista um autor que fez as minhas delícias – Jonathan Safran Foer, de quem publiquei um notável romance intitulado Está Tudo Iluminado na Temas e Debates e que, uns anos mais tarde, pariria Extremamente Alto e Incrivelmente Perto (hoje na Quetzal), de que se devem lembrar porque deu origem a um filme que, se não me engano, foi aos Óscares. A lista deste ano inclui alguns autores que têm saído na Teorema pela mão da minha colega Carmen Serrano (a quem tiro o chapéu pelo feeling): Ben Lerner (já falei aqui do livro 10:04), Anthony Marra (O Czar do Amor e do Tecno) ou Garth Risk Hallberg (o autor de A Cidade em Chamas, muito comentado em todo o lado). Mas há mais nomes, como os de Ottessa Moshfegh, que integrou a shortlist do Booker Prize de 2016 com o romance Eileen, ou Rachel B. Glaser, Chinelo Okparanta, Sana Krasikov, Claire Vaye Watkins, embora ainda cá não estejam traduzidos. O número da Granta que conta tudo saiu no dia 4 de Maio. Em inglês, claro.
Não li o livro e nem sabia que estava na origem de Extremamente Alto e Incrivelmente Perto... porém, foi um dos filmes que me deixou com lágrimas nos olhos, confesso e creio que não é vergonha nenhuma, dadas as soberbas interpretações e a forma magistral como é narrada a história em imagens.
ResponderEliminarA Cidade em Chamas diz-me qualquer coisa... tenho de ir verificar...
Um bom dia para todos são os meus votos cá da Cidade Morena!
Para mim é um bom dia, pois um projecto que venho acompanhando, de pecuária extensiva (20.000 Ha) está a desenvolver uma reserva integral de caça no sentido de preservar e repovoar a região, sobretudo com um dos mais belos antílopes de África e ex-libris da mata do "muxito" ou do "mopane", o olongo ou unjiro (em inglês greater kudu). Hoje vamos colocar placas de proibido caçar... o que para mim, caçador, é algo de gratificante, por paradoxal que possa parecer!
Parabéns:).
EliminarParadoxal?
EliminarApenas quer dizer que, no fundo, bem lá no fundo, só caça para fugir de si próprio.
Tem medo do seu fundo bom e piedoso e é disso que foge. Mas a descoberta desse seu fundo é, por seu lado, gratificante para mim :)
Saudações gratificantes cá da planície germânica!
Ahahah! Bem ao seu estilo, e ainda bem!
EliminarMinha Cara Cristina, não caço para fugir de nada e muito menos de mim mesmo... embora na caça já tenha tido de fugir algumas vezes...
Pelo contrário, quando caço reencontro-me. Sei que não o entenderá, mas acredite que sim.
Digo que é paradoxal, como paradoxal é, depois de um lance e ter na mão a perdiz abatida ou mesmo o magnífico ungiro, se pudesse dava-lhes vida... o que pode parecer estranho, mas eu quando caço não persigo e mato animais por ódio, admiro-os e gosto deles, por isso também trabalho para os preservar, para eu poder continuar a caçar e eles existindo me puderem encantar!
Saudações aí para a Germânia, a Lucy deve estar pronta para a curta Primavera?
Caro Pacheco
EliminarNunca lhe passou pela cabeça substituir a espingarda por uma dessas maravilhas da tecnologia da luz, que se chamam máquinas fotográficas penso eu.
E que tem sofisticados apêndices tecnológicos, como Zooms automáticas e manuais, lentes topo de gama de alta resolução, grande angular, diafragmas manuseáveis, ângulos prismáticos etc.
Enfim um sem número de coisas que um duende do séc.XVI não percebe muito, mas que sem dúvida, parecem mais saudáveis para os animais?
Saudações desarmadas:)
A Primavera por aqui é longa, o Verão é que é curto.
EliminarA Lucy está em boa forma, obrigada. Incrível, com treze anos e meio engana até um veterinário experiente, que lhe dá seis ou sete (isto, sem lhe ver os dentes, claro, apenas pela aparência e agilidade). Tem sido bem tratada ;)
Tiro muitas fotografias... a animais , à paisagem, às pessoas...
EliminarMas, é diferente! A caça fotográfica não substitui em mim a caça no sentido lato do termo, apesar de ser amigo e companheiro de alguns celebrados fotógrafos da Natureza, como o Luiz Filipe Quinta, por exemplo.
O Caçador tem de se apossar da presa, tem de apresá-la, não lhe basta tirar a foto... Ortega y Gasset explica isso muitíssimo bem.
O que eu faço em cada vez que saio para caçar, é reviver o momento em que um antepassado longínquo pegou numa arma (osso, pau, pedra...), alijando a sua condição de presa e erguendo-se em glória de predador.
Essa memória, esse gene desapareceu em alguns e manteve-se noutros, até hoje... é o meu caso. Nasci caçador.
Saudações cinegéticas cá da Cidade Morena.
Também vi o filme a que o livro "Extremamente Alto ..." deu origem. E gostei bastante. Há gente de excepção no mundo das letras. Tiro-lhes o chapéu com pena de não os ler a todos. Quem sabe, a gente volta, reencarna, e em cada vida seguinte vai lendo o que deixou na anterior, a cumprir desejos pendentes. De acordo com os meus gostos literários na presente, é fácil crer na hipótese. Mas também pode ser apenas o "estão verdes, não prestam" da fábula.
ResponderEliminarA Granta em inglês é para iniciados. Mais ou menos restrita.
Assinei a Granta durante alguns anos- agora assino a edição portuguesa - e seria interessante fazermos também a nossa lista dos melhores jovens escritores (alô, alô, Carlos Vaz Marques).
ResponderEliminarPara mim a melhor fornada de escritores ingleses foi a que saíu da lista da Granta nr. 7, de 1983:
Martin Amis
Julian Barnes
William Boyd
Kazuo Ishiguro
Ian McEwan
Salmon Rushdie
Graham Swift
Rose Tremain
Pat Barker
e falo apenas destes sete, de uma lista de vinte, porque muitos não são editados por cá.
:-) Antonieta
Apareceriam os mesmos de sempre.
EliminarMuito aplaudidos e sem grande sumo.
Por mim, dispenso.
Olhe que não, olhe que não...
EliminarA Granta é editada pela Tinta da China, uma das poucas editoras independentes que ainda resistem.
Talvez o Anónimo tivesse um surpresa... ou talvez não, já deu para perceber que o Anónimo vê sempre o copo meio vazio.
Antonieta
Que dizer da Relógia d'Água, da Cotovia ou da Antígona?
EliminarQue há décadas nos dão verdadeira e Literatura de qualidade?
Tenho vários livros da Tinta-da-China mas não comparemos o imcomparável, por favor. A TDC vive muito de marketing, é bom não esquecer.
Dessas que menciona, digo o mesmo. E junto-lhes a Cavalo de Ferro.
EliminarAntonieta
Olhe que não. Alguns anónimos veem o copo bem cheio. Depende.
Eliminar(chiça, eu hoje estou muito comentadora; deve passar)
De dez em dez anos ", isso é que é defeso ou pousio ou lá o que é.
ResponderEliminarEsses sabichões da Granta não fazem mais do que usar a técnica das leguminosas.
Deixam o substracto em paz durante dez longos anos a promover complicadas reações químicas que necessitam de muita energia e depois ei-los a surgirem com novos autores. Que à imagem do Nitrogênio e seus compostos, são altamente explosivos.
Carregadinhos de electronegatividade, mas mesmo assim úteis.
Depois, com paciência, utilizam os subterfúgios dos comerciantes a granel ( aqueles dos detergentes ou unguentos para a cútis ).
Linda embalagens, a prometer muito produto, mas na maioria dos casos, metade é ar.
Saudações de um vegetal fibroso!
Mas a GRANTA é o Papa Francisco? Mas a GRANTA vale alguma coisa? dinheiro (muito dinheiro) muito mal empregado que eu dei pelos primeiros números; esta publicação (qual revista, qual quê, por exemplo a LER é uma revista de livros mas a GRANTA não é revista nenhuma, é um pequeno livro de histórias chatas contadas mercenariamente e à pressa por meia dúzia de "mercenários"...) é um grande barrete - mas ao nº. 7 parei, não sei porque é que lhe dei o benefício da dúvida durante tanto tempo. Às vezes somos enganados (e atenção bem cara, excessivamente cara)! Finalmente consegui desabafar.
ResponderEliminarMesmo muito cara, à semelhança de quase todos os livros da editora.
EliminarHá dias tive um livro de Maitre na mão, um livro fininho a quase 18 euros. Caramba, a tradução é do francês e as páginas não são assim tantas que justifiquem o preço.
Ahahah! Ora ainda bem que desabafou, Severino!
EliminarÉ realmente muito cara. Já viu a quantidade de revistas rosa e jornais desportivos que pode comprar com esse dinheiro?
E diverte-se muito mais!
;-) Antonieta
O livro do de Maistre não é assim tão fininho - tem 206 páginas - e é um livro de capa dura! Além disso a TdC envia-o para sua casa com 10% desconto e portes grátis.
EliminarComprei o último livro da Carson McCullers, da Relógio D'Água, com apenas 164 pags e capa mole por 16€.
Antonieta
Antonieta, qualquer editora oferece 10% e envio grátis.
EliminarJá para não falar nas livrarias online.
Nem todas fazem envios à cobrança sem portes, alguns bem caros - mas desde que paguei um livro que nunca recebi nunca mais arrisquei.
EliminarCustos da interioridade.
Antonieta