Livros saídos da casca

Diz a sabedoria popular que, quando Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé. É mais ou menos este o princípio que rege uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Aveiro que consiste em fazer com que os livros vão ter com os leitores, já que eles, se calhar, não se lembrariam de ir à biblioteca buscá-los ou sentar-se por lá a lê-los. O nome do projecto é «Saio da estante e vou ter contigo num instante», frase bem achada e com laivos de musicalidade; e, pelo que sei, implica que três funcionários da biblioteca (entre os quais, a mentora da ideia, Jeanete Conceição) percorram as ruas do Bairro da Beira Mar duas vezes por semana e se aventurem na conquista de novos leitores com um trolley carregadinho de livros, revistas e CD. A acção foi precedida de um inquérito porta a porta, que permitiu saber quem eram os interessados – sobretudo os mais velhos, que já pouco saem – em receber em sua casa estes materiais, mas rapidamente se estendeu a muitos «vizinhos», que não só parecem apreciar o que estes funcionários lhes levam, mas também os dois dedos de conversa que com eles podem trocar. Todas as terças e quintas há distribuição – excepto se chover; mas, agora que o Verão vem aí, não há-de haver muitas «folgas».

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda3 de maio de 2017 às 02:10

    Excelente iniciativa, que esperemos ganhe raízes... Ou pelo menos, sementes...

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  2. Obrigada por ter sempre palavras amigáveis e felizes! É tão refrescante passar por aqui!

    (um) beijo de mulata

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  3. António Luiz Pacheco3 de maio de 2017 às 02:32

    Ora bem, género distribuir as listas telefónicas! Lembram-se?
    Ou ao jeito dos ardinas, que distribuíam os jornais e algumas revistas porta a porta, alguns com a notável habilidade de dobrarem o jornal numa espécie de disco anguloso que lançavam com certeira pontaria para as varandas dos prédios!
    Lembro-me de haver um que se fazia acompanhar de cão rafeiro de péssimo feitio. Chegava ao início da rua, poisava uma das pesadíssimas sacolas de pano onde trazia os jornais ao ombro e subia a rua com a outra para distribuir. Encostava o saco ao poste da luz que ali existia e dizia para o cão em tom de ameaça:
    - Se mijas aí, vais a ver!

    Era conhecido pelo "Semijas".

    Eheheh! Saudações saudosistas cá da Cidade Morena, onde é preciso cuidado com os vendedores de jornais que andam pelo meio do trânsito a vender jornais diários, com vários dias...


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  4. Bom dia,

    Esta iniciativa é tão mais inspiradora se "conhecerem" a Jeanete (eu só conheço de vista), uma pessoa com profundas dificuldades motoras e uma verdadeira força da natureza, apesar de tudo. Penso que o "excepto se chover" terá muito a ver com isso.

    Obrigado por este post, Rosário, deixo-lhe um beijinho.

    Rui Miguel Almeida

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  5. "Saio da estante e vou ter contigo num instante" - lindo!
    Parabéns à Biblioteca de Aveiro e um beijinho à Jeanete Conceição.
    :-) Antonieta

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  6. Cláudia da Silva Tomazi3 de maio de 2017 às 04:05

    Simples e prático! Até lembrou-me a saudosa D.Ester a recitar versinhos, quando se lhe batia à porta.

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  7. Os meus parabéns à Biblioteca de Aveiro. Há uns atrás havia umas carrinhas da CML que, durante os dias da semana, estacionavam, uma vez por dia, nos diferentes bairros de Lisboa (à 5.feira, lembro-me de a ver (e frequentar) na R.Escola Politécnica) - nunca mais as vi; terão acabado?

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  8. São esses os verdadeiros heróis e heroínas dos dias e que apesar de tudo ainda me fazem acreditar.
    Imagino a expectativa de alguns, nesses dias da semana. Há tanta solidão no mundo.
    Bem Hajam Seres dos livros:).

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  9. Quase comove ler que os mais velhos apreciam os livros e a conversa que estabelecem com quem os leva. A solidão está em cada esquina e dentro de cada um, mas para quem tem dificuldades de locomoção ou apenas vida quotidiana solitária e falta de contactos certos, imagino que seja um prazer esperar pelos livros que, quem sabe, ajudam as horas a passar mais depressa.
    Parece-me ideia com interesse.

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    Respostas
    1. Habitam as horas, Beatriz, até nos cantos mais escondidos.
      Pode-se viajar de comboio, barco até de avião, e já andam por aí a marcar viagens de space shuttle, mas viajar num livro continua a ser o mais perfeito meio de mobilidade.
      E eu que o diga, pois ando a viajar com as " Viagems Pagãs" do Dacosta.

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    2. Viagens sjnxjsjnsi( tradução= caraças)

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    3. Tem várias vantagens: o caminho quase não existe, estamos logo lá; não precisamos bagagem; é em geral mais barato que fazer várias viagens de metro (sem falar nas outras); permite interrupção a qualquer momento.

      Também tem umas desvantagens, mas aqui não se fala nisso:).

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    4. esqueci: que eu saiba não se morre de um livro. Nem há acidentes de monta a registar.

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  10. «Diz a sabedoria popular que, quando Maomé não vai à montanha, vem a montanha a Maomé. »

    Na verdade, é o inverso... ;-)

    De qualquer forma, trata-se, sem dúvida, de uma excelente iniciativa - e, sim, com uma notável designação - da Biblioteca Municipal de Aveiro. Apenas uma, a mais recente, das muitas que acontece(ra)m em todo o país, que a autora deste blog regularmente divulga, e que por isso o tornam interessante e útil, e merecedor de leitura (quase) diária.

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  11. ASev, as carrinhas da CMLx continuam a comparecer, sim. Tenho-as visto no centro de camionagem junto ao Colombo.

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  12. ASev, as carrinhas da CMLx continuam a comparecer, sim. Tenho-as visto no centro de camionagem junto ao Colombo.

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