Le temps des cerises
Quem gosta de cerejas procura sobretudo as de Resende ou então, mais fáceis de encontrar, as do Fundão (dizem que muitas vão direitinhas para a fábrica dos bombons Mon Chéri – mon cherry também soaria bem – mas ainda é possível encontrar muitas cerejinhas de qualidade nas frutarias portuguesas). E, neste tempo de cerejas, é mesmo para o Fundão que vou mais logo com o Manel e a minha amiga fadista Aldina Duarte, para participarmos no Festival Literário da Gardunha, que decorrerá durante todo o fim-de-semana. O festival inclui residências literárias e artísticas, uma feira do livro, exposições, teatro, música e actividades nas escolas. Além disso, o programa compreende vários lançamentos de livros e revistas literárias e uma série de mesas-redondas dedicadas ao tema da viagem (numa multiplicidade de sentidos), nas quais poderemos ouvir, entre outros, Carlos Mendes de Sousa, Lopito Feijó, Nelson Motta, Laborinho Lúcio, Manuel da Silva Ramos, Afonso Cruz ou Miguel Manso. Sábado à noite Cristina Branco vai cantar canções de Chico Buarque com o acompanhamento do trio de Mário Laginha e, no domingo de manhã, haverá uma caminhada poética de duas horas e meia (se quem caminha duas horas e meia vai dizer poemas, vamos ouvir certamente ofegar). Enfim, um bom programa de fim-de-semana, com muitas cerejas para a sobremesa. O pior vai ser voltar na segunda...
Bom fim-de-semana... Com boas leituras.
ResponderEliminarHaja fôlego para tal programa, cerejístico-poético-caminheiro!
ResponderEliminarO Fundão é terra de boa gente, onde comprei muita cereja, pêssego e maçãs nos meus bons tempos de Pingo Doce.
Falo disto por causa do tema das viagens que parece fazer parte do programa descrito, é que graças à minha função de responsável de compras perecíveis, tive a sorte e o privilégio de viajar por todo o nosso país para localizar e comprar estas e outras produções, conhecendo as regiões e muitas pessoas! Idem no que toca à caça, pois também ela me levou a percorrer todo o Portugal, sobretudo o mais profundo.
Uma curiosidade, sabem o que significa "gardunha"? É doninha, um pequeno predador mustelídeo, por sinal muito atrevido.
Advirtam-se! São os meus votos cá desde a Cidade Morena.
Desconheço os pormenores do mundo, habituado que estou às rotas transatlânticas.
ResponderEliminarPonho-me aqui a imaginar uma paisagem de fragas e verdes.
O cume áspero de serras onde o silêncio se habita de ventos.
Desfiadas todas as coordenadas e longitudes.
Deve ser bom estar ali.
Granitos e cerejas. Outras eras à espreita sem as grandezas de Roma.
A memória de uma prima afastada, que tem os olhos da cor da água lavada das pedras. Num tom que ainda não sabe se é verde ou se é só luz.
E é tudo o que tenho, o resto imagino...
Seria muito inconveniente pedir meia dúzia de pastelinhos de cereja,
se por acaso houver?:)
É caso para dizer que as cerejas são como as conversas.
ResponderEliminarSerá mesmo que depois de um fim de semana literário a casa e o trabalho desapetecem?! O programa é apelativo.
ResponderEliminarSe sim, felizes dos que na segunda têm onde voltar. Que há quem não tenha senão trabalho durante os fins de semana; e quem nem sequer tenha trabalho em dia nenhum. E deve haver gente que gostaria de experimentar esse fim de semana diferente só para ver como é.
Divirtam-se.
Com fados e outras canções, com caminhadas e poemas ainda haverá tempo e lugar para os assuntos literários que seria expectável encontrar em festivais desse tipo? Mas que inveja!
ResponderEliminarQuanto à hierarquia cerejal, baralhou-me. Eu pensava que o Fundão era a mãe de todos os cerejais (Alcongosta no topo) e que Resende só surgira nos fins do século passado, antecipando-se na época mas deixando intacta a posição do Fundão e afinal...
Meu caro, cerejístamente falando, Alenquer foi a pátria das cerejas, num passado ainda recente, assim como Resende (Viseu) e o Douro (Lamego, Penajoia, Santa Cruz), Alfândega da Fé (Trás-os-Montes). A Sul, há a cereja de Portalegre, a de S. Julião.
EliminarA cereja dá-se nas zonas montanhosas planálticas, como são Trás-os-MontesDouro e Beiras, ainda a Serra do Montejunto e a de S. Mamede.
A referência mais antiga à cultura da cereja é justamente em Lamego.
(Que faz teu pai em Maio? Come cerejas ao borralho!)
A S. Julião e as "de saco" serão das poucas variedades autóctones, já que a maioria das outras e modernas, são de origem francesa ou espanhola.
Ali em frente, na Espanha também se produz muita cereja, no famoso vale do Jerte - Extremadura. E há certamente ligação entre elas...
Um bom fim de semana, cerejal!
A cereja também se dá lindamente nas planícies frias do Norte da Europa, como na Holanda e na Alemanha. Aqui, onde moro, há cerejas sem fim, algumas enormes, bojudas. O tempo da cereja (cerca de um mês mais tarde do que em Portugal) é por aqui muito festejado.
EliminarLe temps des cerises
ResponderEliminaraux bonheur du printemps
retourne toutes les bêtises
que je me rapelle
autant
Il y a aussi
des hirondelles
Qui sont libres
Qui sont belles.
Voilà!!
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