Exercício sobre o futuro
Nuno Gomes Garcia, que há uns anos foi finalista do Prémio LeYa com um romance que acompanhava as aventuras de Pêro da Covilhã até às terras do Preste João (O Dia em que o Sol Se Apagou), vira-se desta feita para um tempo em que a sociedade está desumanizada desde que uma certa Marine terá alcançado o poder, transformando a França numa nação totalitária, mecânica, fria e demasiado padronizada. São as mulheres agora «donas» dos homens, reduzidos à condição de escravos – machos domesticados que, vivendo no medo e na ignorância, lavam, cozinham, obedecem, calam, saem à rua cobertos da cabeça aos pés pelos seus cache-tout (metáfora muito conseguida das burkas). Neste cenário, a cidadã Francine Bonne é aconselhada pelas autoridades a escolher um segundo marido, depois de Pierre ter sido considerado um peso morto; mas desconhece que, ao trazer para casa um macho que foge ao cânone e cuja origem está envolta em mistério, a sua vida e a de Pierre sofrerão uma absoluta transformação, a ponto de o regime se sentir abalado com a possibilidade de um suposto retrocesso civilizacional… Amores proibidos, subversão, crime, reeducação coerciva – tudo se combina magnificamente neste romance a um tempo sensual e cerebral: uma distopia à maneira de 1984, de George Orwell, que reflecte de forma lúcida e desafiante sobre as problemáticas que caracterizam a sociedade actual. Acaba de sair.
Bom... a coisa promete... se o autor tiver capacidade para desenvolver e levar a bom fim o tema! Mas acredito que sim.
ResponderEliminarA última distopia (aprendi agora esta!) que li, muitíssimo boa por sinal e foi para mim o melhor romance que li nesse ano, foi "O Último Europeu" , de Miguel Real.
Saudações utópicas cá da Cidade Morena!
Mas desumanizada está ela, e não foi a Marine que a desumanizou (conversa da treta).
ResponderEliminarCurioso...eu nunca me julguei dono da minha mulher (e na casa dos meus pais também não)....
Mas, nos tempos actuais, as mulheres (algumas/muitíssimas com uma ajudinha do Prof. Júlio Moral e outros que tais, chame-se ela Marine, Mortágua, Cristas ou lá o que fôr) parecem querer tornar-se elas donas disto tudo.
Quer se queira quer não é a eterna sutuação do explorado/explorador (isso mesmo).
Eu e a minha mulher sempre estivemos de acordo em caminhar lado a lado!
De qualquer modo vou estar atento a este homem domesticado.
Distopia é um género literário que gosto, não sei se será assim mesmo o livro, mas este post despertou-me suficiente interesse para o anotar para próximas aquisições de livros
ResponderEliminarDe facto, é curioso @ASeve, eu diria até que é uma curiosidade, pois como deve saber a experiência pessoal não deve ter pretensões à universalidade. Ainda bem que vive uma experiência particular satisfatória, mas infelizmente o seu caso não é a regra. Basta saber que não há no mundo nenhuma sociedade onde a igualdade de género seja respeitada, e nem vou entrar na questão da violência, dos uxoricídios, etc. E isto não é conversa da treta!
ResponderEliminarAs mulheres não querem tornar-se “donas disto tudo” querem justiça e igualdade, nem mais nem menos, e o trabalho de emancipação passa também pela auto consciencialização do seu estatuto de igual.
O caminho é longo... obrigada ao autor pelo seu precioso e inteligente contributo.
Gostei imenso de "O dia em que o sol se apagou". Recomendei-o no facebook e estive presente numa apresentação do livro em Ovar, onde conheci o Nuno Gomes Garcia. Fiquei freguês da sua escrita, como se depreende. Este "O homem domesticado" não me irá escapar.
ResponderEliminarAcrescento que o Nuno vive há uns anos em Paris, pelo que conhecerá bem a realidade actual francesa.
Rui Miguel Almeida
Grandes romances distópicos já li eu! "Admirável Mundo Novo", "Fahrenheit 451", "1984", "Animal Farm", "Laranja Mecânica", "Arranha-céus", etc., etc., etc. Portugueses, também grandes, só estou a lembrar-me de dois: "O Último Europeu" e "A Decadência dos Olfactos". E agora, certamente, também "O Homem Domesticado" entrará no rol. Obrigada pela recomendação.
ResponderEliminarO "Kallocaína " e "Nós" também são muito bons.
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