Digitalmente vigiados
Tenho um sobrinho que se vai casar este Verão nos Açores – e porque, apesar de ter viajado bastante, nunca me calhou ir ao arquipélago, achei que devia aproveitar a ocasião para passar uns dias por lá e visitar, já agora, umas quantas ilhas. Tanto o Manel como eu estivemos a fazer pesquisas de voos e hotéis e a comparar preços, para a coisa não nos sair demasiado cara, ao longo de duas ou três noites. Resultado: durante um mês, se não mais, o meu mural do Facebook encheu-se de propostas açorianas (mesmo depois de eu já ter tudo marcado) a toda a hora. Irritei-me. Porque é que o raio do Facebook tem de saber das minhas consultas? Quando vou à Internet investigar qualquer coisa sobre um livro ou um país, da vez seguinte que entro na rede tenho logo de gramar com sugestões que se está mesmo a ver só aparecem por causa da dita busca. O algoritmo é tramado, assim fica difícil respirar… Gosto de procurar, mas não aprecio que encontrem as coisas por mim, nem que me venham fazer sugestões sem eu as pedir. Vivemos digitalmente«vigiados» e nem há maneira de iludirmos essa vigilância porque precisamos dos computadores para trabalhar e isso marca-nos logo como consumidores de um determinado tipo, a quem dizem que se comprámos tal livro também iríamos certamente gostar de ler um outro que, frequentemente, não tem nada a ver. Sou só eu que não gosto disto?
E conhece-se a hora em que estivemos num determinado local quando aí utilizamos o telemóvel, o momento em que entramos numa autoestrada e o momento em que dela saímos se tivermos um identificador, onde, quando e o que compramos quando pagamos com um cartão. Ah como é boa a liberdade.
ResponderEliminarÉ o preço da modernidade... não reclamem, porque temos de perceber que se por um lado vivemos num sistema "livre", esse mesmo sistema nos vigia (ele é as finanças, ele é o registo criminal...) que nem a PIDE! E o sistema é alargado aos bancos e aos nossos passos na internet que nos vigiam despudorada e friamente, tirando partido do uso que deles fazemos.
ResponderEliminarQual a solução? Ir para uma ilha deserta? Ir para uma montanha, um mosteiro Capuchinho ou Tibetano? Ser um renunciante? Não... a solução é perceber que não há almoços grátis e que a liberdade se paga com a própria liberdade, desde o momento em que duas pessoas se unem quanto mais fará quando vivem em sociedade...
Idem para a modernidade que sendo uma outra opção, por comodidade, porque temos a vida facilitada, nos obriga igualmente a ceder.
1984 (Big brother is watching you!) Admirável Mundo Novo! Orwell e Huxley estavam certos!
O Último europeu! Malevil! Aguardemos... vamos ver se Miguel Real e Robert Merle não estarão também certos, pois já se notam os primeiros indícios de que sim...
Isto para falarmos de livros, Extraordinários!
Quanto aos Açores, vão e apreciem... as ilhas são todas diferentes mas a calma que se respira e vive, esses são os mesmos, mesmo entre os "coriscos"...
Saudações desde a Cidade Morena, onde a modernidade anda um bocado arredia... ele é a luz que falta, a internet que cai, a água que falha, o gasóleo que esgota... mas curiosamente a boa disposição permanece, pelo menos enquanto houver cerveja, se esta acabar, não sei...
PIDE???
EliminarUma comparação infeliz, no mínimo.
Ou será da cerveja?
Elimine o seu "histórico" regularmente. Tudo o que pesquisou ou visitou será apagado.
ResponderEliminarAinda ontem disse exactamente o mesmo. É uma perseguição sem limites. Se pesquiso livros, lá estão os livros, se pesquiso sapatos lá estão os sapatos, se pesquiso viagens lá estão as viagens....
ResponderEliminarSei que posso usar a navegação anónima e assim estar tranquila, mas isso não é sonegar-me a liberdade?
Abraços a todos e em especial à autora extraordinária de quem sou fã:)
Cláudia
Que banalidade. Se pesquisar namorados, lá estão os namorados. se não pesquisar nada, será livre. E a liberdade é o vazio do ser.
EliminarE qual a necessidade de ser desagradável comigo? É que não entendi.
EliminarÉ, de facto, um horror!!!
ResponderEliminarSempre encontramos um eufemismo para dizer as coisas desagradáveis e «algorritmo» até é uma palavra engraçada; na verdade, chama-se caça ao dinheiro (ao nosso).
ResponderEliminarPois, há algo no ritmo do computador que vai atrás do dinheiro, não é?
EliminarAinda ninguém falou nisso, mas os cartões que se utilizam nos supermercados também servem para "vigiar" o consumidor.
ResponderEliminarEnfim, só nos falta implantar um chip subcutâneos como fizeram recentemente numa empresa belga.
tenho a certeza de que a viagem vai ser gratuita.
ResponderEliminarEstranho. Não sabe, mas tem a certeza.
EliminarEstas coisas são previsíveis.
EliminarA modernidade tem preço. Dentro do sistema há sempre sistemas maiores que nos vigiam ou restringem. Faz precisamente dois anos indignava-me com o resultado de um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que dizia um hospital estar dominado por interesses da Maçonaria, do Opus Dei, dos partidos políticos. Bem como faz precisamente menos um que perorava sobre o engano de quem julga que a vida são palavras, ou mera combinação de interesses. A vida é partilha, pele, diálogo, entrega, compreensão, troca (de olhares, de afectos); a vida são sentimentos, lealdade, cedência, actos; as palavras, essas, são meros adornos da realidade, bocados de giz que deixam um aparente rasto, mas passível de ser apagado com um sopro, com uma passagem. Se me apoquenta o algoritmo?? Não! Apoquenta-me mais as trincheiras que cada um cava perto de si.
ResponderEliminarÓ Pedro... olhe que ainda lhe dizem que isso é da cerveja... eheheh!
EliminarMas é assim mesmo, o preço da modernidade e do conforto on line.
Grande abraço cá da Cidade Morena!
Não é, não. Não tenho FB, faço poucas compras pela net e, ainda assim, não deixam de me fazer propostas.
ResponderEliminarE é como diz, ou por necessidades de trabalho ou por outras de lazer que entretanto criámos, fizemos do computador ferramenta imprescindível. Não há volta a dar. Faz-nos falta.
Não, não é. Há dias mudei as minhas definições precisamente para não receber sugestões desse tipo. Claro que continua a haver publicidade, mas pelo menos não sinto uma invasão de privacidade.
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