De barriga cheia
Tenho vindo a reparar que, de há uns tempos para cá, as listas dos livros mais vendidos em Portugal têm sempre, nos primeiros lugares, livros de culinária (agora a vedeta é Marco Costa e o seu Receitas com Segredo – e temo dizer que não faço a mais pequena ideia de quem é Marco Costa, mas suponho que alguém vindo da TV, porque vende mesmo muitos livros!). Eu bem sei que nem sou o que se pode chamar um bom garfo, nem uma boa cozinheira (aliás, só cozinho mesmo quando tem de ser porque cozinhar me dá stress e, ainda por cima, o resultado é normalmente uma coisa sem piada); mesmo assim, acho que há claramente um exagero no número de livros e programas de TV dedicados à gastronomia em geral e à cozinha em particular nos dias de hoje: livros de receitas de famosos (Sá Pessoa, Avillez, Rui Paula, etc.), o que até seria mais ou menos esperado, mas também muitos outros de tias, primas, amigas e tipos giros de avental que gostam de cozinhar e põem toda a gente a dar-lhes atenção, já para não falar das receitas adequadas a quem quer emagrecer, ou é vegetariano, ou é alérgico à lactose, ao glúten e a outras coisas. Até o Manel foi fazer um dia destes um curso de cozinha para principiantes e já comprou mais uns livritos (embora ainda não tenha feito nada a partir deles, já me brindou com um excelente Bacalhau à Brás... ou Braz?). Alguém me explica este súbito interesse pela comida e os livros de receitas por parte de tanta gente?
Não tenho explicação.
ResponderEliminarMas nunca se viu tanta gente obesa como agora.
Ó anónimo, essa do obeso é para rir, não é?
EliminarFalando em obeso, aqui em Angola, o termo "gordo" não é muito usado, diz-se: grosso ou grande, e, "estás mais forte" ... eheheh!
EliminarA comida, de há uns anos para cá, tornou-se num imenso espectáculo. Existem canais de televisão que rodam 24 horas só com programas de culinária e para todos os gostos: existem concursos para novos, concursos para velhos; existe a culinária na cozinha lá de casa; existe a culinária na selva, no deserto, em pleno oceano; existe a culinária para bebés, para pessoas a partir dos noventa anos, para muito gordos, para muito magros, para os que só comem ervas, para os que só comem doces, para os que só comem aves, para os que só comem peixe. Existem programas de rádio e tv e revistas e livros e redes sociais e brinquedos e Konpensam e tudo, tudo o que se relacione com comida desde o simples bombom a chupa-chupas de escorpiões fritos ou unhas de macaco estaladiças e doces.
ResponderEliminarTudo o que se relacione com alimentação, curiosidades gastronómicas e comida, tout court, existe actualmente. Tudo é espectáculo. E quem diz comida, diz tudo, mas tudo nesta vida. Espectáculo para quem aprecie e queira ver.
Falta o canibalismo. Mas lá havemos de chegar. O pessoal é insaciável.
Cristina Carvalho
Nota: também não faço ideia de quem seja o Marco Costa.
Falar de comida está in, logo os Bocuses aparecem por aí como cogumelos...
ResponderEliminarE depois, como está in, lá vão eles (a gente do faz de conta) em catadupa aos tastes onde o staff lhes apresenta um prato (bem grande) com duas caganitas de borrego e uma folha de salsa por cima, o imbecil olha para o prato, não como eu olho (de olho esbugalhado) para um prato com um bom cozido à portuguesa, mas com olhos de entendido e logo bota discurso adversativo, saindo, depois de ter pago uma nota grande, todo ufano a pavonear-se com o acontecimento.
Não há actualmente aldeia portuguesa, com gente dinâmica e empreendedora, obviamente, que não tenha, para além da mostra de mulas, burros e corridas de sacos, que não tenha, dizia eu, um concurso de gastronomia (antes da pirotecnia).
O Marco Costa é o marido de uma famosa blogger portuguesa, conhecida essencialmente pela sua dedicação (a meu ver, doentia) ao mundo fitness, que hoje em dia parece ser o único e maior objetivo de grande parte da camada jovem (compreendida entre a adolescência e idade adulta jovem).
ResponderEliminarNão me cabe a mim fazer julgamentos, mas não me parece a pessoa mais relevante do mundo, muito menos para ser mencionado num blog tão interessante como este.
Sendo eu jovem, e estando ciente do mundo que me rodeia (feliz ou infelizmente), compreendo o porquê de tanto sucesso.
É mesmo uma pena...
Vivemos numa época que sobrevaloriza a experiência, que cultiva o efémero. Se compararmos o trabalho que se tem a confecionar com o tempo que demora a devorar, percebemos que há poucas coisas mais efémeras do que comida. A multiplicação de concertos e de festivais de todos os géneros são outros exemplos desta tendência. Já não basta possuir a música ou o livro, tornou-se necessário aceder à experiência do concerto, assistir à intervenção do escritor numa esplanada... o autógrafo, a "selfie" e a foto do prato no Instagram são as materializações possíveis das experiências vividas. E obrigatórias.
ResponderEliminarA culinária, enquanto tema para livros, tem ainda a vantagem, para quem os escreve e vende, de ser um tema muito universal: toda a gente come.
Quando se gosta de cozinhar - e gosta-se só por gostar, fora de qualquer moda - ou se gosta das pessoas para quem se cozinha, pode crer que a confecção é um prazer demorado. E que nenhum cozinheiro abrevia. Ele sabe que o tempo é um apriori, condição fundamental. É claro que nem todos os dias nos podemos dar ao prazer de um arroz doce uma hora ao fogo a criar textura e sabor, a ser mexido com cuidado e sempre em lume bem brando. Que, por muito que as bimbis façam arroz doce - já provei -, é outra coisa. E pode aplicar isto indefinidamente. A tudo que existe.
EliminarCome-se num instante?! Pois. Mas a segunda parte do prazer do cozinheiro vem da satisfação de quem mastiga e repete. Quem não cozinha assim, quem só come o que outros fazem, desconhece grande parte do prazer da boa mesa. Ainda que pense que sabe tudo e provou os melhores manjares.
E não. Não é preciso ter dom culinário, um dedo especial para o tempêro, mão para doces ou assados. O amor vai fazendo a mão. Com tempo. E repetição.
Discordo absolutamente... a comida efémera? Nunca, jamais em tempo algum!
EliminarDefinição de ser vivo: nasce, cresce, ALIMENTA-SE, multiplica-se e morre!
A comida é algo inerente ao nosso bem-estar, à nossa sobrevivência e à manutenção da espécie, logo faz parte integrante da nossa condição de estarmos vivos.
A comida é algo que nos dá prazer, daí a sua importância como se vê, que não é apenas "por moda", é coisa tão antiga quanto o próprio homem quando começou a cozinhar os alimentos para os tornar digeríveis e mais tenros ou saborosos.
Sou suspeito, por ser um homem da área da alimentação, mas repito que não pode ser classificado de efémero algo que faz parte da nossa existência e da nossa condição.
Saudações alimentícias cá da Cidade Morena!
Bolas... caí no anonimato involuntário, mas sou mesmo eu como podem ter entendido pela minha saudação!
EliminarÓ Pacheco, mas terás de compreender que há os que comem para viver e os que vivem para comer.
EliminarAs refeições tornam-nos cúmplices, muitas vezes depois delas surgem as melhores teorias filosóficas ou económicas. Ou simplesmente o tempo para ouvir que é tão parecido com o saborear.
EliminarA cozinha é a parte alquímica da casa, é onde se dessalga as lágrimas ou se descaroça o medo, num contínuo fluxo de vida.
Na cozinha, até a mais básica, estão contidos todos os elementos primordiais ( a água, o fogo, a terra e o ar).
Dizem que exige repetição, um demorar de gestos que de tão repetidos se confundem com afectos.
Cozinhar é como escrever ( sem ter de lavar os tachos).
Juntam-se palavras ( algumas até se descascam), descobrimos-lhe os sabores, sal, canela, açúcar ou talvez ácidos, neutros, frescos.
Há sabores de noite e sabores de dia. O paladar pede temperos numa intuição própria.
Há quem escreva um livro, há quem inscreva um sabor para toda a vida.
Não sei quem é o Marco, mas a arte de fazer doçura é muito mais do que parece...
Aplaudo!
EliminarCom rabo, orelha e volta!!!! Olé, Guadalupe!
Também não entendo. Mas devem ser as modas de época. Agora, pendemos para a culinária. E pronto, é assim. Até que surja nova onda. Mas estou farta de tanto chef, tanta receita fácil que depois não é tão fácil assim, tanto programa a apurar bons cozinheiros, tanto restaurante do Avillez a abrir.
ResponderEliminarAinda por cima, eu que não sou de modas, uso os meus velhinhos livros de cozinha. E mais as receitas da net, claro.
A minha opinião é suspeita, mesmo assim vou dá-la. Aconteceu-me ter reparado nos programas televisivos desse tipo quando a crise nos caiu em cima. Pensei "isto é perverso". Afinal era uma moda importada que por coincidência tinha chegado no mesmo tempo da, também importada, crise financeira. Eu é que nunca consegui apagar a crueldade da situação e por isso nunca mais vi um programa desses e jamais abri um livro sequer.
ResponderEliminar.
Sempre me interessei por "comida", tanto no sentido de "encher o bandulho" quanto da origem e confecção dos produtos (aliás minha mãe dizia que comida é o prato preferido do meu filho!), depois por culinária e por alimentação em geral, até por ter tido a dita de desenvolver uma carreira na distribuição alimentar com as necessárias ligações à indústria alimentar.
EliminarFora isso adoro comer e cozinhar! Desde sempre, sou até conhecido por ser um bom cozinheiro - e tenho vaidade nisso!
No entanto há actualmente e nos últimos anos um certo "modismo" na culinária, que é óbviamente incentivado e explorado pela indústria alimentar e em toda a fileira, onde se incluem os programas televisivos e a edição de livros a respeito.
Não é no entanto apenas uma moda, apsera de poder parecer que sim, e sim o aproveitamento de algo tão importante quanto bom: a alimentação!
Muito pouca gente não gosta de comer, que eu saiba só os ascetas, e me perdoe a Nossa Extraordinária Anfitriã, mas ser um bom garfo é comer bem (bastante) e não significa que não seja na mesma uma gourmet ou uma epicurista, comendo pouco e não tendo tendência para cozinhar... por certo que gosta de coisas boas, no sentido palatal!
Já que estamos num site de livros, não conhecem "O suave milagre"? Já aí existe a gula e se trata de comida... não sei qual a obra de culinária mais antiga que exista, alguém conhece? O Gargântua?
E a cena n'O Avarento, em que o criado sugere ao amo o famoso lema: Como para viver, não vivo para comer?
Saudações gustativas cá da Cidade Morena!
Tem razão amalivros, também pensei várias vezes na crueldade de tanto programa de culinária, quase sempre com produtos ditos gourmet, biológicos, etc. e tanta gente a só poder latas de salsichas e produtos afins.
EliminarDeviam pensar que também se come com os olhos...
:-) Antonieta
...a só poder comprar...
EliminarAntonieta
"De re coquinaria" é o primeiro registo de culinária conhecido. Trata-se de um livro de receitas romanas, elaboradas por Apício (25 a.C - 37 d. C). Em Portugal o primeiro livro de culinária é o manuscrito conhecido como "Livro de Cozinha da Infanta D. Maria", tendo data crítica entre os finais do século XV e o século XVI e pertenceu à Infanta D. Maria de Portugal, neta do rei D. Manuel I. Sobre este e outros livros de referência ao longo da história da alimentação pode encontrar informações no meu livro "Cinco Séculos à Mesa", editado pela Maria do Rosário Pedreira, em 2016, com a chancela da D. Quixote.
Eliminarhttp://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/cinco-seculos-a-mesa-377565
http://horasextraordinarias.blogs.sapo.pt/a-mesa-em-coimbra-379435
Um abraço e boas leituras (bem temperadas)
Guida Cândido
Fantástico! Muito obrigado pela sua informação!
EliminarSabia que há um romance culinário, creio que da autoria de Rui Pedro Duarte... foi editado há já uns bons anos!
Aqui está um assunto que dá pano para o guarda roupa inteiro da avó da Ana Karenina.
ResponderEliminarGostaria muito de dissertar sobre a relação do Prokofiev com os Profiteroles, mas há uma música que não me sai da cabeça desde que li o post. É " O mestre da culinária ".
Vou mas é aproveitar, que o Sto António está à porta e começar a treinar o bailarico.
Na minha terra, e de forma mais adequada a esta nossa comentarização, diz-se que "temos chão para batatas!" , em vez de "temos pano para mangas", se bem que a moda/vestuário também seja coisa na berra... e tirando talvez durante o cinzentismo do Estado Novo, quando é que não foi?
EliminarAs modas... estão na moda, diria o Sr. de La Palisse!
Saudações lapalissianas cá da Cidade Morena.
Que expressão tão curiosa, não me vou esquecer:)!
EliminarNão há como fugir, pois se até o tema da Granta deste semestre é COMER E BEBER.
ResponderEliminarDa meia-dúzia de textos que já li destaco o do Luís Afonso (que só conhecia do Bartoon e da Mosca) - chama-se "Chez Hippolyte" e é uma pequena pérola como sátira aos Chefs.
:-) Antonieta
Também li o conto, é delicioso. Do Luís Afonso já tinha lido "o quadro da mulher sentada a olhar para o ar com cara de parva", que é um livro de contos surpreendente. E já me disseram que tem um outro livro de ficção, mas não sei o título. Eu pensava que os cartunistas eram mais para os desenhos, mas este é mesmo fora da caixa.
Eliminarabraço,
João M Rio
Fui ver na Granta e está lá uma pequena bio dos autores. O outro livro de ficção do Luís Afonso é "o comboio das cinco" (2012) e vou ver se o encontro, agora fiquei com curiosidade.
EliminarJM Rio
No idea... Mas deve ser dos reality shows todos de culinária.
ResponderEliminarBom dia, as redes sociais e os blogues tornaram mais fácil e rápida a partilha de informação. Assisto a um maior interesse ao que somos, à forma como vivemos e ao que comemos. Isto é de louvar. Quando surge uma marca alimentar questionamos a origem, lemos os ingredientes e procuramos, procuramos. Deixámos de ser meros consumidores para sermos consumidores informados. O saber já não está limitado aos cientistas e aos médicos. Rapidamente temos acesso a bibliografia que nos permite questionar o que ingerimos (apesar de tanta contra-informação). Também somos o que comemos e acho deveras importante este interesse na alimentação. O caminho é ganhar mais consciência de quem somos e do que é como queremos viver. Cumprimentos, Andresa.
ResponderEliminarMinha Cara Andresa, sem querer desiludi-la, vou-lhe revelar um segredo:
Eliminar- O "consumidor informado", é um mito criado pela distribuição e a indústria alimentar. Na verdade significa: "aquele-que-lê-os-rótulos-e-segue-o-que-quisermos-divulgar" . Ou seja, é um sonho... porque assim fica sensível e manipulável através da informação divulgada que o torna a vítima ideal... é fácil fazer esse consumidor mudar de hábitos consoante os interesses, ao contrário do consumidor-não-informado que por definição é conservador e avesso a mudanças de hábitos alimentares, sejam eles quais forem.
Vá por mim que sei do que falo... repare que tanto se diz que comer salmão é saudável porque tem Ómega 3 , como não se diz que isso se aplica ao salmão selvagem (caríssimo!) e não ao de viveiro alimentado a farinhas.
No entanto e na verdade também é a forma de pôr a comer salmão (proteína animal) que de outro modo não teria acesso a ele!
A manteiga fazia mal, agora já se descobriu que não...
O lóbi da soja (poderosíssimo) tem divulgado que beber leite de vaca é prejudicial - o que é uma falsidade enorme! Porque a soja iria supostamente acabar com a fome no Mundo, porém e se for ver, os produtos derivados de soja, como o leite, são sempre mais caros... a soja é uma mentira! Afinal um campo de soja produz no máximo 4,5 T por hectare, enquanto o milho chega às 18 e o trigo anda nas 12... logo daí se percebe que a rentabilidade do cultivo da soja seja questionável e o seu preço...
Isto é tudo negócio, e a informação é fruto dos lóbis, dos interesses, de filosofias, etc.
Saber e perceber isso é que é ser informado...
Saudações informativas cá da Cidade Morena!
Sem particularizar, continuarei a defender o acesso e a pesquisa de informação. E esse acesso e pesquisa dão-nos, também, conhecimento sobre os lóbis. Como disse a contra-informação é enorme e temos que estar atentos. O consumidor informado não se limita a ler rótulos. Sobre os produtos de origem animal, vemos hoje uma exploração continuada e brutal da vida de seres que deviam viver e morrer de forma mais digna. Nesse sentido somos seres desprezíveis.
EliminarJá tinha adivinhado a sua tendência vegan... que é ainda fruto da desinformação e da certeza de quem sabe tudo.
EliminarNão somos na nossa maior parte, e considero-me como profissional uma pessoa devida e capazmente informada, competentes para destrinçar aquilo que é lobismo e filosofia (vegan p.e.) eivados de falsidades, meias-verdade e intenção para conduzir aos propósitos, do que é a realidade.
Uma coisa é não comer carne por se achar que os animais são explorados - isso é filosofia. Outra coisa é afirmar que sendo nós por definição omnívoros, com dentição e aparelho digestivo específico (incluindo as enzimas que digerem as proteínas animais e não as vegetais) devemos ser vegetarianos, isso é ignorância, me desculpe, ainda que afirmada como "esclarecimento".
O que se aconselha e já que estamos num blog de leitura e não de discussão política, é que leia! Leia muito, sobre estas questões da alimentação e vai ficar espantada com a descoberta de que esta discussão é mais do que centenária, como periódicamente se descobre que o azeite faz mal como depois se descobre que afinal é bom colesterol... em que ficamos? Olhe eu cá, como de tudo e muito, como aconselhava o médico de Amareleja! E nada como umas torradinhas com alho e azeite (torricado) que agradam até a um vegan certamente, mas que melhoram substancialmente com uma posta de bacalhau assado na braza segundo a minha perspectiva de omnívoro consciente e presunçosamente esclarecido.
Saudações omnívoras cá da Cidade Morena!
Bem este é um dos motivos que me leva a nunca fazer comentários. E a excepção à regra veio a confirmar-se desgastante e cansativa. Não sou vegan, tenho coração e sinto. Aconselho-o a ler menos e a sentir mais. E a visitar matadouros e aviários. Passe lá um tempo e comova-se com a sua presunção e soberba.
EliminarVê no que dá a desinformação e a soberba , sim, de quem julga saber muito?
EliminarAcredita que eu produtor pecuário, antigo responsável de compras perecíveis de uma cadeia de supermercados (só durante 10 anos), e consultor para a área agroalimentar, nunca visitei matadouros?
Leia mais, é o meu conselho, até porque este é um site de leitura... leia mais aquilo que aqui se escreve e leia menos de forma orientada e tendenciosa, ou seja não acredite que a informação que a sensibiliza ou lhe agrada por ir de encontro às suas ideias é a informação única e verdadeira! Isso é o que fazem os fanáticos e a forma como se fazem os fanáticos... vá por mim que já sou velho e sei.
Sabe que entre outras coisas faço projectos para matadouros... veja lá a ironia, quando me manda visitá-los. Mas visito-os e concebo-os profissionalmente, vou lá com o cérebro, de forma racional.
Saudações omnívoras!
Repare Andresa , que nunca fez um comentário sobre leitura - o tema deste blog! Mas correu a comentar assim que teve oportunidade de incluir a questão do bem-estar animal, que nada tem a ver nem com o tema aqui exposto nem com nada deste blog.
EliminarChama-se a isso "fanatismo", sim.
Haja paciência para tanto snobismo intelectual. O Marco é um concorrente assíduo de reality shows da TVI, e é pasteleiro, mesmo!, espante-se, e bem antes de ser marido de uma ilustre parasita social. Eu estaria preocupado se trabalhasse no meio editorial e ostentasse com orgulho desconhecer estes fenómenos, mas isso tb ajuda a explicar porque fecham tantas editoras e mesmo porque as grandes vão tremidas... Pode até não gostar-se, aceito, mas contribui mais para a saúde financeira de uma editora este Marco do que muito Nobel.
ResponderEliminarE digo mais em defesa dos livros de gastronomia. Tem a literatura uma importância cultural mais forte na nossa cultura do que a gastronomia? E mesmo que tivesse, uma coisa anula a outra? E ainda outra, se analisarmos tudo o que por aí se edita, o tema e qualidade dos livros de gastronomia são dos piores? Esta respondo eu, atrevendo-me, estarão até no top 3 do que de melhor se edita neste país...
Julgo que se pode dizer que a comida está na moda. Explicar como se deu tamanha ascensão é que é mais difícil. Creio que começou algures na Internet e a televisão deu um grande empurrão. Redes sociais e facilidade em tirar fotografias de qualidade, também devem dar uns centavos para a discussão.
ResponderEliminarPega-se num grupo de pessoas com habilidade para a cozinha, dá-se-lhes uma cabeça de porco ou umas enguias, concede-se um tempo muito limitado para o cozinharem, junta-se uma pitada de chefs de cozinha e um dos apresentadores mais mediáticos. Puf, temos receita de TV para espectáculo. Noutro programa vende-se cultura popular portuguesa, a música e a comida são as estrelas, desde o chouriço ao pão, passando pelo bacalhau e o arroz doce. Noutro canal, sugerem-se férias, comida não falta, associada à boa vida. Nem a Fátima Lopes escapou, com uma pessoa, um cabaz de alimentos para cozinhar e 20 minutos contados ao milímetro, lá vão mostrando os dotes para a cozinha de tantas celebridades.
O Marco Costa é mais um produto da TV, formado em plena Casa dos Segredos.
Houve alguém que comentou "Não tenho explicação. Mas nunca se viu tanta gente obesa como agora." Até pode ser uma das causas deste fenómeno, o facto de haver tantas pessoas com excesso de peso e doenças e tanta informação na Internet e na Tv sobre como comer melhor.
De facto, alguns dos maiores grupos do Facebook sobre alimentação e comida são também os que mais têm abundância de membros com excesso de peso e doenças diversas. Pessoas que procuram mudar a sua alimentação para ter uma vida melhor.