Brincar com o fado

Há quem goste de fado e quem não goste – nesta arte, o mais difícil é mesmo o meio termo. Ouvi uma vez o fadista Camané dizer numa entrevista que, em criança e no início da adolescência, até tinha vergonha de dizer aos amigos e colegas que gostava de ouvir fado, não fossem considerá-lo uma carta fora do baralho... Efectivamente, não é lá muito fácil encontrar miúdos que ouçam regularmente a canção típica de Lisboa, mas ela não é um bicho de sete cabeças e, além de fazer parte do Património Imaterial da Humanidade, há que dizer que a sua história se mistura com a da própria cidade e dos seus bairros, bairros tantas vezes referidos nas suas letras: Mouraria, Alfama, Madragoa, Bairro Alto... E por isso é muito bem-vindo um instrumento que acaba de chegar para desmistificar essa imagem escura e pesada que o fado ainda possa ter para os mais novos: um livro intitulado Brincar aos Fados, que será apresentado amanhã, em pleno Dia da Criança, no Museu do Fado, pelas 17h00. Temos razões para ficar expectantes: a obra é assinada por variadíssimos escritores – David Machado, Nuno Camarneiro, José Fialho Gouveia, Filipa Martins, Maria Inês Almeida (quase todos com obra publicada para a infância) – mas também por alguns especialistas em fado, nomeadamente o letrista Tiago Torres da Silva e o fadista Rodrigo da Costa Félix. Não poderei lá estar - amanhã explico porquê – e por isso não ouvirei também os fadistas que irão abrilhantar a sessão, mas vou de certezinha comprar para os meus sobrinhos mais novos, para eles saberem o que é isso do fado.

Comentários

  1. Muito bem! Uma boa ideia, essa da explicação e apresentação do fado às crianças!

    Cristina Carvalho

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  2. Emílio Gouveia Miranda31 de maio de 2017 às 03:34

    Ensinar o fado é ensinar que o destino se faz música e que a música também faz o destino...

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  3. Cláudia da Silva Tomazi31 de maio de 2017 às 04:45

    Belíssimo registo! A identidade portuguesa (lúcida) de saudades.

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  4. Já que estamos numa de Brincar Com o Fado, cá vai uma brincadeira ao jeito do A.L.Pacheco, com os meus cumprimentos:
    -- O fado é que induca, este livro é que instrói.
    Eh eh eh...

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  5. E os sobrinhos vão agradecer!
    Isabel

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  6. Dentro desta temática existe " A minha primeira Amália Rodrigues "! Por isso, acho que os sobrinhos já sabem alguma coisa do que é isso do fado!
    beijinhos,
    Isabel

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  7. António Luiz Pacheco31 de maio de 2017 às 13:21

    Perdoem o adiantado da hora, mas cheguei agorinha mesmo do Cubal e vir espreitar o blog é um vício!!!!

    Muito bem, apoiadíssimo! Sou um tradicionalista, presumo que esclarecido, e o fado é indissociável da nossa cultura! Há que o manter e divulgar, até porque é belíssimo... quem não se arrepia a ouvir "Foi Deus" ou "O cavalo russo" ... e mesmo o "Fado falado"? E já agora a "Samaritana"... se bem que seja fado de Coimbra.

    Saudações cá da Cidade Morena, de quem muito andou na fadistice nos seus (outros) bons tempos!


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