A morte do artista

Somos muito parcos em revistas literárias (falo dos portugueses), mas há por aí uma revista novinha em folha que é mesmo A Morte do Artista (sim, este foi o título escolhido pela sua equipa). Foi lançada, segundo sei, na Biblioteca Camões, em Lisboa, naquele mesmo dia 13 em que houve inúmeros ataques informáticos e o Papa canonizou os pastorinhos, pelos seus «donos», quatro amigos que se juntaram para dar corpo a um sonho: Manuel Halpern, João Eduardo Ferreira, Fernanda Cunha e Firmino Bernardo – para lá do artista plástico, fotógrafo e videasta Paulo Romão Brás, responsável pelo grafismo da revista. Tal como a saudosa Ficções e como a mais recente Granta, esta nova publicação pretende ser um repositório de originais – e terá poesia, ficção, ensaio e ilustrações. Desta feita o autor em destaque é Mário de Carvalho, que tem neste número inaugural justamente uma ficção da sua autoria nunca antes publicada e um ensaio de Natália Constâncio sobre a sua obra (este não sei se inédito). Mas, tanto quanto julgo ter percebido, também aqueles autores desconhecidos que têm textos dispersos que não conseguem publicar, terão nesta revista uma possibilidade de os partilhar com o público. Parabéns aos artistas (e que vivam muito tempo).


 


mortedoartista.jpg


 


 

Comentários

  1. O nascimento de uma revista literária é sempre uma boa notícia.
    Vou tentar encontrá-la.
    :-) Antonieta

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    1. Cara Antonieta,

      a revista está à venda por 3 euros, através de encomenda.
      Eis o link com as informações: https://amortedoartista.wordpress.com/about/

      Grato pelo interesse,
      Firmino Bernardo

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  2. Emílio Gouveia Miranda24 de maio de 2017 às 01:24

    Parabéns.

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  3. A morte do artista e da própria arte, cada vez mais sequestrada. Como dizem e bem os autores: «Há dois motes transversais a toda a revista: um é a ideia da “morte do artista”, interpretada de forma bastante diferente pelos autores, e o outro é “aprender a cair para cima”, que tem a ver com a edição, “com a frustração de quem quer editar e não consegue, um tema também abordado em vários textos da revista”.
    Aliás, o próprio tema “A Morte do Artista”, escolhido tanto para o coletivo como para a revista, “é uma reflexão sobre o mundo editorial e o que se passa hoje: quando o autor tem de se promover a si próprio é a morte do artista, mas quando não se promove também é. Ele está condenado à partida”, diz Manuel Halpern.»
    Esquecem-se, no entanto, os autores, que a auto-publicação é hoje tão fácil e que a arte não se esgota no limitado espaço das editoras. Logo, optaram pela vida!

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  4. Gostei do "aprender a cair para cima". E longa vida à revista.

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  5. Cara Maria do Rosário Pedreira,

    muito obrigado pela divulgação da Morte do Artista.

    Gostaria, apenas, de fazer uma pequena correcção: o colectivo "A Morte do Artista" foi fundado em 2015 por cinco (e não 4) amigos - Carina Bernardo, Fernanda Cunha, Firmino Bernardo, João Eduardo Ferreira e Manuel Halpern - que se juntaram para fazer uma leitura encenada na 1ª edição do Reverso, na S. I. Guilherme Cossoul.

    Em 2016 decidimos criar uma revista e convidámos o Paulo Romão Brás para fazer parte do colectivo e tratar do grafismo.

    Assim, a revista, lançada a 13 de maio de 2017, tem seis "donos": Carina Bernardo (edição), Fernanda Cunha (texto), Firmino Bernardo (texto), João Eduardo Ferreira (texto), Manuel Halpern (texto e relações públicas) e Paulo Romão Brás (grafismo). Para a ilustração, convidámos o André Ruivo. Há textos de autores convidados: Mário de Carvalho (a quem dedicamos este 1º número), Alfredo Cameirão, Carlos Bessa, Natália Constâncio e Pedro Castro Henriques.

    Cumprimentos e, uma vez mais, obrigado pela divulgação.

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    1. Olá, boa tarde.

      Acho muito louvável a criação de projectos desta natureza desprendida. Corajoso até. Livres das peias "comercialistas" do sempre previsível mercado editorial convencional. É, certamente, uma plataforma onde se experimentam e descobrem novos autores, ou assim depreendi pelas palavras da D. Maria do Rosário: "também aqueles autores desconhecidos que têm textos dispersos que não conseguem publicar, terão nesta revista uma possibilidade de os partilhar com o público." - Assim como assim, humildemente, deixa aqui a questão, que considero pertinente; como fazer para vos enviar um texto? Gostaria muito de o fazer. Pode-me esclarecer qualquer coisa acerca de este pequeno aspecto? Agradeço de antemão, e desejo muito sucesso para a revista.

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    2. HOMBRE!
      A humildade não tem nada a ver com isto.
      Nem o reino dos céus é dos humildes.
      Olhos nos olhos, de igual para igual!

      Desejo-te boa sorte

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    3. Caro Miro Teixeira,

      obrigada pelo seu interesse.

      O primeiro volume contém textos de um autor consagrado (Mário de Carvalho) e textos de autores que, apesar de terem mérito e até já terem livros publicados, são (ainda) quase desconhecidos.

      Ainda não foi decidido quando sairá o segundo volume (trata-se, pois, de uma revista de "periodicidade eventual") nem de que forma serão escolhidos os textos. Caso venha a ser decidido que receberemos originais para consideração, tal informação será publicada no nosso blogue.

      Com os melhores cumprimentos,
      Carina Bernardo

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    4. Muito obrigado pelo esclarecimento.

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  6. ANtónio Luiz Pacheco24 de maio de 2017 às 04:24

    É sempre boa uma notícia destas... se bem que me parece que os artistas estejam longe de ser uma espécie em extinção como o nome indica! Nunca houve tanto artista a pontificar, a ser badalado e a badalar, literalmente pois muitos deviam concentrar-se no desenvolvimento da arte em vez de andarem a pontificar sobre política e sociedade, ou armados em socialites e vedetas... mas já se sabe que é mais artista quem dê nas vistas do que quem tenha arte!

    Também tenho dúvidas que esta nova revista vá dar oportunidades de publicação a quem não seja ou do clube, ou não venda papel... mas tirando isso, envio votos de sucesso!

    Saudações vivas cá da Cidade Morena

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  7. Quando comecei a ler, pensei - Oh não, lá vem mais uns intelectuais com a mania da morte.
    Há com cada obsessão!
    Como se não bastasse a dita cuja, ainda mais os sucedâneos, parece que há uma tendência mórbida para agência funerária.
    Mas não!
    Comecei a ler a razão do nome e não é que tem razão?
    Tem graça e lógica.
    Aprender a cair para cima, não é o que acontece às bolhas de champanhe, da água das pedras e da maioria das safadas bebidas gaseificadas???
    Espero que como estas, façam muita comichão no nariz!
    Brindo aos artistas
    ... and may you be in heaven half an hour before the devil knows you're dead."

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  8. Cláudia da Silva Tomazi24 de maio de 2017 às 05:35

    Deste jeito Portugalizados "irão" dizer que Luxo!

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  9. Revistas Literárias em Portugal só conheço praticamente a LER, já que a GRANTA (para mim, note-se, para mim) não é uma revista, será, talvez, um livro de contos (certamente pagos à página) sobre um determinado tema e ainda por cima escandalosa e vergonhosamente caro (para um mercenário livro de contos), por isso A MORTE DO ARTISTA, que ainda não conheço, é bem vinda e desejo-lhe desde já longa vida (seria sinal de qualidade).

    É realmente um espaço que continua por preencher já que, entretanto, a LER continua a ser a única do género (penso eu, não incluo aqui a ESTANTE), mas é uma revista que só ainda existirá porque será a única, já que aquilo são artigos de quilómetros e ainda por cima com um tipo de letra e cor que dá cá um sono...e desanima os mais ferozes leitores, e aqueles títulos cimeiros então estão numa cor CERELAC que nem com binóculos se conseguem ler; vá lá, a última capa (a do ONÉSIMO) safa-se, já que as capas das 3 ou 4 revistas anteriores eram uma desgraça, do pior que já vi.

    Até parece, mas, acreditem, que a minha intenção não é somente "mandar abaixo" é apenas tentar que as coisas melhorem!

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  10. Curiosidade, sim, pela novidade.

    Esperança de que seja uma coisa diferente? Nem por isso.

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