À conversa

Dizem muitos escritores que os computadores foram uma invenção de estalo que lhes facilitou enormemente a vida, pois a mão nem sempre consegue acompanhar a velocidade a que pensam (claro que há quem prefira ainda escrever à mão e só depois passar ao computador, mas é uma minoria). O arquitecto Siza Vieira, porém, afirma que pensa a desenhar e que «há uma ligação entre mão e mente muito estreita». Mesmo depois de receber todos os prémios que podiam orgulhar alguém da sua profissão – o Pritzker, o RIBA, o Mies van der Rohe… – continua a achar que os prémios são menos importantes do que a arquitectura que se deixa – e Siza deixa muita coisa, cá e no estrangeiro, porque, embora tenha querido ser escultor, tornou-se um dos mais famosos arquitectos do mundo. É sobre a sua vida, de resto, que vai falar no próximo dia 7, às 17h00, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém, no âmbito das conversas (Quase) Toda Uma Vida, dedicadas a seniores e moderadas por Anabela Mota Ribeiro, que ali acontecem uma vez por mês. Tenho também curiosidade sobre o que lê, pode ser que fale nisso.


 


P.S. Infelizmente, fiz este post antes de ir de férias e a conversa, pelos vistos, não vai acontecer neste dia. Mas, como verão abaixo, o substituto é de peso...


 


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco5 de maio de 2017 às 01:21

    O que lê Siza Vieira?
    Sim, é interessante saber, porém temo uma desilusão... vai uma aposta em como ele lê muito pouco e a sua leitura é dirigida sobretudo para o lado técnico?
    As pessoas que conheço, como ele, muito focadas e especializadas, sendo embora interessantes de ouvir a falar sobre a sua arte/ciência, no geral chegam a desprezar tudo o mais, ainda que o não confessem e lêem muito pouco fora da sua área... daí aguardar com curiosidade para saber o que lê, mas na quase certeza de que lê pouco...

    Saudações de quem anda a ler muito pouco também, cá na Cidade Morena!

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    1. Emílio Gouveia Miranda5 de maio de 2017 às 01:43

      Partilho desta suspeita. Mas, quem sabe... Talvez o arquitecto nos surpreendam. Entretanto, António, boas leituras...

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    2. Vargas llosa expressava exactamente o mesmo pensamento no seu "A Civilização do Espectáculo".

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    3. Bom dia:)

      Concordo e não concordo com o Pacheco.
      Se por um lado é verdade que muito destes mestres lêem pouco, não porque não gostem ou até quisessem, só porque não tem tempo.
      Esse, corre para eles na mesma medida que para os demais.
      E por vezes a cabeça tem que descansar, aquietar-se até dos símbolos da escrita e dos significados das palavras.
      Quero crer que não seja em muitos casos uma atitude de desprezo ou intenção.
      Desprezo, esse sim já vi por fugazes instantes em escritores para com outros escritores.
      Um tipo de sobranceria muito comum às inflamações do ego.
      Mas tendo em conta a vidinha, com certeza é só mais um efeito colateral da sobrevivência.

      ASeve, só hoje li o seu comentário de dia 3, em relação ao segundo livro da trilogia tem razão, lia-se, mas era um bocado pastilha elástica mas os outros não. Mesmo os que o autor publicou antes e que tem o " carimbo" de contos góticos para jovens.
      Não são mais nada do que boas histórias, muitíssimo bem contadas, para um apreciador de Fantástico . E como se sabe, jovens somos nós, que os outros ainda nem nasceram para a vida.
      Literária, quero eu dizer:).

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    4. António Luiz Pacheco5 de maio de 2017 às 05:51

      Caro Puck, eu quando usei a palavra desprezo não foi no sentido de desdenhar, mas sim de se alhearem! Justamente pela falta de tempo que a sua total dedicação a um tema ou assunto provoca, mas também porque muitas vezes não ligam a mais nada... o que se compreende, pois só desse modo atingem o patamar da excelência!

      Um abraço e bom fim de semana!

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    5. Um abraço também e bom fim de semana.

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  2. É um facto, a escrita ficou muito facilitada com o uso do computador. É natural que os escritores, aqueles tais que a gente imagina quase sempre a escrever, o reconheçam; o computador é um asseio, não há riscos, escrita sobre e sob as linhas, margens invadidas, asteriscos.
    A escrita dos arquitectos da linha de Siza é o desenho, pensam a desenhar, pois claro. Talvez Siza Vieira leia pouco fora do âmbito da arquitectura. Talvez os próprios escritores não leiam tanto quanto quereriam porque têm de escrever e há datas e compromissos a cumprir. Para haver livros tem de existir muita vida fora deles.
    Um dia cruzei com Siza Vieira na casa de Serralves - andaria a magicar qualquer perspectiva de trabalho por ali - e pareceu-me tão só um trabalhador empenhado. E no entanto todos sabemos que não é apenas empenho o que está nas suas obras. Abençoado seja!

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  3. António Luiz Pacheco5 de maio de 2017 às 10:21

    Sobre o alheamento, criativo, sei uma história lapidar de Miguel Torga. Creio que já a contei aqui, mas foi há muito tempo e não receio repeti-la porque a acho "deliciosa" e bem ilustrativa.

    Andava Torga pelos montes, caçando às perdizes com um tio do meu amigo Luiz Paiva, e páginas tantas, numa encosta daquelas amplas de largueza e tudo com o que a Natureza nos contempla, salta um valente perdigão mesmo a jeito e na frente do escritor e poeta, que distraídamente absorto nem sequer encarou a arma ou fez qualquer gesto.
    Perante o olhar de censura dos companheiros, exclamou apenas:
    - "Desculpem! Estava-se-me a desenhar um poema...".
    E quem teria coragem de não o desculpar? Quem consiga imaginar uma perdiz saltada na encosta duriense, desenhando-se no vazio e rebrilhando o rubro das suas penas laterais à luz do Sol outonal... é de facto um poema!

    Saudações de final de semana! Cá da Cidade Morena, claro...

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  4. Depois de escrever aqui contra certos eufemismos, incluindo a mania de chamar "idosos" ou "seniores" aos velhos, não se entende esta das conversas «dedicadas a seniores»... Ou se é coerente, ou se prescinde de certas críticas e tomadas de posição apenas para impressionar (sabe-se lá quem)!

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