Salazarismo
Américo Thomaz, o último Presidente da República do Estado Novo, é frequentemente recordado como uma figura patética: o caricato «corta-fitas» do regime fundado por Salazar com o apoio dos militares que cometia gafes e falava com exasperante lentidão. Bastará, porém, acompanhar a biografia que lhe traça Orlando Raimundo em O Último Salazarista para perceber que essa é uma perspectiva manifestamente redutora e que o seu papel como facilitador das manobras da ditadura ao longo de quase quarenta anos de vida política teve consequências bastante mais nefastas do que as anedotas que sobre ele se contam fariam adivinhar. Entre muitos episódios em que participou e que condicionaram a história portuguesa do século xx, a sua intervenção foi determinante quando traiu o general Botelho Moniz, fazendo abortar o golpe que iria derrubar Salazar, e no momento em que obrigou Marcello Caetano a assumir o compromisso solene de não abrir mão das Colónias. Como nos diz o autor do presente volume, na procissão dos devotos do salazarismo, ele «esteve sempre na linha da frente, a segurar o andor». Deste modo, justifica-se amplamente dar a conhecer essa outra face de um presidente da República que – pasme-se – era adepto da monarquia. Até para evitar que a tragédia possa dar lugar à farsa.
Velhos tempos. Saudades.
ResponderEliminarÉ a primeira vez que venho a este poste deste a última vez que cá estive.
ResponderEliminarBom, esse velho jarreta tinha todo o ar de perfídia contumaz. Não seria o palerma que o povo pensava. Não. Era mesmo um pérfido parvo, uma aventesma; qualquer osga repelente, a seu lado, virava animal carinhoso. Recuso-lhe mais palavras.
ResponderEliminarUm documento importante, sem dúvida, para a compreensão da nossa própria história, recente neste caso.
ResponderEliminarEu sou um leitor destas (e de outras) biografias.
Quanto ao que ele foi, enquanto homem... terá sido diferente da demais corja que nos vem governando? Não me parece, e, bem podemos andar de candeia na mão em busca de algum, que nem com aparelho de visão nocturna o vamos lobrigar!
Saudações cá da Cidade Morena.
«... depois disto, só tenho um adjectivo: gostei...»
ResponderEliminarO nome Orlando Raimundo diz-me algo... quem me elucida sobre o autor desta biografia?
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EliminarORLANDO RAIMUNDO
Escritor e jornalista, Orlando Raimundo é o investigador independente que mais tempo tem dedicado, nos últimos anos, à temática cruzada da Comunicação e da pesquisa dos universos sombrios do Estado Novo. Jornalista profissional durante mais de três décadas, foi um dos repórteres da Revolução, cobrindo para O Século os acontecimentos do 25 de Abril, e integrando depois a equipa redactorial do Diário Popular e a editoria de Política do Expresso. Distinguido sete vezes com prémios nacionais de reportagem, foi colaborador do jornal Sud-Ouest, de Bordéus, quando residiu em Paris, e correspondente em Lisboa do Corriere della Sera, de Milão. É autor de A Última Dama do Estado Novo, obra de referência sobre os anos finais da ditadura, e António Ferro: O Inventor de Salazar, ambos disponíveis nas Publicações Dom Quixote.
Um livro a ler, porque a história tem tendência a repetir-se fardada de branco ou negro...
ResponderEliminarAmérico Thomaz, um grande humanista. Hoje é tudo desumano, demasiado desumano.
ResponderEliminarHumanista???
EliminarUm homem que compactuou com um regime que usava a tortura e a perseguição?
Para além de um grande humanista, um grande caridoso, manhoso até, qualidades que a sua neta (Isabell Jonnett) tem sabido dar continuidade e honrar.
ResponderEliminarSeverino... é moda ser anti-Isabel Jonet, porque sendo "tia" se atreveu e atreve a ser solidária, e faz mais do que participar em debates, trabalha para isso!
EliminarNão podia discordar mais de ti, e nem sabia que ela fosse neta do A.T. ... isso é certamente um motivo para que ela não seja boa pessoa... devia ser internada num campo de reeducação, onde aprendesse que a solidariedade social é apanágio da esquerda, e assim passasse a participar em debates acesos com frases inflamadas, indo depois dali para o Bairro Alto com a consciência tranquila de que fizera algo pelos outros...
Abraço truanesco!
(Ó Puck, adorei esta minha classificação!)
Mas ó Pacheco eu disse que ela não era boa pessoa? Lê lá bem; pelo contrário, até reforcei que estava a honrar e a dar continuidade à caridade que era timbre do avô e da avó Natalina, sobretudo nos Natais e nas Páscoas. Longe, muito longe de mim tal iníquo pensamento. Até porque, quanto a costumes, eu não sou de modas.
EliminarObrigado pela informação sobre o autor!
ResponderEliminarNo entanto, vou ser desagradável, quem sabe se injusto, mas porque estamos a falar de um livro parece-me legítimo o que vou dizer:
- Fui ler sobre ele, autor, e li uma entrevista dada acerca desta biografia que me levou a concluir não me interessar a sua leitura!
Não porque eu seja pro-Américo Thomaz, saudosista, salazarista ou outra coisa, mas porque depois de lida a entrevista e o currículo do autor, esta biografia soa-me a mero ajuste de contas!
Ele lá terá as suas razões, que me parecem óbvias, mas no meu entender de quem lê o que quer e porque quer, é uma biografia manchada ou truncada pela visão política, logo perde para mim todo o interesse!
Um biógrafo deve ser isento, penso eu, que tenho lido muitas biografias e é um tema que muito aprecio, pela positiva ou negativa do que o alvo dela represente, signifique ou nos ensine.
Mas não o é... ele não é isento e nem dá garantias de que não esteja a escrever apenas para denegrir o A.T. E para esse peditório eu não dou! Quando leio a biografia de Cunhal (a do José Pacheco Pereira é um excelente exemplo) é para saber sobre ele Cunhal, e não o que pensa dele o autor! Idem sobre Henrique Galvão ou Alpoim Calvão, João Freudenthal, seja que for! E reparem, ele diz que A. T. era um cobarde, porque sendo oficial da marinha escolheu antes fazer o levantamento da costa em vez de participar em missões de guerra... não posso discordar mais desta visão, em primeiro lugar porque a alegada cobardia não é um facto relevante biográfico e sim um óbvio ataque pessoal ao biografado, e pouco honesto. Em segundo lugar porque o levantamento da costa é uma missão tão ou mais nobre do que as de finalidade bélica.
Atrevo-me a dizer que é uma opinião sobre alguém e não uma biografia isenta... será? Não sei, e para ser justo teria de a ler, mas como só leio o que quero e porque quero, esta não quero!
Saudações livres cá da Cidade Morena!
Ó Pacheco sabias que o cabeça d'abóbora era do teu clube? É verdade, era um grande Belenenses.
EliminarMas eu não sou do Belenenses!
EliminarDizia-se na época que Portugal era um país de marinheiros, porque tinha um almirante e 10 milhões de contra-almirantes! Eheheh!
Também me lembro de se dizer que o A.T. iria representar Portugal no festival da Eurovisão a cantar: "O meu fatinho de marujo" ... lembras-te desta?
Agora é o Pacheco que está a ser injusto.
EliminarOrlando Raimundo foi meu professor de jornalismo no CENJOR e se há qualidade que ele tem é a isenção.
Por outro lado, deve ser muito difícil encontrar qualidades numa figura como Américo Tomás, até por ter sido presidente no período mais sinistro do salazarismo.
Gosto de ler biografias. Gosto de conhecer factos, biográficos ou não, sobre o que foi o Estado Novo, porque apesar de já estar na categoria dos velhos, há muita coisa que me falta saber. E desta vez concordo com a opinião do António Luis Pacheco sobre o autor, porque li, quando saiu, o "António Ferro-inventor do salazarismo", ele, autor, quase sempre depois de relatar um qualquer facto, dava sua opinião parcial e tendenciosa sobre o mesmo. Salvo erro, só uma vez esteve de acordo com o relatado. Por isso também não vou comprar.
ResponderEliminarEste anónimo sou eu, Amílcar Mendes
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