Outra Amália
Mais logo, no Museu do Fado, será lançado o novo livro de Fernando Dacosta, jornalista que, inicialmente premiado por trabalhos de investigação (um dos quais sobre os retornados) e peças de teatro, acabou por se tornar ficcionista e usar grandes personalidades nas suas obras (entre elas, o doutor Salazar, sobre quem escreveu um romance e de quem organizou a fotobiografia). As mulheres estão também presentes nos seus livros – e um dos mais recentes, O Botequim da Liberdade, centra-se na figura de Natália Correia, tomando o título de um bar que a poetisa tinha no bairro da Graça. Fico agora muito curiosa com este Amália – Uma Ressurreição que vai ser apresentado hoje às 19h00 numa espécie tertúlia; e fico curiosa porque, tendo lido muito sobre a fadista, até por razões profissionais (escrevi há uns anos a sua biografia para crianças), nunca pus os olhos em nenhum trabalho de ficção digno a seu respeito (não digo que não haja, mas que me passou despercebido); além disso, sei que este romance não será propriamente um espectáculo de La Féria posto por escrito, mas algo certamente mais profundo, ou polémico, até por causa desse «Uma Ressurreição» que acompanha o nome de Amália no título e que preciso de perceber o que quer dizer. Se descobrirem antes de mim, avisem-me.
Bom desafio, Rosário. :)
ResponderEliminarPode muito bem acontecer estarmos em Macau, e por termos saudades da nossa boa comida, resolvemos jantar num restaurante típico português, que por acaso tem como atracção o fado.
Apenas tínhamos pensado na nossa boa gastronomia, mas quando de repente ouvimos uma voz que tem quase tudo para ser a inesquecível Amália... o nosso primeiro pensamento vai para o impossível, a sua "ressurreição".
(claro que o livro falará de outras coisas... que desconheço)
Fui espreitar as minhas fotobiografias e lá encontrei uma da Amália: "Uma estranha forma de vida", organizada pelo Vítor Pavão dos Santos e fotografias do Augusto Cabrita (Verbo, 1992).
ResponderEliminarEste também é um livro de peso, em todos os sentidos.
Logo no início tem o poema "Estranha forma de vida" escrito e assinado pela autora.
Já tenho com que me entreter hoje (não que me falte o que fazer, mas a vida não é só trabalho, também há as Horas Extraordinárias).
Antonieta
Quanto ao Dacosta, antes de ler o Botequim da Liberdade li o "Nascido no Estado Novo", onde ele já contava histórias quase inacreditáveis, mas fascinantes, da Natália Correia.
EliminarPara mim a Natália era como um pirilampo a brilhar na noite escura, mas isso também tem a ver com a noite em que eu fui ao Botequim - antes tinha estado num concerto no Jardim Botânico onde, pela primeira vez na minha vida vi pirilampos, centenas deles, e fiquei completamente fascinada - foi uma noite inesquecível por várias razões.
Espero que ele também aborde o lado místico e esotérico da Amália.
Antonieta
De facto a Natália Correia era luminosa e envolvia-a uma aura de força quase magnética .
EliminarNunca li nada do Dacosta, mas ainda bem, porque assim ainda vou a tempo de o descobrir.
Um poico de rio 'num' frasco. Brilha, rebrilha...
ResponderEliminarDecerto não serei eu a descobrir nada, mas confio com grau de certeza e não apenas com vaga esperança, que seja um bom livro. Tenho consideração por Fernando Dacosta. Gosto da forma como pensa. Parece-me dar importância ao que é devido, saltando sobre ninharias e entulho que outros aproveitam.
ResponderEliminarJá li, que me lembre, pelo menos quatro livros do (excelente escritor) Fernando Dacosta e gostei de todos ("As máscaras de Salazar", "O Botequim da Liberdade", "Os mal amados" e "O Viúvo").
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