Lembrar

O mundo rápido em que vivemos não favorece as memórias – e as mais das vezes, com grande injustiça, «quem não aparece esquece». De tal forma que noutro dia falei do grande músico brasileiro João Gilberto como se já estivesse morto e, claro, levei logo nas orelhas – com toda a razão. Por falar em em música, Rosa Lobato de Faria fez, como alguns se devem lembrar, dezenas de letras para canções e fados – e vai sendo recordada pelos que os cantam (e ouvem) desse modo. Mas também escreveu romances, livros infantis, crónicas e poemas e, para que não caiam no esquecimento, haverá hoje – o dia em que faria 85 anos – uma sessão para recordar a escritora, com a presença de familiares, amigos e pessoas que com ela trabalharam (e que darão testemunho de qual foi a sua Rosa), durante a qual o professor Eugénio Lisboa traçará uma panorâmica da sua obra. Vai ser na Livraria Buchholz, em Lisboa, às 21:00 – e a ocasião será assinalada com algumas novas edições de livros seus.


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Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda20 de abril de 2017 às 01:49

    Nunca li nada da autora. Que obra me aconselhariam a ler? Obrigado.

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  2. Engraçado, comprei ontem este livro para oferecer - eu tenho quase todos os livros da Rosinha naquelas edições mais pequenas, de capa dura - e nem reparei que a edição era sua. A capa é lindíssima e mantém a grafia antiga.
    O primeiro que li foi O Prenúncio das Águas e depois fui comprando os anteriores e os posteriores.
    Ainda a conheci e tenho alguns livros autografados.
    A Rosinha, ao contrário do que muitos pensam, não era uma escritora 'light' - era uma senhora muito inteligente e que escrevia (e fazia tudo) muito, muito bem.
    Ainda bem que vai lá estar o Eugénio Lisboa - ainda conservo o artigo que ele escreveu no JL sobre a Rosa Lobato de Faria, há muitos anos.
    Antonieta

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  3. Surpreendente é a única palavra que me ocorre para a Rosa Lobato Faria, para quem a lê pela primeira vez.
    Há de tudo na sua escrita, desde a fertilidade das palavras, a imaginação potentíssima, uma elegância subtil. "A alma humana é um lugar estranho. Dentro da minha acontecem, como diria Afonso Sanches, as mais desvairadas coisas..." In A Flor de Sal.
    Este foi o primeiro livro que li da autora e depois seguiram-se todos, que é o único antídoto que existe para lidar com tal obra.
    De facto não tem nada de "Light", pelo contrário é encantatória e forte como um feitiço.
    Tudo nela é peculiar até o facto de ter começado a publicar aos 55.
    " Assim as mulheres passam umas às outras a sua teia ancestral de seduções..." In A Trança de Inês.
    Só me resta desejar a quem se atrever, Boa descolagem.

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  4. António Luiz Pacheco20 de abril de 2017 às 05:15

    A Rosinha, era sobrinha do meu também já falecido tio Gastão (casado com a irmã do meu pai). Nunca privei muito com ela, salvo em ocasiões de reunião familiar em que estivesse presente o clã Lobato de Faria, aliás uma família numerosa a ponto de meu tio ter por sua vez, tios mais novos do que ele... o que para nós miudagem era uma situação curiosíssima!
    A idéia que me ficou sempre foi a de uma pessoa com fortes valores humanos e sobretudo muito bem-disposta, alegre, que gostava da vida.
    Comia-se muito bem ... cozinha goesa!

    Saudações saudosas cá da Cidade Morena.

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  5. Li "As esquinas do tempo" e, na altura, gostei!

    Da Rosa Lobato Faria não li mais nenhum livro apenas e só porque não calhou...e tanta, tanta coisa que tenho para ler.

    Não seria propriamente a Amália Rodrigues da literatura mas estaria ao nível duma Hermínia Silva.

    Dentro da mesma estirpe, embora géneros diferentes, e a propósito de escritoras (injustamente) esquecidas: alguém se lembra ou leu Ilse Losa??

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    1. António Luiz Pacheco20 de abril de 2017 às 06:36

      O Mundo em que vivi ... sei que também escreveu para crianças.

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    2. Ilse Losa que, para escapar aos aos campos de concentração nazi se fixou no Porto, foi, em determinada altura da minha vida, uma escritora que li com muito, muito interesse.

      Sendo efectivamente uma escritora essencialmente de livros infantis, escreveu outros (que o não são) e que vale bem a pena ler, pelo menos eu gostei na altura em que os li.

      Lembro-me de que gostei muito de "Sob céus estranhos" a propósito do tema (bem actual) da adaptação de um imigrado, neste caso judeu, de "Rio Sem Ponte" em que aborda os problemas de dois adolescentes numa Alemanha onde o nazismo alastrava; das excelentes crónicas na "A flor do tempo" e ainda de um belo livro de contos: "Caminho sem destino".

      Por isso referi no meu anterior escrito que é uma escritora (injustamente) esquecida.

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  6. Na minha vulgar opinião gostei da capa. Delicada e simbólica.

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