Ressacar
Há quem adquira sentido de humor e uma alegria estonteante ao beber álcool, mas no dia seguinte é que são elas... Há também quem esteja de tal modo viciado em drogas duras que faça tudo (roubar, por exemplo) para que não lhe falte a dose seguinte, já que a ressaca acarreta, pelo que sei, dores insuportáveis. Nada disto se pode comparar, obviamente, com o vício da leitura; mas leio num blogue chamado Liprópatas que há gente que tem verdadeiras ressacas depois de ler determinados livros de forma intensa e intensiva. Começa logo porque o livro fatalmente tem um fim (presumo que o medo de que acabe seja uma pré-ressaca) e depois surge uma espécie de vazio (é ainda cedo para o substituir e, por isso, existe a tentação de voltar a ele e reler ou sublinhar as partes de que mais se gostou). Mas os efeitos secundários desta ressaca de leitura incluem também procurar todas as informações disponíveis sobre o autor na Internet, comprar todos os seus livros e, inclusivamente, tentar contactá-lo nas redes sociais e em clubes de fãs para exprimir opiniões pessoais e fazer elogios... O blog aconselha, para minimizar a ressaca, procurar um amigo que tenha lido o mesmo livro e falar com ele sobre a experiência. Se pensarmos naquele romance de Stephen King que deu origem a um filme – Misery –, facilmente concordaremos que o escritor deve ser deixado de fora das nossas ressacas.
Por acaso não gosto muito de falar sobre os livros que leio, acho que se perde um pouco a opinião pessoal que acaba sempre por sofrer influencia...
ResponderEliminarBeijinhos
Misery - não li o livro mas vi o filme, grande interpretação de Kathy Bates, que aliás até ganhou o Óscar e o Globo de Ouro de melhor actriz.
ResponderEliminarQuanto aos sintomas da "doença" felizmente só tenho alguns: gosto de ler os outros livros desse autor.
Agora procuro informação na net, antigamente ia pesquisar nas bibliotecas, nas revistas e suplementos literários dos jornais, que os havia e bem bons.
Conheço poucos escritores, não tenho facebook e apenas comento em dois ou três blogs, pelo que acho que ainda tenho salvação.
:-) Antonieta
Mas é isso mesmo!
ResponderEliminarAqueles que considero "grandes livros" (e felizmente tenho lido tantos) são os que nos absorvem a ponto de nos deixar vazios quando terminamos... os personagens passam a ser como que velhos amigos, de quem nos despedimos com pena, vivemos a acção como se participássemos nela, comungando de tristezas e alegrias.
Nunca me tinha ocorrido essa analogia da ressaca, entendo-a também como uma espécie de síndroma do leitor, mas no fundo é isso mesmo, uma ressaca! Ao ponto de depois ter dificuldade em iniciar a leitura de novo livro, a cura, no meu caso, é ir reler um outro livro, já lido, de que tenha gostado e me ajude a recuperar para me abalançar a nova leitura!
Saudações cá da Cidade Morena
Meu Deus, já tive ressacas terríveis por causa dos livros, chego a estar semanas sem conseguir pegar noutro, fica-me aquilo tudo entranhado no corpo e na cabeça e depois passo à fase de importunar os escritores à caça de um autógrafo só para lhes perguntar: mas ouça lá, como é que aquela obra lhe saiu assim, tão e tão boa!?
ResponderEliminarA coisa não me tem corrido mal (tenho encontrado escritores fabulosos), mas um dia destes arrisco-me à resposta: ouça lá a senhora; não lhe chegou o livro ainda tem de me vir melgar!?
Um abraço
Carla Pais
Sinto-me assim entre um e outro livro...
ResponderEliminarBeen there! :D
ResponderEliminarCarla Pais, isso só acontece
ResponderEliminarcom autores portugueses, certo?
Não caríssimo anónimo, por acaso também acontece com franceses. E não percebi essa coisa da nacionalidade, quando um livro é bom, é bom!
EliminarDeixei de ter ressacas alcoólicas desde que abandonei os álcoois destilados e me confinei ao vinho. Com vinho e só às refeições não há ressacas.
ResponderEliminarJá quanto ao efeito da leitura de certos livros, isso nunca acabou. Não posso chamar-lhe ressaca mas um estado duradouro em que o meu espírito continuava a elaborar naquele mundo. Exemplos ao longo da vida: "O Primo Brasílio" em miúdo, "Crime e Castigo" em jovem, "O Vermelho e o Preto" em adulto.
Pois é, caríssimo e Extraordinário Amalivros, mas eu cá também só bebo às refeições, e, fora delas! Ahahahah!
EliminarNo entanto... Quando temos o hábito de ler escritores que já não estão entre nós - pelo menos fisicamente... A parte de tentar entrar em contacto... Bem, acho que pelo menos neste ponto torna a ressaca muito menos penosa...
ResponderEliminarehehehe parece mesmo eu!
ResponderEliminarCada vez mais sou aqui um bicho estranho. Não sei o que sejam - senão pelo que é aqui dito - ressacas de livros. Admiro alguns autores, admito que chego a pedir-lhes autógrafos, mas não me ocorre ver se têm blogues e dar opiniões e tentar saber tudo sobre eles (uma vez, não sei bem como, descobri o blogue de um que tanto me interessou que o perdi de seguida e foi viagem única). Os escritores só me interessam na perspectiva profissional, escrevem o que gosto de ler. E sou-lhes, nesse sentido, gratíssima. Mas também lhes compro as obras. Se ganham pouco em cada venda, transcende-me.
ResponderEliminarCom todo o respeito, e, mais uma vez em desacordo, acho que a Beatriz não é um bicho estranho... mas parece-me sim, que por vezes não lê completamente os escritos e portanto depois não interpreta correctamente.
EliminarNote que é uma crítica que pretendo seja educada e constructiva! Não desejo nem pretendo agredi-la, minimizá-la ou ofendê-la!
E repare, a questão fulcral deste post "ressaca" não é a colagem ou o assédio ao escritor e menos ainda se ganha muito ou nem por isso, o cerne da questão é a forma como o livro nos afecta (enquanto leitores) ao ponto de nos prender a ele, de nos preencher, de se instalar em nós como parte de nós, da nossa vida, e, por conseguinte quando terminamos a sua leitura, ficamos vazios, falta-nos o amigo ... o que se traduz de forma prosaica na tal "ressaca" que significa a falta de alguma coisa.
Por isso, não vejo nada de estranho no que diz... mas sim na interpretação que deu ao post.
Bom fim de semana, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.
ah, ah, ah...a minha questão é que quando termino fico aliviada. É um estado natural, não pertenço ao mundo de quem ressaca por livros (pensava até este post que tal coisa nem existia). É isso. Arrumo o livro lido num descanso satisfeito. Reconheço que, o mais longe que vou, é a sentir por ele um certo carinho, deu-me bons momentos. Mas, pode crer, parto para outro na boa.
EliminarNão fiquei chateada e nem para tal havia motivo. Já me disseram coisas tão más que foi vacina. Na net (leia-se blogues), mesmo com motivo, não me dou ao trabalho de ficar zangada. Se não gosto, não volto. Corto pela raiz. Até porque sou eu que estou em casa alheia. Cabe-me sair como entrei.