Porquê sozinho?
Ler é uma actividade solitária, é um facto. Claro que se pode ler em voz alta para alguém que não vê, ou até em grupo, numa aula de Língua Portuguesa, lendo um texto a várias vozes. No entanto, para uma leitura atenta requer-se algum recolhimento. E, porém, se há pessoas que não gostam de ir ao cinema sozinhas – por não terem depois com quem trocar impressões sobre o filme –, agora também há muitas maneiras de ir ter com alguém para discutir um livro que se acabou de ler. A revista Time Out/Lisboa publicou, de resto, uma lista de clubes e comunidades de leitura espalhados pela cidade. Parece que o mais antigo destes clubes se chama Missa e tem como objectivo falar sobre a Bíblia, mas há muitos mais. As livrarias (Leituria, Ler, Almedina...) têm quase todas actividades relacionadas com a leitura e debate à volta dos livros, bem como algumas instituições (a Culturgest, por exemplo) que todos os anos organizam comunidades de leitores que se debruçam sobre livros relacionados com temas específicos. Além delas, porém, alguns bares (Povo, A Viagem, Titanic sur Mer...) oferecem também agora a possibilidade de ler poesia ou falar de livros em vez de beber e dançar (ou ao mesmo tempo). Assim, se está desesperado por falar com alguém acerca do que leu, não fique sozinho: escolha o lugar que lhe parecer melhor.
Porquê sozinho?
ResponderEliminarÀs vezes, quando se está em sítios recônditos (mais uma palavra em desuso), onde não há ninguém interessado em ler - ou em ler determinados livros - tem mesmo de ser.
Os blogues de livros podem ser uma solução (não é a mesma coisa, eu sei, mas quando não se tem cão caça-se com gato).
Já tive alguns diálogos literários bem interessantes aqui no Horas, pena que ultimamente isto ande um bocadinho "azedo", ou será impressão minha?
Antonieta
Não sei se é anónimo ou Antonieta, mas para o caso não interessa, é verdade que isto anda um pouco azedo.
EliminarO trabalho de casa da Maria do Rosário está muito incompleto, mas talvez seja a falta de tempo dela !!!! :) ou a vontade de estar sempre em cima dos assuntos e tentar depois pela rama tratar de muitos temas ao mesmo tempo. Por aqui me fico
José Gonçalves, quando disse azedo referia-me aos comentários e não aos textos da Maria do Rosário, dos quais nada tenho a reclamar, antes pelo contrário.
EliminarParece-me que os comentadores costumavam ser mais cordiais. Agora "abespinham-se" por dá cá aquela palha e por vezes é uma confusão de anónimos difícil de entender.
Mas tenho bom remédio: quando não me agrada retiro-me de mansinho... e volto no dia seguinte.
E, infelizmente (não gosto nada), chamo-me mesmo Antonieta - e raramente de esqueço de assinar.
:-) Antonieta
"me esqueço"
EliminarDiz-nos a Antonieta que alguns comentadores "abespinham-se por dá cá aquela palha e por vezes é uma confusão de anónimos difícil de entender.”
EliminarE acrescenta que tem “bom remédio”: ignora.
Pois faz muito bem em ignorar, pois que não se justificaria que uns anónimos fizessem tremer as Horas Extraordinárias por dá cá aquela palha.
Era o que faltava que, aqui nas Horas Extraordinárias, a Maria do Rosário se armasse em “mãe da Rita” e repetisse isto que nos cantava Amália:
«No mercado da Ribeira
Há um romance de amor
Entre a Rita que é peixeira
E o Chico que é pescador
Sabem todos os que lá vão
Que a Rita gosta do Chico
Só a mãe dela é que não
Consente no namorico
Quando ele passa por ela
Ela sorri descarada
Porém o Chico à cautela
Não dá trela nem diz nada
Que a mãe dela quando calha
Ao ver que o Chico se abeira
Por dá cá aquela palha
Faz tremer toda a Ribeira
Namoram de manhãzinha
E da forma mais diversa
Dois caixotes de sardinha
São dois dedos de conversa
Há quem diga à boca cheia
Que depois de tanta fita
O Chico de volta e meia
Prega dois beijos na Rita
Quando ele passa por ela
Ela sorri descarada
Porem o Chico à cautela
Não dá trela nem diz nada
Que a mãe dela quando calha
ao ver que o Chico se abeira
por dá cá aquela palha
faz tremer toda a Ribeira»
(“O Namorico da Rita”, fado de Amália Rodrigues)
Boa noite, J.J. de Amarante!
EliminarSempre oportuno e com um toque de humor - e talvez eu tenha rapinado essa frase ao belo fado do Artur Ribeiro, quem sabe?
E a propósito, a Rosário também escreve umas letras de fados bem catitas - ainda há pouco estive a ler o livro dos Ujos (o Zambujo e o
Araújo) onde a Extraordinária autora deste blogue é amplamente elogiada.
:-) Antonieta
Deixe lá Antonieta, eu chamo-me Manuela, o que em termos de beleza de nome vai dar ao mesmo.
EliminarDe facto acho os comentários muito agressivos e não percebo porquê?! este blog é fantástico, a Maria do Rosário um amor e, contudo, as pessoas estão muito crispadas.
E então a discussão acerca do livro que andavam a ler....bom, não há pachorra!
Olhe, eu tenho andado a ler o último do Zafon "O Labirinto dos Espíritos" (não, não tenho nada contra o Stefan Zweig!) e gostaria de trocar impressões sobre ele!
Acho a ideia de um grupo de leitura muito interessante. Fui ver as sugestões da TimeOut e fiquei interessada na Culturgest. Mas deve haver mais grupos, possivelmente ligados a bibliotecas. Se alguém souber de algum em Lisboa, por favor divulgue!
Olá Manuela!
EliminarDo Zafón li "A Sombra do Vento" quando o livro saíu em 2004. Lembro-me que gostei e até pensei comprar as sequelas, mas há sempre tantos que quero comprar e tão pouco dinheiro...
O primeiro que li do Zweig foi o Maria Antonieta (presente de aniversário, por razões óbvias). Depois fui lendo muitos mais, não todos como parece ter acontecido a alguns Extraordinários, e um dos meus favoritos continua a ser a Novela de Xadrez.
Boas leituras e bom domingo.
:-) Antonieta
Bom dia
ResponderEliminarPara mim que vivo numa cidade onde a mera sugestão de um clube de leitura parece uma coisa estapafúrdia, encontrei no Goodreads uma boa opção para discutir as minhas leituras e , através das leituras dos amigos, descobrir novos livros e autores.
Tenho o mesmo problema, Carmo.
EliminarE também vou ao goodreads de quando em vez.
Um dos blogues de livros que frequento regularmente é o
planetamarcia.blogs.sapo.pt
estou quase sempre em sintonia com o que a Márcia escreve.
:-) Antonieta
É interessante discutir os livros. Mas o melhor de tudo é lê-los. Mesmo que não haja discussão. Ler. Mas também julgo que "escrever sobre", deve ser quase a mesma coisa que discuti-los oralmente. Bom, perde-se a fisionomia e o jeito dos contadores. Porque livros são histórias que cada um interpreta e salvaguarda por vezes de forma muito pessoal. É talvez a maneira de cada leitor os fazer seus. Uma marca.
ResponderEliminarE aqui mesmo ao lado de Lisboa A Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures,
ResponderEliminarAparecem que são muito bem vindos ;)
http://bmjscomunidadeleitores.blogspot.pt/
Rita Pitada
E aqui mesmo ao lado de Lisboa a Comunidade de Leitores das Bibliotecas Municipais de Loures, apareçam que são muito bem vindos ;)
ResponderEliminarhttp://bmjscomunidadeleitores.blogspot.pt/
Ler em conjunto... confesso que não gosto! Aliás nem sou capaz.
ResponderEliminarMas falar sobre livros, isso gosto muito, desde que com alguém que goste de ler, evidentemente e não tem de gostar dos mesmos livros que eu, aliás é até bem mais estimulante discutir/conversar sobre um livro quando tenhamos pontos de vista diferentes.
Saudações cá da Cidade Morena, onde vos leio sempre com prazer... apesar de eventual azedume de algum que outro...
Concordo consigo em todos os pontos referidos.
EliminarCada leitor com a sua mania.
Gosto de ler sózinho; mas também já participei numa defunta comunidade de leitores onde se discutiu O Anão de Par Lagerkvist, prémio Nobel sueco. Na Universidade Sénior que frequento, há já 7 anos, nas Aulas de Literatura Portuguesa, todas as Quintas-feiras há leituras de autores portugueses. Actualmente estamos quase a acabar Uma Abelha na Chuva, de Carlos de Oliveira.
ResponderEliminarSou quase sénior. Qual é a Universidade que frequenta Anónimo (a)? Quem sabe se poderia participar num dos vossos grupos de leitura....
EliminarA universidade sénior que frequento fica na Portela, logo a seguir aos Olivais embora pertença a Loures. A comunidade de leitores já não existe; como ainda trabalho frequento apenas duas aulas: Forum SAC (Sociedade , Actualidade, Cultura) em que todos os alunos podem participar, onde se discutem temas de actualidade e não só e se fazem algumas visitas de estudo; a outra é Literatura Portuguesa onde já foram lidos e comentados por ex: Camões, Pessoa, Eça, Fernando Mendes Pinto,
EliminarCesário, Camilo, Torga, Saramago, Natália Correia, e agora estamos a dar Carlos de Oliveira. Além disso, há uma tertúlia mensal, sujeita a um tema, por iniciativa de um dos sócios, aberta a toda a gente que queira participar, mais virada para a poesia de carácter popular, onde eu participo sempre que posso.
Albertino!
EliminarObrigada pela sua informação mas eu moro em Carnide! É um bocado longe ir até à Portela. E também trabalho, claro!
Será que alguém por aí conhece algum grupo em Carnide, Telheiras, Benfica.....
Prazer em conhecer!
Olá Manuela
EliminarNão conheço nenhuma comunidade de leitores por esses lados, mas aconselharia o blogue da Anabela Mota Ribeiro que modera a iniciativa Ler no Chiado, da Bertrand e da Revista Ler, e cuja próxima sessão é no dia 16, sobre literatura russa, mas que infelizmente não posso ir porque trabalho a essa hora.
Obrigada pela dica!
EliminarAntonieta!
ResponderEliminarTambém li " A Sombra do Vento" e mais os outros dois que se lhe seguiram. Agora estou a acabar este que é o último da tetralogia.
Adorei "A Sombra do Vento". Na minha modesta opinião, este é o melhor livro de todos!
Quanto ao Zweig li a "Maria Antonieta" há muitos anos, mesmo muitos, tantos que, sinceramente, já nem me lembro se gostei do livro. Acho até que me foi emprestado por alguém ou requisitado nalguma biblioteca.
Dantes fazia muito isto - requisitava livros na biblioteca. Depois comecei a adquiri-los e a encher estantes de livros. E quando esgotei as estantes comecei a comprar caixas de plástico grandes e a guardá-los aí. Felizmente tenho uma dispensa muito grande em casa e é aí que estão os livros mais antigos.
Prazer em conhecê-la!
Manuela
Queria dizer "despensa", obviamente!
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