Oceanos

É um oceano aquilo que evidentemente nos separa do Brasil; e a língua portuguesa, que tantas vezes achamos que também nos separa, vai agora unir-nos numa excelente iniciativa; o Prémio Oceanos (antigo Prémio Literário Portugal Telecom), ao qual até ao ano passado só podiam concorrer livros em língua portuguesa publicados no Brasil, passou há menos de uma semana a contemplar também todos os livros publicados em Portugal nas várias categorias a concurso. A sua curadora em Portugal será a jornalista Ana Sousa Dias. São boas notícias, claro, pelo valor e pela importância do galardão, já ganho, de resto, por alguns escritores portugueses, entre os quais Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe, embora com as edições brasileiras dos seus romances. O oceano vai também estreitar-se daqui a uns mesinhos, no momento em que abrir a Feira do Livro de Lisboa, pois o Pavilhão do Brasil, ausente do certame há meia dúzia de anos, vai regressar em força e dar um ar da sua graça entre 1 e 18 de Junho próximos (a feira este ano começa mais tarde). Tanto mar, tanto mar, mas afinal não tão difícil de navegar no que toca às letras.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda14 de março de 2017 às 02:42

    Falemos [mais] as palavras que aproximam, em detrimento das que separam e todos os oceanos serão mais lugares de união e menos de separação - disse.

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  2. E o José Luís Peixoto ganhou o ano passado com o "Galveias".
    Tenho tantas saudades das entrevistas que a Ana Sousa Dias fazia na rtp-2, sempre tão bem preparada mas a deixar espaço para os entrevistados falarem - talvez as voltem a passar na rtp memória.
    Talvez consiga ir à Feira do Livro este ano, ver os livros e os jacarandás...
    Antonieta

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    1. Antonieta, a RTP está progressivamente a disponibilizar online os seus arquivos e as entrevistas da Ana Sousa Dias (Por Outro Lado) já estão em «sinal aberto»!

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    2. António Luiz Pacheco14 de março de 2017 às 05:11

      De acordíssimo!
      Acho que Ana Sousa Dias, consegue transmitir empatia e tranquilidade! Eu gostava muito das entrevistas conduzidas por ela, deixava falar! É raro... o entrevistador quase sempre está ali para brilhar ele, não o entrevistado!

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    3. Que boa notícia, Maria do Rosário.
      Muito obrigada!
      :-) Antonieta

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  3. António Luiz Pacheco14 de março de 2017 às 05:17

    Acho uma coisa muito feia e agressiva ter de haver "edição brasileira" ! Os brasileiros não compreendem português? A sua língua-mãe?
    Oi?
    Ora o raio que os parta, aos editores e aos literatos brasileiros, que cultivam e impõem essa diferença! Para mim é um acto de superioridade ser capaz de entender e ler , brasileiro, moçambicano, cabo-verdiano, angolano e até castelhano! Repito: é um acto de superioridade!
    Doa a quem doer, tolerância sim, servilismo sem cerviz é que não!

    Aka! Saudações superiores cá da Cidade Morena, ai-ué!

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    1. Ó Pacheco
      Esta gente, por causa do dinheiro, agacha-se a tudo e mais alguma coisa.

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    2. Não é "edição brasileira", é publicados no Brasil, o que é bem diferente.
      Depois tanta arrogância e intolerância para quê?
      E raio que os parta?
      Francamente!
      A argumentar assim perde toda a razão...

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    3. Um diz mata, o outro diz esfola!
      Não anda o saco sem a baraça...

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    4. Mas há também edições portuguesas de literatura portuguesa. Recordo-me, por exemplo, de edições portuguesas de obras de Clarice Lispector pela Relógio d'Água, de Chico Buarque ou Machado de Assis pela Dom Quixote ou de Tatiana Salem Levy pela Cotovia e pela Tinta-da-China.
      Talvez assumir que se trata de problemas de compreensão linguística sem questionar os direitos de circulação e distribuição do livro em ambos os mercados editoriais seja um pouco prematuro.

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    5. Onde se lê "Mas há também edições portuguesas de literatura portuguesa" dever-se-ia ler "de literatura brasileira", obviamente.

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    6. António Luiz Pacheco14 de março de 2017 às 12:07

      Não é argumentar e sim desabafar!
      Quanto à tolerância... parece-me ser sua na forma como me interpela ao classificar de arrogante, ou seja como discorda abate-me com essa colagem , o que portanto me impede de ter razão ou argumentos válidos.
      As ideias discutem-se e os argumentos trocam-se sem preciso adjectivar o oponente. Discorde à vontade mas contenha-se. E, repito não é mera questão de tolerância e sim de ter coluna vertebral, compreende?
      Não confunda as coisas.
      Aliás leia melhor, o post original fala em "edição brasileira" sim ...

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    7. Primeiro: quem fala em edição brasileira é o seu comentário e não o post original - leia o sr. melhor.

      Segundo: se não é arrogância dizer que é superior aos brasileiros por ler essas "línguas" todas, então o que será?

      Terceiro: desculpe, esqueci-me de lhe chamar mal educado, ou será que dizer "raio que os parta" é sinal de boa educação?
      Estamos na "casa da Maria do Rosário Pedreira" e acho que devía ter tento na língua - se bem que o senhor já aqui disse coisas bem piores...

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    8. António Luiz Pacheco14 de março de 2017 às 13:46

      "... por alguns escritores portugueses, entre os quais Gonçalo M. Tavares e Valter Hugo Mãe, embora com as edições brasileiras dos seus romances ... "
      Leia lá outra vez, faz favor ...

      Ser superior e assumi-lo no contexto em que o faço, é ter consciência do meu próprio valor, não é arrogância.
      Se, os brasileiros nem de ler português são capazes, a ponto de terem de se fazer edições brasileiras... acha que o defeito é meu?
      Francamente...

      E no resto quem lhe disse que é a polícia de costumes do blog?
      Francamente!
      Há quem diga que o ambiente aqui anda azedo, só podia, com estes censores por um lado e com a permissão de que anónimos comentem!

      Sabem que mais? Não volto a comentar e nem a trocar uma só palavra com nenhum anónimo aqui... pelo menos que arranjem pseudónimos!
      Tenho um para si: Diácono Remédios... ou se preferir Sam the Eagle.



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    9. É um ser superior, já entendi.
      Se o blog fosse seu (mas não é!) acabavam os anónimos, tbém já percebi. Se concordam consigo, se o elogiam são "caros anónimos"; se discordam é que temos o caldo entornado, não é?
      Quem será mais polícia?
      Bolas, não o queria para governante do meu país: manias de superioridade e proibições?
      Nein, Danke!
      E já que não há diálogo possível, acabe-se o diálogo - mas não havia nexexidade!
      PIM!

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  4. Pois cá os esperamos na Feira do Livro. Do resto, confio em Ana de Sousa Dias, pessoa que julgo de valor. No mais, concursos são concursos. E logo se vê. Concordo com a existência de prémios, sempre vão reconhecendo uns e outros e se não fazem mais, agitam as águas e chamam a atenção para os autores. E talvez o Brasil nos dê agora a oportunidade de conhecermos gente actual das letras.

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  5. Concordo com o que foi escrito sobre Ana Sousa Dias. Nunca mais apareceu outra pessoa que entrevistasse tão bem as personalidades convidadas. Cordial, muito bem preparada, deixava-as expor os seus pontos de vista, onde eram habitualmente profundos conhecedores. Alcançava assim três objetivos: os entrevistados brilhavam, os espetadores aprendiam e o ambiente era de diálogo. Isso ficou bem expresso quando Ana Sousa Dias foi a entrevistadora do Prof. Marcelo no momento em que se mudou para a RTP. Já se sabe, ele comentava, comentava, ninguém mais falava. Habituado a que lhe apresentassem introduções a respostas e não perguntas, o modelo de diálogo praticado por Ana Sousa Dias não tinha hipótese de funcionar. O resultado foi ela apresentar a sua demissão.

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