Mulher de escritor
Li um artigo muito interessante publicado no Dia da Mulher em jeito de homenagem às caras-metades de alguns escritores. Começava por dizer que não é fácil viver com alguém que carrega permanentemente dentro de si histórias e personagens, dedicando menos tempo do que seria desejável à realidade, e que depois passa por frequentes crises de vazio e depressão entre livros. Mas algumas das mulheres mencionadas no artigo não estiveram apenas a tratar da casa e dos filhos, ou a gerir as contas domésticas (também houve mulheres assim, claro); algumas estiveram mais ao lado do escritor do que à sua sombra e foram determinantes para o trabalho dos maridos. A mulher de Tolstoi, por exemplo, copiou nada mais nada menos do que sete versões de Guerra e Paz, e a de Nabokov, além de dactilografar e comentar os seus romances, era a sua motorista particular: levava-o à Universidade num Oldsmobile e ouvia as suas aulas entre os estudantes… Houve ainda tradutoras e editoras entre as mulheres de alguns escritores – a jovem mulher de Dostoiévski tê-lo-á, segundo se diz, ajudado a terminar o original de O Jogador. Nem todas, porém, tiveram a sorte de participar positivamente na vida dos maridos e houve quem tivesse até desistido da própria carreira – como a mulher de Hermann Hesse que, maltratada pelo marido e louca com as suas infidelidades, acabou por deixar de tocar (era pianista) e terminou os seus dias num hospital psiquiátrico.
Atrevo-me a dizer que, ser mulher (ou marido) de um escritor, deve ser uma aventura completa...
ResponderEliminarImagino que seja daqueles casamentos que pedem companheirismo e cumplicidade, que se completem, muito para lá da paixão.
É um tema curioso, e sim, há quase sempre uma mulher por detrás do escritor... os casos conhecidos falam por si.
Porém, e não numa perspectiva sexista, nunca se fala no homem por trás (ou ao lado...) da escritora. Será que ser marido de uma escritora não tem o mesmo impacto?
Saudações sudorosas cá da Cidade Morena.
Ou será que não tem o mesmo impacto social ser escritora? Ou elas conjugam melhor a duplicidade imaginário-real...Ou é igual para um e outro sexo por contar sobretudo a profissão e a qualidade das duas pessoas envolvidas.
EliminarComo por exemplo o Sr. Luís, marido de Agustina Bessa Luís. O que esse homem trabalhou discreta e pacientemente na sombra para as obras serem publicadas.
ResponderEliminarNão podemos esquecer o contributo que deram para a obra dos maridos Mécia de Sena e Jerónima Dantas Machado, segunda mulher de Aquilino Ribeiro.
EliminarA esposa de Ernest H. sofreu; a de Kleist o triste fim; a de Poe (dizem as más linguas) era gay... Algumas biografias escondem no suor a vaidade, embora o simbolismo e prática feminina, tenham despertado elaboradas nuances à múltipla(s) filosofia(s). Ah, faltou Sartre e sua adorável Simone.
ResponderEliminarÓ Cláudia... a qual das esposas (ou mulheres...) do Ernest H. alude? Casamentos foram 4! Mulheres, bem mais umas tantas.... ou está a ironizar, o que se bem a conheço me parece que sim?
EliminarJá que estamos num blog de leitores, vou referir aquele que é o meu livro do E. H. preferido, "Ilhas na corrente", onde ele recorda as suas mulheres através dos casamentos do personagem principal, que é ele mesmo sem dúvida, travestido de pintor.
Saudações cá deste outro lado do mar e da terra da mulata com o chocalho na canela!
Apenas uma precisão. Não foi a mulher de Kleist que o seguiu no seu intento suicida mas a amiga Henriette Vogel, casada e mãe de filhos, dado que a sua prima não aceitou a sugestão de o seguir na espiral suicida que queria consumar. Não era ele que dizia: "Uma bela morte é muitas vezes a melhor das vidas"?
EliminarA mulher de Nabokov até lhe afiava os lápis.
ResponderEliminarNo entanto, tiveram o casamento mais longo dos casais literários.
E a quase co-autora de alguns livros de Saramago,?
ResponderEliminarCom quem viveu( também escritora) Isabel da Nóbrega. Só para lhe retirar as dedicatórias para dedicaros livros a Pilar, que nem sabia que existia na época em que escreveu muitos foram escritos.
http://observador.pt/especiais/isabel-da-nobrega-do-musa-saramago-apagou-da-historia/
Só um estúpido como tu é que me fazia descer de uma nuvem e aparecer por aqui.
EliminarSabes o que é co-autoria "Aventesga"? É uma coisa muito diferente de rever ou de dar opinião.
E vou-me embora, já tem ofereci cinco minutos de fama, sem antes te dizer, que além de seres "Aventesga" deves ter um nome muito feinho, para não o mostrares aos extraordinários.:)
Pergunto-me o que se passará com alguns comentadores.
EliminarAlguma coisa no ar, será?
Não entendo que se maltratem pessoas, muito menos na blogosfera.
Não se entende. Então José Saramago retirou dedicatórias a livros seus??! Se assim foi, não se entende porquê. Falavam em nome de um amor que existiu e nada do que com ele viveu e foi, deixa de ser.
EliminarIsabel da Nóbrega era na verdade muito bonita. Tinha mesmo um certo brilho. Que me lembre, não li nada desta senhora.
Mas não se entende porquê, Beatriz?
EliminarOs livros não foram escritos por Saramago? Se ele já não ama a pessoa a quem dedicou os livros, não pode retirar a dedicatória nas edições seguintes?
Tudo isto me parece "moralismo de pacotilha".
Deve ser do pólen, Ana, pois da Primavera e da Poesia não pode ser.
EliminarDeixo aqui um haiku do José Tolentino Mendonça, do livro A Papoila e o Monge:
«O meu desejo na Primavera:
que mesmo as flores selvagens
venham florir à minha porta»
Uma delícia, não acham?
Tão simples e tão bonito...
Feliz Primavera para todos!
:-) Antonieta
Subscrevo inteiramente, Luís.
EliminarManter a dedicatória seria hipocrisia, e Saramago era tudo menos hipócrita.
:-) Antonieta
Caríssimo Luis Eme:
EliminarParece-me, e posso estar errado claro, que não se pode retirar uma dedicatória!
Não tenho certezas. mas já ouvi dizer que o Saramago dedicou alguns livros a determinada pessoa... e que nas reedições posteriores, essa dedicatória foi retirada... aceito, mas não o faria. Foi dedicado, foi dedicado, ponto final! É como dizer que não teve orgasmos com a sua amante de então, perdoem-me a crueza. Teve e pronto!
Porém, se retirou as ditas dedicatórias para as substituir por outras a uma amante posterior, isso é em minha opinião reprovável! Para ele que o fez e para quem o tenha aceite.
Saramago foi indubitavelmente um grande escritor, mas como homem ... e pelo que tenho ouvido, parece-me que deixou muito a desejar.
Não é caso único nas letras e não é por isso que deve deixar de ser apreciado enquanto escritor, digo eu... e só lamento que se tragam aqui estas questões que em nada beneficiam aquilo de que gostamos: a leitura!
Um grande abraço para si, mesmo que discordante! Aprecio a sua frontalidade e esclarecimento, perdoe-me a mim alguma falta dele!
Poder, pode. Mas julgo que já respondi a isso no meu comentário. De pacotilha ou não é o que penso.
EliminarCaro Pacheco,
Eliminarpenso que não deve existir nenhuma norma que proíba um autor de retirar uma dedicatória de um seu livro. O livro pertence-lhe e cada edição é como se fosse um novo livro (normalmente só se fazem contratos com editoras para uma edição...).
Claro que do ponto de vista moral, e até ético, tudo isto é discutível (é por isso que temos opiniões diferentes...), poderão existir leitores que achem esta posição reprovável e estão no seu direito.
O que não me parece justo é a tentativa de se retirar valor literário a Saramago, dizendo que se não fosse a sua segunda esposa, ele não seria ninguém nas letras e outras coisa parecidas...
Ah, não! Absolutamente... não se pode de forma alguma desvalorizar a genialidade do escritor, seja ele qual for, por causa de comportamentos, atitudes ou ideias. Isso nunca! Seria de uma pobreza inominável e redutor!
EliminarGrande abraço!
Enfim, estou a responder em defesa do Srº ou Srº Anónima, porque tem razão quando fala da Srª Escritora Isabel da Nóbrega.
EliminarSim pq é uma Senhora.
Foi ela que ajudou o José Saramago a avançar como escritor.
Foi ela que o ajudou a passar de Escritor mediano e sem êxito a um grande Escritor.
Depois atreveu-se a mudar as dedicatórias dos livros à nova amada.
Tudo isto é público. Os trabalhos de casa são para ler antes de vir para aqui falar do que não sabem.
Por aqui me fico, pois não alimento estas quezílias.
A Maria do Rosário e talvez o marido possam responder.
Eles intitulam-se pessoas de letras.!!!!!!!!!
Se não alimenta quezílias para quê vir aqui alimentar a fogueira?
EliminarA Isabel era uma Senhora porque era de boas famílias?
Então as Senhoras viviam com homens sem se casarem? Duvido!
Ela viveu cerca de 14 anos com o João Gaspar Simões, e quando o deixou para se juntar ao Saramago o JGS escreveu "As Mãos e as Luvas", o tal "romance infame" cujos protagonistas são o retrato do casal Isabel/Saramago.
Ela viveu com Saramago de 1970 a 1986, depois apareceu a Pilar e essa sim, casou com o ele.
Curiosamente o Saramago só ganhou o Nobel em 1998, 22 anos depois da Senhora Isabel sair de cena - nesse caso foi a Senhora Pilar que o "ensinou" a ganhar o Nobel, não acha?
Lamento escrever isto, mas realmente como advogado de defesa o sr. Calixto não vale nada.
Não fez o trabalhinho de casa!
Anónima da Silva
12 anos depois, não 22 como por lapso digitei.
EliminarAinda assim são muitos anos!
A da Silva
Os escritores são iguais a tantos outros homens e mulheres... só que diferentes...
ResponderEliminar«Os escritores são todos uns chatos. Eu se fosse mulher não ia para a cama com nenhum.» O jovem António Lobo Antunes, em finais da década de 1980, numa entrevista feita pelo ainda mais jovem José Riço Direitinho
ResponderEliminarHá aqui alguns comentadores muito engraçados! ahahahah!
ResponderEliminarAté estou um bocadinho engasgada de tanto me rir!
Cristina Carvalho
Atrevo-me a dizer q o exemplo de Sophia Tolstoi foi um exemplo inoportuno. Teve um casamento infelicíssimo, Tolstoi era um misógeno emproado, sovina e egocentrico. Basta ler as Memórias de Sophia.
ResponderEliminarPrefiro a Isabel, que à pouco nos deixou, a Isabel, primeira mulher de José Saramago..........
A Luísa refere-se à Isabel da Nóbrega? Ela morreu? Não sabia.
EliminarDe qualquer modo, a primeira mulher de Saramago foi Ilda Reis, mãe de Violante Saramago.
Depois viveu com a Isabel da Nóbrega durante vários anos mas nunca chegaram a casar.
Por fim, como todos sabemos, casou com a Pilar del Rio.
Penso que todas o terão influenciado, cada uma à sua maneira.
Antonieta
Sabe mais que eu e ainda bem. Sou mesmo fã da Isabel da Nóbrega por isso o meu comentário mas longe de mim minimizar a mãe da Violante Saramago, apenas terá sido mais apagada, sabe-se lá porquê.....
EliminarHá sempre uma grande mulher por trás dum grande ou pequeno homem, neste caso escrito.
Mas da Sophia Tolstoi, li as memórias dela, o livro chama-se "Ma vie" no ano passado e, deus meu, aquele casamento foi o inferno na terra! A genealidade dele destrui-a completamente. Li em francês, que eu saiba não há edição nenhuma em português. Se quiser empresto-lhe.
Muito obrigada, Luísa, pela sua generosa oferta, mas tenho tantos livros para ler e tão pouco tempo...
EliminarE eu também gosto da Isabel da Nóbrega, costumava ouvi-la ler na Antena 1 - nessa altura nem sabia que ela tinha sido companheira do Saramago. Não sou muito "cusca" em relação à vida privada dos escritores, mas quando houve essa polémica das dedicatórias não resisti a "googlar" e achei curioso.
O José Saramago foi um homem de sorte pois teve três mulheres marcantes na sua vida.
:-) Antonieta