Cuidado com as palavras
As novas tecnologias favorecem uma comunicação demasiado rápida, mais reactiva e menos ponderada. Mas até um simples tweet ou um comentário no Facebook deve ser muito bem pensado antes de registado no mural. Um pequeno engano pode gerar uma autêntica desgraça para o seu autor – e, mesmo que ele dê pela calamidade e o oculte ou elimine, a verdade é que nuns segundos já poderá ter sido lido por muita gente. Uma autora de livros de cozinha do Reino Unido, chamada Jack Monroe (parece nome de homem, mas é uma mulher), que é também uma activista política e, ao que se diz, provocadora, ganhou recentemente um processo judicial que interpôs contra uma senhora que a terá difamado no Tweeter. Katie Hopkins, colunista digital, escreveu – em pouquíssimos caracteres, claro – que Jack Monroe teria sido vista a vandalizar um memorial de guerra quando, na verdade, tinha sido outra escritora a fazê-lo. Jack Monroe, que é parente de militares, sentiu-se ofendida, mas Katie, em lugar de se retractar, achou que um tweet era coisa insignificante e não pediu desculpa pelo engano. Resultado: teve de passar por um processo judicial que levou dois anos e foi condenada a pagar uma indemnização de 300 000 libras, embora Jack Monroe diga que não lhe guarda rancor e a queira convidar para jantar (mas Katie deve estar sem apetite). Bem, da próxima vez que escrever nas redes sociais ou até um comentário aqui no blogue, o melhor é pensar bem nas consequências antes de carregar na tecla ENTER. É que uma coisa destas, nos tempos que correm, pode acontecer a qualquer mortal.
Pensava que nestes tempos da "pós-verdade" não corríamos riscos desses.:)
ResponderEliminarFalando mais a sério, acho que a escritora fez muito bem. Só desta forma é que se consegue combater a "mentira" e fazer com que as pessoas percebam que não podem dizer tudo o que lhes apetece, muito menos mentiras que colocam em causa os outros.
Em relação ao "pensarmos antes de escrevermos" neste blogue, até penso que existe liberdade a mais. Além de não haver moderação de comentários, até é possível comentar ou "provocar" outros comentadores debaixo da capa do anonimato...
Luís, mas o que eu acho extraordinário neste blog é precisamente não haver moderação de comentários.
EliminarA Rosário é mesmo extraordinária e, exceptuando um ou outro caso, os comentadores até se portam bem...
Espero que assim continue.
Antonieta
Mas eu também acho extraordinário, da parte da Rosário, ela deixar sempre a chave da porta, no lado de fora, não se preocupando com os mais famintos, que vão à fruteira e ao frigorífico, como se fosse tudo nosso, Antónieta. :)
EliminarAcho que a Rosário é uma pessoa extraordinária e generosa (parece que estou a "dar graxa" mas não, é isto mesmo que eu penso). Achei engraçada essa ideia tão Beirã de deixar a chave na porta, Luís, mas estou convencida que ela não se importa de partilhar comida com os famintos, digo eu.
EliminarSó espero é que não lhe assaltem o famoso corredor/biblioteca - ela não merece, até porque doou imensos livros repetidos à Déjà Lu, uma livraria solidária de Cascais que é um espectáculo.
Se puder leia na revista do Expresso de 18 de Março a reportagem sobre bibliotecas de escritores.
Abraço, Luís.
Antonieta
«Juidicial» tem uma sonoridade e eventualmente um significado diferentes do que certamente pretendia... (risos). Desculpe, não se trata de brincadeira no sentido pejorativo do termo, mas apenas da confirmação de que tem, obviamente, razão.
ResponderEliminarObrigado pelos seus comentários/artigos.
Gostei de a ver e ouvir ontem no Curso de Cultura Geral.
Tenha uma boa semana e continue a agraciar-nos com as suas palavras.
Bem-haja.
Obrigada! Vou já corrigir essa gralha.
EliminarTambém gostei de "ouver" o Curso de Cultura Geral ontem - e hoje, pois estive a revê-lo na 2.
EliminarÉ pena acabar para a semana, pois embora tenham sido todos interessantes, alguns foram mesmo excelentes.
O que me agrada neste formato são as pistas que vão sendo deixadas para nós podermos pesquisar. Por exemplo, já fui ver As Nuvens do Alfred Stieglitz e A Liçao de Música do Vermeer (Rosário) e ler A Fuga da Morte do Paul Célan (Isabel Capeloa Gil).
E todas as semanas tenho descoberto coisas interessantes.
Antonieta
Pois eu, sentindo sempre um inexplicável fascínio por Clarice Lispector, mas de quem nunca li nenhuma obra de fio a pavio, fui hoje buscar Perto do Coração Selvagem. É interessante quando lemos depois de termos sido «acariciados» por um nome...
EliminarEsse é um dos poucos livros dela que ainda não consegui ler, mas já li uma boa meia-dúzia.
EliminarPara além dos Laços de Família e Um Sopro de Vida, destacaria A Descoberta do Mundo - um livro de crónicas absolutamente fabuloso.
Antonieta
Obrigado. Fica registado.
EliminarAh e esqueci-me de dizer:
EliminarAdoraria ler aquela tese de doutoramento do Carlos Mendes de Sousa, mas deve ser impossível de encontrar por cá...
Antonieta
Bom... é o reverso da medalha, certo?
ResponderEliminarHá uma liberdade excessiva? Não creio, pois sou dos que acreditam que a liberdade nunca é em excesso. O que se confunde é desfaçatez e falta de senso ou de educação, com liberdade.
A liberdade para ser plena, exige senso e responsabilidade e quem de algum modo se torne mediático, passa a ter uma responsabilidade acrescida, como será o caso das duas intervenientes do caso aqui trazido.
Aliás pertinente!
Saudações mais ou menos livres, cá da Cidade Morena.
Ui!, acontece tanto!!
ResponderEliminarGrande atitude para fazer o que fez. Mas se tivesse atuado junto dos tribunais portugueses talvez viesse a arrepender-se. A sua reação seria ainda mais impetuosa do que perante a resposta ao tuíte.
ResponderEliminarEmbora não frequente o facebook nem o tweeter, julgo que em Portugal existe muita difamação sem consequência e que assim vai continuar. A justiça portuguesa é morosa e nem daria conta de queixas que caíam como chuva. Parece-me que a senhora foi bem multada, mas é uma soma astronómica. Fiquei com alguma compaixão, apesar de ser a responsável pela acusação infundada.
ResponderEliminarAs palavras também podem perder-nos.