Cegueira
Andava eu à procura de um poema de João de Deus na Internet (mais propriamente, «Ceguinha», texto que conheço desde a infância mas do qual a minha memória perdeu algumas quadras), quando o motor de busca me conduziu a uma página muito curiosa – na verdade, um site sobre a deficiência visual. Entre várias opções mais prosaicas, que se prendiam com a saúde dos olhos, uma delas indicava «Cegueira e literatura»; e, ao clicar, descobri uma extensa lista de obras literárias que de algum modo se relacionavam com o problema da cegueira: A Aventura de um Míope, de Italo Calvino, Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, A Colecção Invisível, de Stefan Zweig, A Sinfonia Pastoral, de André Gide (e que lindo que é este livro!) e outras coisas mais evidentes, como a autobiografia de Helen Keller ou a obra de António Feliciano de Castilho; e, bem entendido, também o poema de João de Deus que procurava. Mas há ali mais de 300 títulos, alguns ainda não traduzidos em português, livros de agora e de todos os tempos; e perguntei-me quem conseguiu coligir tantos livros que falam de cegos, têm cegos como personagens ou evocam, mesmo que apenas de raspão, a cegueira. E também pensei que, paradoxalmente, talvez os maiores interessados em lê-los sejam justamente os que não o podem fazer, o que é realmente muito injusto. Para quem queira consultar, aqui segue o link:
http://www.deficienciavisual.pt/r-Miseria&Ceguinha-Joao_de_Deus.htm
O maior cego é quem não lê.
ResponderEliminar«Deixem Passar o Homem Invisível» de Rui Cardoso Martins
ResponderEliminarhttp://scriptorium.blogs.sapo.pt/deixem-passar-o-homem-invisivel-de-rui-6913
Comprei-o em Agosto de 2009, foi o meu primeiro livro do Rui Cardoso Martins. Adorei fazer aquele percurso subterrâneo - percurso que eu tão bem conhecia à superfície - com o menino e o homem "invisível". Nunca mais esqueci o trocadilho nem o autor.
EliminarTenho comprado outros livros dele, que estão agora a ser editados pela Tinta da China.
E também gosto de o ouvir às Quartas na Antena 1.
Antonieta
Sim, é uma boa memória de leitura! E de reflexão: Invisível? Invisual? Ser visto? Ver? Vermo-nos, sabendo que somos vistos? Ver os outros, sabendo que não podemos ser vistos?
Eliminar"O Músico Cego" - Vladimiro Korolenko (nº. 2, da excelente colecção "Livros de Bolso Europa-América")
EliminarPeço imensa desculpa, caro ASeve.
EliminarEscrevi sobre o mesmo livro dois minutos depois do seu comentário.
Mas duas recomendações valem mais que uma, não é?
Ó Ana apenas e somente transmissão de pensamentos e falar de livros nunca mas nunca me cansa.
EliminarMas efectivamente "O Músico Cego" é um grande livro!
Talvez todos nós soframos de algum tipo de cegueira. Por vezes distorce-se o passado e não se vê nada do futuro ( excepto os que têm bola de cristal, claro).
ResponderEliminarA cultura com todos os seus componentes, afinal não passa de um fio tecido de afinidades electivas que nos guia neste labirinto de cegos...
Só hoje vi o seu comentário Antonieta ( peço desculpa pelo 2 em 1).
Gosto muito do Wim Wenders, aproveito para recomendar “ O Sal da Terra” do mesmo realizador. Não é um filme é uma epifania .
E não falo alemão, muito menos escrevo pois ainda seria maior a baralhação
Bom fim de semana:)
Eu tenho O Sal da Terra em dvd (comprei com o Público) e nessa altura também comprei o livro "Da minha terra à Terra", do Sebastião Salgado. E que pena tenho de não ter podido ir ver a exposição dele a Lisboa.
EliminarEu arranho umas coisitas de alemão, aí há uns mil anos fiz a alínea de Germânicas no Liceu e ainda andei 3 anos no Instituto Alemão - adorava subir o elevador do Lavra para lá chegar.
Bons tempos!
Bom fds para si também, Puck.
:-) Antonieta
Bom... realmente ele há os cegos-invisuais, os que não querem ver e os que só vêem o que querem... mas, o estado de cego (privado da visão) é talvez daqueles que mais assusta o ser humano, não será?
ResponderEliminarDaí não admirar que seja tema da nossa Extraordinária literatura!
Escreve-se bastante sobre os nossos medos humanos, não é?
Idem sobre as demais formas de cegueira.
Curiosamente Gide, autor da Pastoral, usou também o tema para em volta dele e de uma menina cega, escrever esse lindíssimo e humano romance. Este escritor fascinante pautou-se pela sua actividade contra e a favor, mudando de campos conforme se deixava cegar e recuperava a visão, ou vice-versa consoante o queiramos interpretar.
É um autor controverso, mas creio que pouco divulgado, mas como referi sobretudo uma personagem fascinante.
Saudações de olhos bem abertos, cá da Cidade Morena
Bom... realmente ele há os cegos-invisuais
EliminarÓ Pacheco, talvez por estas e por outras é que os cegos não gostam que lhes chamem invisuais.
Gostei muito de "O músico cego", do ucraniano Korolenko.
ResponderEliminarUm romance repleto de imagens sonoras. Achei notável como o escritor
conseguiu vestir a pele de uma pessoa que não vê.
Bom fim-de-semana :)
Hoje no Público
ResponderEliminarREPORTAGEM
Não têm espaço e por isso estão a oferecer uma biblioteca
Joaquim Sousa Pereira (Rua da Alegria-Porto) já não lê os 50 mil livros que juntou, mas o prédio foi vendido e a família tem de tirar todas as histórias do apartamento. Os que não conseguiram resgatar estão a oferecer.
Disse o também cego J.L.Borges: «Para a tarefa de um artista, a cegueira não é necessariamente uma limitação. Ela pode ser um instrumento».
ResponderEliminarRosário, podia pedir que se reeditassem os livros de Gide.
ResponderEliminarNão se encontram, a não ser em alguns alfarrabistas.