Verosímil?

Quando estou a ler romances de autores que nunca publicaram, um dos problemas que mais frequentemente encontro é a falta de verosimilhança. Coisas muito forçadas, coladas com cuspo ou metidas a martelo porque dão jeito para justificar qualquer passagem anterior, mas que nem por um minuto acreditamos que pudessem ter acontecido. Uma vez por outra há um autor que reclama dizendo que, embora eu ache certos episódios inverosímeis (plural de inverosímil, e não aquela palavra irritante que tanta gente escreve acabada em «mel»), se baseou numa história verdadeira, portanto, em factos que aconteceram mesmo. Nesses casos, parafraseando aquela máxima aplicada à mulher de César, costumo dizer que, nos romances, não é preciso ser verdade, tem é de parecer… Li recentemente uma crítica a um livro inglês (ou metade, porque já não a li até ao fim) que me fez recordar estas conversas. Escrevia o crítico que no romance You Too Can Have a Body Like Mine, de Alexandra Kleeman, se conta a dada altura a história de um russo que começou a tossir e encheu um lenço de sangue. Foi imediatamente levado para o hospital onde, depois de radiografado, lhe descobriram uma massa densa e irregular no pulmão esquerdo. Todos pensaram que tinha um cancro e decidiram operá-lo de urgência; mas, assim que lhe abriram o peito na cirurgia, os médicos encontraram, implantada no seu pulmão, uma pequena árvore... Diria eu, se não se tratasse de um romance de tipo fantástico (e não se trata), que tal enredo era completamente inverosímil. E, segundo o crítico, a história do russo é mesmo verdadeira. Larguei, pois, a crítica e fui à procura de saber coisas do homem que tinha um abeto junto ao coração. Daria, parece-me, uma história bonita para crianças.

Comentários

  1. Realmente, chatearem-se com o Roosevelt numa situação tão delicada... eu cá punha o Trump! Era mais verosímel!

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  2. Olha quem você foi desenterrar! O Dr. Domingos Monteiro Pereira, era de Mesão Frio e frequentava em Lisboa (onde exercia direito) a casa de meu avô Pacheco, que era Douriense. Foi também correligionário do meu avô Abreu no Partido Renovador Democrático! Possuo algumas das suas obras: desde logo "A história da civilização", e "Paisagem social portuguesa". E assim de memória, o romance "O crime de Simão Bolandas", "Histórias do outro Mundo"... e mais alguma coisa de que não me lembro.
    Sempre foi uma fascínio para mim ler as coisas escritas por pessoas que conheça ou conhecer pessoas que escrevem o que leio. A sua mulher D. Ana Maria Trovisqueira, que era mais nova do que ele se bem me lembro, era uma senhora muito culta que o auxiliava na sua actividade da escrita!

    O Mundo é realmente pequeno, ó Caro Anónimo! Não me diga que é Transmontano ou Douriense?

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  3. Quero lá eu bem saber como é que ele fará um filho, ó Extraordinária Anabela... intriga-me muito mais como é que vai escrever o livro!!!!! Ahahah!

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  4. Não está a desdenhar mas sim a caracterizar, claro.
    Boa gente, claro.
    Boa gente também eram os patrões que permitiam que os caseiros e as crianças vivessem como animais.
    Olhe, vá-se catar!

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    1. Se não quer entender, não entenda... o problema é seu e não me afecta.
      As pessoas viviam como viviam, na época e na conjuntura existente, o que parece afectar a sua elevada sensibilidade é mero desentendimento e não humanidade exacerbada.
      Sabe... eu estudei para os exames do 7º ano do liceu (antigo curso complementar) à luz do candeeiro a petróleo e o meu colchão era de folhelho de milho, e nem por isso era filho de pobres quinteiros.
      Há pessoas que não podem ler, nem ouvir... porque lhes falta a capacidade de entendimento, o saber como foram ou eram as coisas em épocas anteriores e como é que as pessoas viviam e se criavam. Pois o que lhe digo é que leia apenas actualidades onde se fale das maravilhas da vida moderna!

      Vá-se catar você, que parece ser quem tem comichão... eu não.

      Já agora, se tiver coragem para isso, leia o romance do José Cipriano Catarino "Entre Cós e Alpedriz", para saber como se vivia nas aldeias pobres do interior . É uma obra que devia ser de leitura obrigatória para que os modernos, sensíveis e evoluídos percebam que não era filme era a realidade de um país, de um Mundo! São memórias que não se podem deixar esquecer, para que não se reaja como você o fez, em nome dessa mesma humanidade que você despreza, não eu! Eu apenas relatei como era.

      E está dispensado de me responder... ou comentar, o que agradeço dada a sua falta de respeito, de chá, de consideração e de entendimento. Não venho a este espaço para ser ofendido e nem para ofender.

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    2. Para quem bebeu tanto chá o verniz estalou depressa. E também não se coíbe de ofender... mas enfim, nada que me surpreenda.
      Quanto a não comentar, enquanto não receber nenhum raspanete da Maria do Rosário Pedreira, acho que vou continuar.
      E já sou velhote, e conheço bem a realidade e a dureza da vida de antigamente - e imagine que até conheço bem Cós e Alpedriz.
      E também sei de quem tratava com mais humanidade os empregados rurais
      Boas caçadas e touradas, etc. e tal.
      Fique bem!

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    3. Olhe sabe que mais, você comporta-se aqui como a águia dos Marretas, sabe... assim uma espécie de Diácono Remédios, só que sem graça.
      Embirra com a Cláudia, critica o Severino, aponta tudo a todos, etc. Agora são os meus avós, enfim parece que é uma espécie de censor de serviço, serviço esse que aliás suponho ninguém lhe tenha encomendado.

      Vou-lhe contar uma cena d'os Marretas, a que suponho não tenha assistido, mas cá vai:
      O convidado da noite é o Alice Cooper, o que motiva óbvios protestos junta da direcção (sapo Cocas) do censor de serviço, Sam a Águia Americana (que faz mesmo lembrar o Trump). Não lhe dão atenção e ele decide ir confrontar o Alice Cooper directamente, entra no camarim, olha-o fixamente e diz com ar grave de censura:
      Alice Cooper, tu és um maroto, inoportuno freak!
      Resposta do outro: Oh! Obrigado!

      No fundo é a figura que faz meu caro.

      Se quiser pode ver a cena aqui;
      https://www.youtube.com/watch?v=SQZooJhBG_E

      Ahahahah!

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  5. Gostei do enredo e não o acho assim tão inverosímil senão no que toca a conhecimento mutuo de cinema francês.

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    1. Pois é exactamente esse o cerne da questão: um cabo especialista da marinha que foi moço de lavoura e uma prostituta africana, vinda do mato ... a terem conversas profundas sobre cinema francês. Os demais detalhes vá que não vá... mas acho que este é de tal modo inverosímil ou improvável ou inacreditável, que choca e fere de morte a história.
      Mas, enfim, é a minha opinião...

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    2. Não. É a nossa opinião.

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    3. ... ó isso! Ahahah!

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  6. Também fiquei curiosa com esta história. Será que o Amigo Pacheco quer compartilhar connosco o nome do livro?
    Antonieta

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    1. "Os cardos morrem a seu tempo".
      De Manuel Pinto Cabral, da incontornável Chiado Editora.

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    2. Os Cardos Morrem a seu Tempo livro que eu li, não é um cabo eletricista mas marinheiro que faz a navegação, e são duas irmãs que são muito parecidas uma bastante rica e outra pobre.

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  7. Também gostei muito dessa história do Gabo.
    E haverá histórias mais inverosímeis que as do Júlio Verne, que afinal se tornaram reais muito mais tarde?
    E o D. Quixote?
    E o Principezinho?
    E a Alice?
    Tudo fantástico, tudo inverosímel, tudo belo!
    Antonieta

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