Regresso ao Paraíso
Amanhã deverá estar à venda O Paraíso, de Paula de Sousa Lima, natural dos Açores, que foi o único romance a chegar à final do Prémio LeYa no ano passado. A sua história começa ainda durante o reinado de D. Carlos: os habitantes de uma recôndita aldeia resolvem castigar, certa noite, os praticantes de um pecado que consideram hediondo, deitando fogo à sua casa na orla de uma floresta paradisíaca. E é tal a sanha colectiva que só duas pessoas não participam do massacre: a parteira e o padre; conseguindo adiantar-se à tragédia, resgatam um par de gémeos recém-nascidos da cabana, baptizados e entregues nessa mesma noite a orfanatos. É depois à vida destes irmãos que assistiremos, separados e sem saberem que têm, algures, uma alma gémea. E, à medida que os autores do crime vão morrendo na aldeia – a própria culpa castiga –, a parteira nunca mais deixará de se perguntar pelos meninos que salvou, ignorando que o regresso deles à terra é uma possibilidade. Muito bem escrita e com personagens formidáveis, esta é uma narrativa sobre o preconceito e a incapacidade de fugir ao destino, algo lobo-antuniana, algo queirosiana também.
Uma resenha interessante... e os Açores brindam-nos frequentemente com muito bons autores! Olha, rima e é verdade!
ResponderEliminarFico agora curioso em saber qual o pecado considerado hediondo... será que eram proprietários que deixavam os seus trabalhadores dormir em colchões de palha?
Ahahah! Não resisti... é sinal de que estou finalmente a recuperar do forte ataque de paludismo de que sofro desde Sábado passado e me impediu até de ir à pesca no fim de semana como vai ainda condicionar este que se inicia, deve ser a minha punição!
Quem sabe ainda vou escrever um romance a propósito:
- Alguém, perseguido pelo carma de no passado os seus avoengos terem mantido os trabalhadores na miséria, vê-se exilado para África empurrado pela crise económica que assola o país, e ali sofre as vicissitudes de ser branco, da baixa do petróleo e ferroadas dos mosquitos anopheles! Vê-se na contingência de ter de pescar para comer, e, salva-o a sua fiel e leal servidora, mulher piedosa e da Igreja, quem lhe faz um bolo de mandioca todo torto porque a forma não cabe direita no forno e o consolo de um alegre bando de crianças vizinhas, animadas, com quem vai à praia!
No fim, vê a luz da redenção e converte-se à IURD, tornando-se pastor!
Que me dizem a Drª Maria do Rosário e demais Extraordinários? Com um enredo destes terei alguma hipótese de concorrer ao Prémio Leya? Por exemplo...
Saudações menos palúdicas cá da Cidade Morena!
O que dizemos?
EliminarEu digo que imaginação não lhe falta, agora pôr isso em termos literários é que não sei... mas pode sempre tentar - afinal 100 000 € é bastante dinheiro, penso eu de que.
Se entretanto descobrir qual é o crime hediondo, conte aqui ao pessoal, ok?
E olhe que é capaz de meter colchão, de folhelho ou outro material, eheheh!
Boas melhoras!
Antonieta
Se é assim tão bom, é caso para dizer que a Leya decidiu meter 100 000 euros ao bolso o ano passado...
ResponderEliminarE agora quer meter mais uns quantos...
EliminarEstranho, não é?
EliminarTinha qualidade para ser vencedor e não venceu por ser o único?
É como chegar à meta da maratona e não ser vencedor apenas porque os outros ficaram pelo caminho...
Incompreensível!
O tema parece-me bem interessante, vou espreitar o livro assim que puder.
Antonieta
I) "O júri do Prémio Leya 2016, formado por Manuel Alegre (Presidente), José Carlos Seabra Pereira, José Castello, Lourenço do Rosário, Nuno Júdice, Pepetela e Rita Chaves, deliberou por unanimidade não atribuir este ano o Prémio, tal como previsto no Artigo 9, alínea f) do regulamento.
EliminarLisboa, 19 de outubro de 2016,
Manuel Alegre, Presidente do júri"
II) Artigo 9, alínea f): "Se as obras concorrentes não apresentarem a qualidade exigida, o Júri poderá deliberar não atribuir o Prémio."
Das duas uma: Ou os seleccionadores das obras não estão de acordo com o júri (e não me admira nada, porque alguns deles não me parecem nada competentes para avaliar obras de ficção); ou a obra apresentada a concurso e escolhida como finalista terá sido bastante modificada desde então para merecer a publicação.
E o que terá acontecido aos vários finalistas de 2010, quando também não foi atribuído prémio? Deram-lhes esta oportunidade de trabalhar as suas obras? Infelizmente, nem sequer terão sabido que foram finalistas... (não há nenhuma lista das 4 obras finalistas desse ano...).
No mínimo, mandaria o bom-senso que a presente obra não tivesse sido apresentada como finalista do prémio Leya.
Completamende de acordo com o seu último parágrafo!
EliminarE eu fui googlar antes de comentar para tentar perceber... mas não consegui.
Ou tem qualidade para chegar a finalista (e eventualmente a vencedor), ou não tem qualidade e junta-se aos restantes 448 concorrentes - parece simples, mas afinal é complicado ;-).
Antonieta
A minha primeira citação atrás, o comunicado do júri após decidir não atribuir o prémio de 2016, vem em:
Eliminarhttp://leya.pt/pt/gca/areas-de-actividade/premio-leya/premio-leya-2016/
A minha segunda citação, referente ao artigo 9, alínea f), vem em:
http://leya.pt/pt/gca/areas-de-actividade/premio-leya/regulamento-premio-leya-2017/
Para 2010, foi dito na altura pela editora para os meios de comunicação que havia 4 finalistas. O prémio não foi atribuído nem indicada a lista dos finalistas. Confirma-se na página principal:
http://leya.pt/pt/gca/areas-de-actividade/premio-leya/
Ou seja, decidiu-se não gastar o dinheiro mas também não se disse quais eram os finalistas. Caso tenham sido publicados, não o foram com o rótulo: "Estamos a publicar esta obra, que NÃO foi considerada boa pelo júri do Prémio Leya. Ora leiam que afinal é boa." Eis o comunicado do júri de então, em 29 de novembro de 2010:
in http://leya.pt/pt/gca/areas-de-actividade/premio-leya/premio-leya-2010/
"O Júri do Prémio LeYa reuniu esta tarde na sede da editora, em Alfragide, para deliberar sobre a atribuição do Prémio relativo a 2010.
Perante originais que, apesar de algumas potencialidades, se apresentam prejudicados por limitações na composição narrativa e por fragilidades estilísticas, o Júri entendeu que as obras a concurso não correspondem à importância e ao prestígio do Prémio LeYa no âmbito das literaturas de língua portuguesa. Em consequência, e de acordo com a alínea f) do art.º 9 do respectivo Regulamento, decidiu por unanimidade não atribuir o Prémio LeYa referente ao ano de 2010.
Alfragide, 29 de Novembro de 2010
Assinado, por esta ordem:
Manuel Alegre
Carlos Heitor Cony
Rita Chaves
Lourenço do Rosário
Nuno Júdice
Artur Pestana (Pepetela)
José Carlos Seabra Pereira"
Extraordinário Pacheco
ResponderEliminarFalta aí uma trama amorosa. Sem ela não há romance.
Talvez tenha insinuado algo com a "fiel e leal servidora". Se não, poderá recorrer a uma figura que terá deambulado entre Benguela e Durban, Ofélia de seu nome. Em resultado de uma corruptela induzida por uma língua nativa, davam-lhe o nome de Anofélia.
Desejo-lhe rápidas melhoras a tempo da sua pescaria neste fim-de-semana.
Temos então trama????
EliminarAhahah!
Talvez seja politicamente incorrecto referir a "fiel e leal servidora" que pode fazer surgir fantasmas e traumas do colonialismo ou até machismo. Passaremos então a ter a "decidida e empreendedora funcionária de apoio doméstico" ... que tal? Soa melhor?
Isto vai, isto vai...
A trama amorosa... claro!
EliminarMas eu pensava que no pós-modernismo feminista que vigora, o amor fosse até de combater porque aviltante da condição do ser humano ao toldar-lhe as capacidades e o discernimento... no entanto parece-me boa a sugestão da Anofélia, é mesmo genial, porque pica e atordoa! Ahahah!
Isto é Extraordinário, um blog destes só pode produzir uma obra asseada, no mínimo finalista ao Prémio Leya!
Feminismo = igualdade
EliminarTantos problemas com o Feminismo. Resume-se a igualdade. Nem mais nem menos para um lado. É simples, não? Ninguém pede mais do que merece.
EliminarNem menos por ser mulher.
Não. Soa pior. É melhor retirar o empreendedorismo:).
EliminarParece interessante!
ResponderEliminarAdoro Lobo Antunes e adoro Eça. Ligando ambos não imagino o que dará, mas também não saberei porque não comprarei o livro.
ResponderEliminarPois eu abomino Lobo Antunes e adoro Eça - não sei se o vou comprar, mas vou folheá-lo de certeza.
EliminarMeu caro anónimo se abomina o Antunes, como eu, leia a crónica do António Guerreiro no último YPSILON intitulada o Génio Calado que é obviamente o Antunes.
EliminarEntão leia as entrevistas de Anabela Mota e de muitas outras.
EliminarO Antunes! Conhece-o?
EliminarDetesto que se refiram a escritores, pintores, e afins com o Antunes, o Tolstoi, a Irene.
Ahahah! Mas se forem padeiros ou merceeiros já não se importa?
EliminarPois se até nos referimos assim a presidentes da república...
E para aumentar a confusão dos anónimos também não vou assinar.
Penso que o Cem Anos de Solidão afectou muitos autores e editores. Tanto que qualquer imitação deste género literário parece prevalecer ainda hoje no imaginário "criativo" sem qualquer interesse ou sentido. E a Senhora Maria do Rosário Pedreira desvendou o enredo do Paraíso... O que haverá mais para descobrir? Sendo este romance o único finalista do Prémio Leya é previsível que a editora tenha defendido tão desejado Paraíso. Mas a autora, coitada, esteve tão perto do paraíso dos cem mil e não viu um cêntimo... Há horas extraordinárias na vida de uma pessoa.
ResponderEliminarOlha lá, Maria do Rosário, estou a ler um livro com uma parteira, é de uma autora dos Açores, é só bruxaria e coisas extraordinárias. Ai sim? mostra lá. E também tem dois gémeos que não se conhecem, nasceram de duas mães, parece que eram irmãs e estavam pegadas pelos ombros e tinham uma vagina ao meio, não no meio de cada uma, mas ao centro das duas, e o marido não tinha por onde escolher, ia ao meio delas e abraçava as duas, é só realismo marado, com padres e tudo.
ResponderEliminarGostei muito de a "ouver" agorinha mesmo, na rtp3, a falar da Vegetariana - um livro que adorei ler e que descobri graças a si.
ResponderEliminarBom domingo!
:-) Antonieta