Pobres avós

Os laços de parentesco são, aparentemente, muito fáceis de entender; e, quando, por exemplo, aprendemos uma língua estrangeira, entre os primeiros vocábulos que nos ensinam estão, quase sempre, as palavras «pai», «mãe», «irmão», etc.; mas, antes dessas, também a palavra «nome», que é, de resto, a forma de cada um de nós se identificar junto de alguém. Quando era pequenita, uma das minhas sobrinhas perguntou o nome completo à avó (a minha mãe) e, ao ouvir o apelido «Pedreira», comentou muito espantada: «Ah, então eu e a avó somos da mesma família!» Foi uma risota descobrir que, para ela, o termo «avó» dizia, enfim, menos do que o nome que era comum a ambas. As crianças têm a sua maneira de pensar muito própria e, já que falei de uma avó e de uma neta, não resisto a partilhar convosco um texto que apanhei por aí, escrito por uma criança, certamente a pedido de uma professora; é, no fundo, uma composição sobre as avós. Eu fartei-me de rir e apreciei bastante a qualidade da redacção. Quanto às ideias… Bem, espero que se divirtam tanto como eu.


 


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Comentários

  1. Uma delícia, de facto, e com muitas verdades também.
    Nem de propósito, ouvi há pouco na Antena 1 uma crónica da Susana Moreira Marques dedicada ao avô, que faz amanhã 90 anos, e que me deixou surpreendida e comovida.
    E vivam as avós e os avôs!
    Antonieta

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    1. Também me comoveu a crónica da Susana.
      Aliás, as crónicas dela comovem-me quase sempre.

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  2. É curioso, como aqui em África, não se usa muito o termo avô. Aliás os avós não parecem ter o papel e o peso que têm aí, respeitam-se os "mais-velhos", claro, e bastante, mas não vejo que o conceito de avós seja o mesmo.
    Aliás, aqui o tratamento mais respeitoso que se dá a alguém, sobretudo a um velho é de "pai" e "mãe", nunca vi ninguém tratar um mais-velho por avô...
    As crianças, e falo pelo que observo das minhas vizinhas que me tratam todas por "tio" e estão sempre a ver quando distribuo umas gomas ou as levo à praia todas ao molho na caixa da carrinha, vivem em grupos entregues a elas próprias... muitas vezes na casa ou sob a supervisão das avós, mas funcionam desde muito cedo como um grupo, familiar ou não. As mais velhinhas controlam, educam e organizam as coisas com as outras, fazem a distribuição de alguma guloseima, consolam e até castigam (vou ti bátê!) , e a coisa funciona... os avôs normalmente não parecem ter grande influência, as avós cozinham e ralham (óbviamente) só intervindo em último caso.
    São de facto situações muito diferentes, e a forma de viver destes garotos nada tem a ver com a dos nossos, diria mesmo que são mais desenrascados e felizes, pena é que morram mais...
    Ah... e não se conhecem casos de bullying , porque se há um que abusa do mais pequeno, os outros juntam-se todos contra ele... é curioso!

    Saudações palúdicas cá da Cidade Morena

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  3. Amei o "sobretudo se não tiver televisão". Mas, pensando nas minhas avós e no que eu mesma escreveria, falta alguma coisa muito importante para uma criança e que, julgo não ser esquecível, e que é, "eu gosto muito da minha avó" . E de certeza, mais alguma coisa que o amor ditaria, como as pequenas coisas que cada avó (ou avô), faz a um neto(a) e com ele, só para o comprazer.
    Essa composição engraçada parece-me pouco pessoal. E de uma avó, não se fala assim, como se de coisa exterior. Se foi uma criança que escreveu era infância muito sui generis.

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    1. Ponho as mãos no fogo em como não foi uma criança que escreveu. Apenas um adulto que escreve muito bem, atento ao espírito do tempo e com bastante sentido de humor.

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    2. Isto deve ser de algum adulto. O que não falta na internet são este tipo de coisas "escritas" por crianças.

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  4. O meu neto reconhece os colegas que são mais velhos porque são mais altos. O pai é mais velho porque é mais alto. Quando lhe quis explicar que sou mais velho que o pai porque sou pai dele, disse-me "Não, não, ele é mais velho porque é mais alto".

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  5. Cláudia da Silva Tomazi16 de fevereiro de 2017 às 03:39

    O parentesco trata-se de um (espaço) extraordinário. E, creio há significativas diferenças entre o modo peculiar em amável e, sensível aprendizagem de quando acolhida por avós e avôs. Certamente, através de expressões, composições e sonoridades, crianças desenvolvem-se habilitando-se aos primeiros movimentos, enquanto percebem-se felizes e bem amadas. A figura parental tem papel fundamental e disciplinar ao discernimento, nada entretanto o quão (representativo) estimular-se-á harmoniosa conivência, afinal a fruta nem cai longe o pé.

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    1. Não levem a mal a pergunta, mas esta senhora tem a língua portuguesa como materna?
      Parece uma tradução feita pelo google. É raro entender o comentário inteiro.

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    2. Não, não levo a mal.
      Não, não tem.
      O caso é que o tema de hoje trata dos avós, o que calha bem porque Cláudia tem a língua portuguesa como avoenga, não como materna.
      Claro que ela trata esta convivência da língua materna com a avoenga como uma “harmoniosa conivência”.
      É das tais coisas: “o parentesco trata-se de um (espaço) extraordinário”.
      Mas atenção, que há aqui “significativas diferenças entre o modo peculiar em amável”.
      Isto é: o texto pode parecer uma peculiar tradução feita pelo google.
      Porém, o que Cláudia nos propõe são textos na amável forma de puzzle, o que nos exige um extraordinário esforço mental e intelectual para – com a ajuda da avó, vá lá... – conseguirmos encaixar as peças.
      É este o serviço que ela nos presta, e que devemos agradecer-lhe.

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    3. Cláudia da Silva Tomazi16 de fevereiro de 2017 às 08:11

      Óbvio. Quem é do tempo da outra, senhora...

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    4. Pois eu cá levo a mal!
      Critica toda a gente, particularmente a Cláudia, o Severino... ontem calhou ser com os meus avós, quem diabo é que lhe disse que era a consciência deste blog?

      Recomendo que vejam neste link
      https://www.youtube.com/watch?v=SQZooJhBG_E
      a versão marretacional deste anónimo, em Sam a Águia numa cena hilariante com Alice Cooper!

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    5. Sr. Pacheco, fiz esta pergunta inocentemente, creia se quiser.
      Alem do mais, nunca, aqui nem noutro blog critiquei alguém. Nem todos os "Anónimo" são os mesmos.

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    6. Caríssimo Anónimo:
      Não me leve a mal também, pois nem sou briguento nem provocador, se bem que goste das coisas claras e aprecio uma brincadeira.
      É o mal dos anónimos... nunca sabemos quais ou quem são e levam todos pela mesma tabela.
      Por isso as minhas desculpas, se errei o alvo - como parece.
      Mas que o "suquete" tem piada, isso tem, há-de concordar!

      Saudações cá da Cidade Morena

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  6. Também concordo em que o texto terá sido escrito por um adulto – tem uma abrangência de temas e ao mesmo tempo um poder de síntese que não são de criança. E, claro, falta a exclamação afectiva sobre a avó concreta que essa criança teria, o que foi com certeza propositado, mas trai o adulto que escreveu…
    Fez-me lembrar outro adulto que escrevia e cantava tão bem sobre os velhos (“Les Vieux”) e as crianças (“Un Enfant”), Jacques Brel. O poema Un Enfant saiu-me num tema de composição francesa na escola, quando teria uns 14 anos, e tocou-me de tal forma que ainda hoje o sei de cor. Les Vieux descobri muito mais tarde, já adulta e com pais a envelhecer, e acho-o igualmente tocante.
    Filipa

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    1. Cara Filipa,

      Nem mais. Muitíssimo bem explicada a certeza que se tem, ao ler o texto, de que foi escrito por um adulto. Acrescente-se ainda que, à primeira vista, nem um erro se encontra no texto, o que também é pouco verosímil (a não ser que seja o texto seja de um outro tempo, o que tornaria a coisa mais provável...). E nem uma rasura... A única coisa que admito é que um adulto escreveu e pediu a uma criança para que passasse a limpo com a sua letra. Ou, claro, e isto explica logo tudo, é um trabalho de casa feito por um dos pais, como agora é mais do que comum.

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  7. Não me importa se foi escrito por uma criança ou um adulto! Ao ler esse texto, por instantes, recordei-me do quanto a minha avó foi importante numa fase da minha vida... Obrigado!

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  8. Este texto foi escrito por crianças de oito anos, de Genéve, foi publicado na revista"Enfants de Partout", pertencente ao BICE (Bureau Catholique de l'Enfance, uma ONG internacional com sede em França, defensora dos direitos e dignidade das crianças do mundo inteiro. Aqui em Portugal foi publicado no Almanaque de Santo António em 1995, data desde a qual o tenho divulgado nos meus espectáculos de poesia e textos, e também no blogue e no facebuque. De resto também já o vi como sendo publicado até como sendo de uma criança do Cartaxo.
    Amílcar Mendes

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  9. Um texto enternecido que gostei de ler
    Abraço

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  10. Só li os comentários depois de ter escrito o meu. E espanta-me que alguns extraordinários tenham tantas certezas de que o texto foi escrito por adultos. Porventura não conhecerão tão bem como pensam as crianças. Sei do que falo pois ouço-as quando vou com teatro às escolas. É óbvio que a linguagem mais depurada com que o texto se apresenta, terá tido os retoques necessários feitos por quem acompanha aquelas crianças que o escreveram.

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    1. Eu diria que bastante depurada. Quem escreve afinal, quem é responsável pelo texto final, conjuga todas as ideias ou as crianças que as foram dadas desgarradamente?

      É um belo texto mas é ingénuo dizer que foi uma criança que o escreveu.

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    2. Correcção:

      Eu diria que bastante depurada. Quem escreve afinal, quem é responsável pelo texto final e conjuga todas as ideias... ou as crianças que as foram dado desgarradamente?

      É um belo texto mas é ingénuo dizer que foi uma criança que o escreveu.

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  11. Que texto tão bonito!

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  12. Eu convivi mais de perto com a minha avó paterna e nunca mais me esqueço, já lá vão seguramente mais de 60 anos, de uma ida ao alto da serra da Marofa, que calcorreávamos a pé, por estrada primeiro e por caminho de cabras depois, e de ter assistido pela primeira vez ao nascer do sol em pleno mês de Agosto. Só lhes digo que é um espectáculo...para um miúdo de 10 anos ver aquela bola de fogo a emergir do horizonte...A ela lho devo. Obrigado avó.

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