O que ando a ler

O meu querido irmão Jorge ofereceu-me no Natal o último livro de Ian McEwan, Numa Casca de Noz, traduzido por Ana Falcão Bastos, que tenho o prazer de conhecer há muitos anos. Possuo – julgo eu – a obra ficcional completa de McEwan (comecei a lê-lo pel’ O Jardim de Cimento em 1987, era ele um jovem e eu também), mas ainda não tinha conseguido pegar nesta maravilha que ando agora a ler. O protagonista do romance é – pasme-se! – um feto (enroladinho como se estivesse numa casca de noz) e, por acaso, já não lhe falta assim muito tempo para nascer. Concebido por Trudy (uma doidivanas manipuladora que bebe demasiado vinho, especialmente para uma grávida) e John (um editor de poesia melancólico que a ama desesperadamente), o bebé que fala connosco ouve tudo o que se passa dentro do corpo mãe (os pormenores são divinos) e bem assim cá fora, perto dela; e, por isso, não só anda preocupado com o estado do mundo a que virá aportar (Trudy gosta de ouvir rádio e as notícias raramente são animadoras), mas sobretudo com a família que lhe calhou em sorte, pois a mãe está em vias de trocar o marido pelo cunhado e, com a ajuda deste, «livrar-se» de John e… também, a seu tempo, da criança que tem na barriga. A cerca de duas semanas do parto, a indignação do bebé é grande e vamos ver como as coisas se vão desenrolar até lá, que ainda me faltam umas cem páginas, onde tudo pode acontecer. Uma escrita fantástica, uma leitura desafiante.

Comentários

  1. Ian McEwan é um grande escritor. Ainda não li este mas já o tenho comigo para um qualquer par de dias este ano.
    Estou a ler o "Todas as Palavras" de Manuel António Pina. Com muito esforço e a perceber por que razão, numa entrevista que ouvi na rádio uns anos antes da sua morte, ele dizia qualquer coisa sobre o seu esforço para não ser lírico.
    Pois, é mesmo verdade. E talvez seja por isso que, no que já li, só encontrei meia dúzia de versos desgarrados que só me pareceram prosa armada em poesia.

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    1. correcção: "... só encontrei meia dúzia de versos desgarrados que não me pareceram prosa armada em poesia"

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  2. Estou a ler o quarto volume do sublime "Em busca do tempo perdido".

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    1. Mas ele ainda nasceu na era Obama, felizmente!
      Nasceu em Setembro/16 e é realmente um livro notável, com um dos inícios mais extraordinários que já li. Mas eu sou suspeita pois gosto muito do McEwan, desde há muitos anos.
      Tenho quase a certeza que já falei deste livro aqui no Horas, não me recordo exactamente quando.
      Antonieta

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  4. "Para além das palavras. O que pensam e sentem os animais", de Carl Safina.
    Muito interessante e maravilhoso.

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  5. McEwan é sempre maravilhoso. A minha mulher recebeu o "Numa Casca de Noz" pelo Natal mas nenhum de nós ainda o leu. Estou deliciado com o último livro do Eco "Número Zero" que comprei em tradução inglesa num aeroporto. Uma visão irónica e culta sobre o nosso tempo e sobre o lugar cada vez mais escondido e perdedor que é destinado aos eruditos. É tudo dinheiro e conspiração e Eco escreve-o com uma fluidez cheia de referências culturais para piscar o olho a quem as entender. E é uma história muito bem apanhada, na tangente entre jornalismo e negócio, com personagens fascinantes. Ao mesmo tempo leio o "Purity" do Franzen, que será leitura de longo curso. Belíssimo pela mestria de análise psicológica dos personagens, pela dissecação que faz da América atual e pela enormíssima qualidade literária do seu inglês. Antes de adormecer releio o que o Zé Fernandes vai escrevendo sobre o seu amigo Jacinto. E, para terminar, uma pequena provocação: Ferrante é pastilha elástica literária, ou seja, pura perda de tempo (atenção: a minha mulher tem opinião oposta à minha).

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    1. Pastilha elástica literária???!!!
      Ora bolas, Artur, e agora é que avisa?
      Agora que eu já os comprei?
      Não sei é quando vou lê-los tal o tamanho da pilha em lista de espera, mas espero sinceramente não concordar consigo desta vez.
      Antonieta

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    2. Cara Antonieta, o defeito deve ser só meu porque a minha mulher já leu com agrado mais do que um livro da Ferrante e o Professor Marcelo até recomendou a autora aos políticos nacionais. Eu comecei a ler "A Amiga Genial", achei as primeiras 3/4 páginas interessantes por nos porem perante um enigma que nos faz ler mais (uma mulher sexagenária subitamente desaparece por sua livre iniciativa e faz tudo para não deixar rasto), mas depois passei a ler o livro com bastante menos prazer. Após este excelente e enigmático introito, o livro tornou-se numa sucessão de estórias estravagantes da infância comum da narradora e da desaparecida, à cadência de duas estórias estravagantes por página, e eu dei por mim, ao fim de ler mais umas 60 páginas, a pensar que estava perante o roteiro de um filme de Fellini de segunda categoria, ainda por cima narrado através de um estilo plano, jornalístico e de pouca densidade literária (a tal pastilha elástica de que falei; depois de cuspida, não deixa nada). Estou feliz com os livros que estou atualmente a ler e arranjarei daqui a um mês tempo para o longuíssimo "4321" do Auster.

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    3. Caro Artur, aqui para nós (que ninguém nos lê) confio muito mais no seu gosto literário do que no do Professor Marcelo que, se bem me lembro, se limitava a mostrar capas de livros a uma velocidade vertiginosa.
      O Auster é outro dos 'meus autores' e estive hoje com o 4321 nas mãos - mas fiquei tão desanimada com o tamanho das letras (e com o preço) que não sei se o irei comprar...
      Antonieta

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    4. Realmente quase 1000 páginas de letra pequenina e quase 30€ de custo é de pensar duas vezes...

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    5. Antonieta,
      a opinião de uma miúda de 24 anos não vale muito mas tentarei.
      Parece-me que todos aqui são veteranos e muito mais aptos para falar de Literatura do que eu.
      Ferrante não é pastilha elástica, na minha opinião, nem de longe. Mas, não é uma obra-prima, que é o que sempre desejamos. Logo agora que leio Proust!
      Todavia, cada um avalia consoante a idade, a experiência e o gosto pessoal.
      Entusiasmei-me sobretudo com "Crónicas de mal de amor" que, julgo bem mais arrebatadoras. Por serem mais cruas, talvez.
      Este quarteto napolitano,para além de nos dar a conhecer Nápoles e a sua máfia ainda que bastante reduzida ao espaço, existem aspectos íntimos (nossos), de que possivelmente nos envergonhamos, mas que estão descritos e muito bem. Amores, ódios, oportunidades, percursos de vida, juntamente com as nossas insatisfações, os nossos temores. De resto, quem somos e o que fizemos.
      Para além do estilo elegante que caracteriza a escrita, essa mesma passa a ter um papel importante na exposição realista de pormenores e descrições das sensações dos actos íntimos de Elena, como para vincar a liberdade e fundamentar a atitude da mulher na sua emancipação na sociedade, como também se intensifica a linguagem grosseira para tornar claro a forma de expressão e o pensar natural das pessoas sem o verniz púdico que muitas vezes cobre a literatura.
      Não me parece dinheiro nem tempo deitado fora. Acho que e espero que seja do seu agrado. Dizem que somente mulheres gostam de Ferrante, exceptuando Wood. Mergulhe sem medos. Depois, informe-nos.
      Desculpo-me já pelos erros e má análise mas estou a comentar pelo telemóvel.
      Sem medos, Antonieta ;)

      São livros muito gulosos, a leitura é voraz, no entanto, não significam que sejam de leitura muito fácil. São mais profundos do que possam parecer à primeira vista. Já que os comprou, leia. Depois nos dirá.
      Sempre achei que Ferrante era mulher, parece-me impossível um homem escrever como e o que ele escreve.

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    6. Olá Ana,
      não a imaginava tão jovem e claro que a sua opinião vale muito para mim - eu quando era uma miúda de 24 anos também já tinha lido muito e gostava de ser levada a sério ;-).
      Eu já li as Crónicas do Mal de Amor e tenho andado a ler os Escombros e gosto do estilo dela, caso contrário não teria comprado os outros quatro. Confesso que aproveitei os 20% que a Bertrand fez durante o Natal e se ainda não comecei a lê-los é devido a alguns
      problemas familiares que me impedem de mergulhar na leitura de romances como gostaria,
      optando por contos, crónicas, ensaios, etc.
      E fiquei muito feliz por saber que há jovens como a Ana.
      Beijinho
      Antonieta

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    7. Cara Ana, para uma miúda de 24 anos mostra muita sabedoria, tanto nas suas reflexões como nos seus ponderados conselhos ! Que maravilha poder-se atingir tanta profundidade em idade tão precoce. Eu aos 24 anos detestava Proust. Parabéns ! E obrigado pelo seu post.

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    8. Ana: se me permite, faço minhas as palavras do Artur Águas às 9:00 h (se ele também me permite).

      Por outras palavras: a opinião de uma miúda de 24 anos vale muito.

      Cumprimenta o velhote de 67
      (mas ainda estou para as curvas...)

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    9. Muito obrigada, até me senti corar.

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  6. Cláudia da Silva Tomazi1 de fevereiro de 2017 às 02:56

    O mês de janeiro foi fabuloso e, leituras (as boas) são bem-vindas! Na oportunidade, adquiri um livro aguardado com carinho do escritor Pedro Almeida Vieira, Assim se pariu o Brasil e, se lhe fica generosa fluência aliada ao bom gosto histórico-informativo, simples e objetivo de quando inclinado a dramática aventura humana do Novo Mundo.

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  7. Já tinha ouvido falar deste livro. Até, talvez, aqui. Pareceu-me de concepção interessante. Mas ainda não li este autor.

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  8. "A BIBLIOTECA À NOITE" - ALBERTO MANGUEL gosta de falar da sua paixão, e a sua paixão são os livros, —e a minha também!

    O escritor argentino (hoje cidadão canadiano) delicia-nos nesta obra com belas histórias, e também as há, claro, sobre leitores.

    Naturalmente que este é um livro para quem tem a paixão da leitura, para aqueles que gostam de livros, não será, evidentemente, um livro para quem pega apenas de vez em quando num livrinho...

    Alberto Manguel partiu da construção da sua própria biblioteca, no interior de França, em que reuniu os livros que ele tinha espalhados
    pelo mundo, para nos proporcionar vasta leitura sobre o tema — livros.

    Como amante da leitura (viciado, mesmo) estou a saborear -devagar- este delicioso livro. Aliás, este é um livro que certamente irei consultar com muita frequência pelos tempos futuros, porque também é isso mesmo, um livro de consulta (sobre livros, claro).

    -Livros proibidos, falta de espaço, o olhar que quase todos os dias lhes deitamos, as carícias que lhes fazemos, as páginas que vamos abrindo e lendo ao calhas, as fotografias que com eles vamos compartilhando no interior das suas páginas, dinheiro até que lhes damos a guardar...

    Continuo a saboreá-lo.

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    1. Excelente escolha, Severino.
      Este é mesmo um livro de cabeceira, daqueles para ir lendo e relendo sempre com interesse.
      Antonieta

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  9. O senhor de Bougleron. A Sistema solar apesar de ser pequena edita livros muito bons.

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  10. Com McEwan tenho um dilema: a sua escrita agarra-me mas logo tenho a sensação de ter ficado agarrado a um episódio de uma série de televisão.
    Acabei de ler A Língua Posta a Salvo, de Elias Canetti. Falar da sua experiência de ser vivente daquela forma profunda e simultaneamente simples é obra!

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  11. «A Quinta das Virtudes» de Mário Cláudio (uma releitura/quase-primeira leitura, porque, agora o leio com outros olhos e outros interesses).

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  12. Ando a Ler_51

    O Grupo dos Amigos da Biblioteca Municipal de Amarante editou um livrinho dedicado a um pequenino mas delicioso texto inédito de Leonardo Coimbra, escrito em 1926, intitulado “O Rouxinol da Saudade”.
    Pois estava eu a iniciar a sua leitura e eis que o meu subconsciente nota que, espalhadas logo nos primeiros parágrafos, aparecem as palavras “saudade”, depois “silêncio” e ainda “sombra”.

    Não conseguindo interromper o trabalho do subconsciente, para lhe dar livre curso interrompi a leitura.
    A associação daquelas três palavras dizia-me qualquer coisa...
    Fechei o livro para melhor reflectir e... num instante lá cheguei: “Saudade, silêncio e sombra” é um fado de Teresa Tarouca, um clássico!

    No local onde estava não podia ir pesquisar à procura deste fado.
    De modo que acalmei e retomei a leitura – esta, porém, agora subtilmente condicionada por essa associação ao fado.
    ... ...
    Pois lá encontrei a música (v/ em https://www.youtube.com/watch?v=fNsHmjdgcHI ), bem como a respectiva letra – que é um magnífico poema de Nuno de Lorena.

    Releio agora com outros olhos “O Rouxinol da Saudade” e encontro-lhe muitas outras afinidades com este “Saudade, silêncio e sombra”, que não apenas estas três palavras.

    É claro que podíamos agora ficar para aqui a dissertar sobre o “Saudosismo” de Leonardo e Pascoaes, e tal, “a saudade é como a sombra silenciosa, que sempre acompanha a pessoa”, tal tal, depois o Pessoa a “cantar a saudade para manter viva a possibilidade de regresso”, etc, e agora Lorena num “jardim distante e incerto”, num “devaneio e irrealidade”...

    Mas pronto: o que interessa é que a saudade combate o esquecimento.

    Portanto, o melhor é, lá no jardim distante e incerto onde canta o rouxinol da saudade, ir saboreando o devaneio e a irrealidade.

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  13. Acabei de ler "A Obscena Necessidade do Verbo" de Letícia Palmeira.

    Muito bom.

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  14. Boa tarde,

    Comecei hoje a ler o "4.3.2.1" do Paul Auster. 872 páginas!!!!! Certamente tenho leitura até meio do mês. Após 7 anos sem escrever o autor presenteia-nos com esta obra de "peso". A expectativa é grande mas já deu para perceber, 54 páginas lidas, que é um livro à Paul Auster e para já posso dizer que me está a agradar e de que maneira. Quem, como eu, possui e já leu todos os seus livros fácilmente reconhece logo nas primeiras páginas o estilo e a escrita do autor.
    Acho que me vou "lambuzar" com o livro e as tardes de chuva e as noites irão ser melhores na companhia da personagem Archibald Isaac Ferguson.

    António Almeida

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  15. Interessante. Não que isso interesse a alguém, mas também iniciei a leitura do "Numa casca de noz". Não me encantei por aí além pelo início do livro, aliás, até posso dizer que esperava menos banalidade por parte de Ian McEwan. Mas vou esperar pelo fim. O que interessa aqui referir é a razão de eu estar a ler este livro. Também em Setembro de 2016, foi publicada uma antologia de textos sobre o drama dos refugiados com o título "Fronteiras Humanas" (Ed. Lua de Marfim), na qual colaborei com um conto - "Amani" - uma menina que dialoga com a sua mãe, ainda antes de ser concebida e que continua esse diálogo ao longo da gravidez e nascimento. Uma vida breve com reflexões profundas sobre questões de ética. Como vê, um feto como narrador ou protagonista, não é novidade, nem sequer excepcional, por aquilo que li na narrativa algo vulgar de McEwan. Mas claro, uma autora portuguesa desconhecida não desperta interesse, não tenho ilusões. Alguns editores não valorizam o que por cá se escreve, o que é lamentável. Como leitora, há anos que me dedico, predominantemente, à leitura de bons escritores portugueses. Curiosamente, poucos foram editados por si.

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    1. Ora, o que importa é que leia aquilo que lhe der prazer. Alguém a lerá a si também. Alguém lerá os escritores que edito. Haja leitores, isso sim.

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    2. Um feto como narrador não é original, já 'A Eterna Demanda' da Pearl S. Buck começa com um feto a narrar o seu próprio nascimento.
      E no entanto são dois livros completamente diferentes.
      No livro do McEwan encantou-me
      o lado Hamletiano da história.
      Espero que goste.
      Antonieta

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