Estranho estrangeiro

Com o Brexit e a saída do Reino Unido da União Europeia, com a subida ao «trono» de um Trump tresloucado que proibiu logo nos primeiros dias a entrada nos Estados Unidos de pessoas oriundas de uns quantos países, não está a ser nada fácil ser estrangeiro em algumas nações onde se fala inglês (o Canadá, pelos vistos, é outra história). Em inglês, a palavra para «estrangeiro» é «foreigner» – e um dia destes, à mesa, o Manel perguntava qual seria a sua origem. Pus a hipótese de derivar de uma palavra próxima de «fora» por causa do comecinho – e não me enganei muito, pois concluí que vem do francês antigo «forain», palavra que significava «aquele que vem de fora» e que, com o passar do tempo, passou a designar o proprietário de carrosséis ou outras atracções de feira, pois habitualmente os que vinham montar feiras e circos andavam de terra em terra, sendo quase sempre estrangeiros. Curioso é que a palavra que nós e os espanhóis usamos também vem do francês – «estrangier», hoje «étranger» (a partir de «étrange», «estranho»), que por sua vez deriva do latim «extraneus» (como o «straniero» italiano); ora, este «extraneus» inclui a partícula «extra», que quer dizer «fora de». (Assim sendo, «extraordinário», palavra que está no título do presente blog, é no fundo «fora do comum»; que grande pretensiosa me sinto agora ao dizê-lo.) Descubro ainda que «extra» contém o prefixo indo-europeu «eghs» que, em grego, está presente em palavras como «êxodo» – e cheira-me que nos Estados Unidos vai haver um dia destes um verdadeiro êxodo forçado, que o senhor Trump não vai ficar por aqui. A xenofobia também vem do grego, significa medo dos estrangeiros, mas na era Trump são os estrangeiros que têm razões para ter medo.

Comentários

  1. foreigner = forasteiro (de 'foraneus', exterior, do lado de fora).

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  2. Ter medo de ser estrangeiro? Bom, eu expatriado, não tenho medo de ser estrangeiro, se bem que nem sempre seja bem-tratado aqui, pela administração, polícia, serviços - banca à cabeça!
    Ser turista ou um visitante é completamente diferente, notem e nem tentem fazer comparações ou perceber aquilo que um turista não pode alcançar, como imagino que outros dos Extraordinários, expatriados como eu (ou emigrantes...) sabem e até melhor, pois se radicaram nos países onde estão... casos da Carla P. , da Cristina T. e do estimado Puck.

    Por outro lado, e sejamos pragmáticos, acho que grave não é ser estrangeiro e ter medo, mas sim estar na sua terra e ter medo, medo provocado pelos imigrantes! E é isso que temos de analisar e em que temos de pensar: na actualidade há ingleses com medo de viver na sua terra, idem para noruegueses, suecos e franceses!

    É muito bonito ter Extraordinárias intenções, ser tolerante e aberto, hospitaleiro, humano... fica bem a qualquer um! Porém, quantos dos que pregam o acolhimento vivem depois em bairros ou na vizinhança de áreas dominadas e controladas por imigrantes que impõem ali a sua lei?
    As senhoras imaginam-se a não poder ir à praia e usar biquíni sem serem enxovalhadas ? A serem molestadas nas ruas e nos transportes públicos por causa do que vestem, das pinturas...
    Convinha pensar nisso.

    Ontem aqui no hotel Mil Cidades, estava uma comitiva da cooperação económica, multinacional, e era este o tema de conversa entre algumas senhoras nórdicas, inglesas e francesas... que diziam já ter medo de andar nos transportes públicos e nas ruas, das suas cidades.

    Eu, expatriado, respeito o país onde vivo por muito que discorde de muita coisa, e faço por me integrar sem andar a "alembar catorzinhas" ... são bem-vindos os que tragam alguma coisa e nos respeitem em nossa casa, convinha lembrar isso, e não confundir as coisas.

    Saudações expatriadas cá da Cidade Morena.

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    1. "são bem-vindos os que tragam alguma coisa e nos respeitem em nossa casa." . Sublinho.

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    2. "são bem-vindos os que tragam alguma coisa e nos respeitem em nossa casa."
      Sim. Mas muitos deles, especialmente os refugiados, dificilmente poderão trazer "alguma coisa"...
      Para que "nos respeitem em nossa casa" é preciso que nós próprios saibamos acolhê-los, respeitá-los, integrá-los...

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    3. Nas minhas visitas aos países do Norte europeu, muito antes destes problemas, sempre senti preconceito talvez motivado pela minha cara morena. O assunto é assim complicado, bem sei, e deve ser analisado dos dois lados, do de quem chega e do de quem recebe. Uma coisa é certa, com fechamentos, com redomas, muros e trumps não vamos lá.

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    4. Toda a moeda tem seu inverso, não há direitos sem deveres.

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    5. Caríssimo Paulo Oliveira: refugiados?
      Eu vejo uma esmagadora maioria de homens em idade adulta, capazes de lutar... muito poucas famílias, com mulheres, velhos e crianças... reparo sempre nisso! Serão mesmo "refugiados"? Ou serão migrantes apenas, em busca sabe-se lá do quê...

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    6. Os refugiados também trazem, se quiserem integrar-se e deveras mudar, mudar as suas vidas e as suas condições, que portanto serão insustentáveis lá nos seus locais de origem. Mas o que é que fazem? Chegam, instalam-se e continuam a viver como viviam lá... então porque é que saíram? Fiquem e lutem, em vez de vir infernizar quem os acolhe com tolerância.
      Tente promover uma manifestação cristã lá num país muçulmano... experimente reunir umas centenas de cristãos, budistas, hindús, e fazer uma marcha louvando ao seu deus, e vai ver ... não sejamos ingénuos, por favor. Bem-intencionados mas não ingénuos, coisas que quase sempre andam de mãos-dadas.

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    7. Pacheco, não falei em refugiados ou migrantes, sei lá distingui-los. Mas sei que são pessoas. Não viu Alepo? No meio deles vem muito ladrão, muito aldrabão, muito terrorista? Pois claro que vem e vêm juntar-se aos nossos, aos que já cá temos, mas a maioria será sempre gente como nós, que quer apenas viver em sossego. Também não sei resolver o problema.

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    8. Compreendo-o... mas, o pior é o mas... quando vejo nas ruas de Londres uma multidão de homens (só homens, novos...) a gritar e a exibir a sua força, confesso que se me apaga essa outra imagem... aliás qual? As imagens das ruas de Alepo, mas essa gente fica lá, não vem para aqui. Os que vêm são só os tais barbudos em pose agressiva e de ódio.
      Esse o problema...

      Hoje de manhã dei umas notas , como habitualmente, a umas velhotas que estão a mendigar ali numa rua e já me conhecem e à minha mulher. Não compro nada, ou talvez compre uma espécie de consciência nem por isso tranquila, mas sei que é duro ser velho por aqui - mais do que por aí! Um moço novo, dos que vivem de expedientes como de lavar carros e são às centenas, apanhou-me distraído e desatou a passar o pano no carro, só que este havia acabado de ser limpo por um moço que habitualmente o faz (o Paulino, que me presta serviços como ir buscar gás ou despejar o lixo) eu mandei-o parar e disse que não lhe dava nada porque nem o carro precisava de ser limpo nem eu lhe dissera para o fazer. Aliás é comum... você abre a porta do carro e aparece-lhe um rufia a dizer que esteve "a controlar o carro" e pretende receber por isso, ou argumenta que limpou o carro que estava muito sujo, estabelecendo ele mesmo valor que tem de lhe dar!
      Reacção dele: Pula do caralho! Vem aqui roubar o nosso pão e nem quer me ajudar!
      Não me intimidei, que não podemos deixar-nos intimidar, dei dois passos na direcção dele que recuou, e disse-lhe na cara e bem alto para os demais ouvirem: Olha preto de merda, tu, não limpas nunca mais o meu carro e nem fazes nada, ouviste?

      Fiz bem? Fiz mal? Não sei... sei que estou aqui e tenho de lidar com estas situações... o que faria se na minha terra um barbudo viesse molestar alguém dos meus por causa da roupa ou coisa parecida, não sei e nem quero pensar nisso. Portanto prefiro manter os barbudos longe, para não ter que tomar atitudes. Se querem viver como entendem que o façam , lá na terra deles, maltratem as mulheres, atirem os maricas de cima de prédios, queimem os infiéis... mas façam-no na terra deles. Deus o livre que, por você pensar assim e ser tão aberto, tolerante e humano, amanhã não lhe aconteça alguma... acredite que se me deixar intimidar por um vadio que lava carros, nunca mais posso parar ali na rua sem ter de pagar a um porque controlou, a outro porque tirou o pó... não amigo Paulo, este Mundo cada vez menos está para gente que pensa como você, me perdoe e não entenda mal, mas a verdade é que os ousados e os maus se impõem e tomaram conta de tudo, seja o Trump sejam os barbudos!

      Abraço!

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    9. Só quem nunca andou em algumas cidades inglesas e francesas é que pode achar que a maior parte dessa gente é de bem. Uns deles todos juntos e sempre só homens, espancaram um amigo meu por estar a beber uma cerveja na rua.
      Soube de casos em que foram atrás de 1 casal a chamar-lhes de tudo porque tiveram a ousadia de darem 1 mini beijo nos lábios.
      Querem impor a sharia. Tá tudo louco e achamo-los muito coitados.
      Uns refugiados foram acolhidos na Escandinávia e depois de instalados em hoteis e bem alimentados quiseram voltar para o país porque nada era como lhes tinham dito e a comida era uma porcaria.
      Não brinquem comigo. Os verdadeiros desgraçados são os que lá estão e ficarão porque não têm dinheiro para saírem.

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    10. Se por cá nunca tivemos sérios problemas não é graças à nossa segurança exímia mas sim porque os muçulmanos são poucos.
      Mas, já estamos a tratar disso com estas importações dos últimos tempos, e muitos até já cá tiveram mais que um filho.
      Sejamos realistas, onde pode a Europa meter esta gente toda? Alojá-los, alimentá-los, dar-lhes subsídios porque muitos nem ler sabem, escolas, creches, tudo? Mas o dinheiro aparece para estes, para os nossos que dormem na rua e não têm nada não há meios.
      Se os Europeus tivessem fugido da Europa nas Guerras onde estaríamos? Eles fogem, nem tentam reequilibarar os países. E mesmo em segurança querem mais e mais, como foi o caso do pai do pequeno que morreu no mar. Fiquem perto dos seus países para os reeguerem, não é preciso atravessar meio mund para virem para cá. E quase só homens. Os refugiados agora até vêm do Magrebe e da Etiopia!
      Há muitas notícias, muitos documentários para ver. Não se entupam com as notícias portuguesas que nada izem. Lembram-se das mulheres violadas na passagem de ano em várias cidades europeias? Os media não estavam a reportar, só o fizeram quando não tiveram outro remédio.

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    11. Pacheco, vou esclarecer melhor a minha posição: eu também não admito que venham para aí uns beatos dizer como me devo (não) barbear ou o que devem ou não mostrar as mulheres. Já nos livrámos da nossa padralhada, não queremos cá outra do mesmo género ou pior. Neste caso, caberá às autoridades competentes reprimir, tal como prever e combater os atos de terrorismo. Agora o que não posso presumir é que toda essa gente é assim, que vêm todos roubar-nos e incomodar as nossas mulheres. Primeiro começamos a pará-los com muros. Se ainda assim passarem faz-se a seguir o quê: matam-se a eito? Afogam-se no Mediterrâneo ou metem-se em campos de concentração?
      Bem sei, a situação não é fácil, êxodos sempre houve, mas por tais caminhos antigos não consigo ir.

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    12. Paulo
      Tendo a concordar com a sua prudência, em contraste com algumas opiniões “definitivas” que vamos vendo acerca da complexíssima e dinâmica questão que está em debate.

      Talvez ajude um pouco a serenar – e esclarecer – este artigo de Violaine Morin hoje mesmo publicado no jornal Le Monde: « Plonger dans l’histoire des migrations européennes pour résister à Trump »

      http://www.lemonde.fr/big-browser/article/2017/02/08/se-plonger-dans-l-histoire-des-migrations-europeennes-pour-resister-a-donald-trump_5076393_4832693.html

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    13. Joaquim, muito obrigado. Vou ler de imediato.

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    14. E já li. Podiam ter acrescentado o exemplo do herói americano Jobs, que não existiria, nem ele, nem a Apple, se o pai sírio tivesse sido barrado. Mas gostei do conceito que desconhecia, o ponto Godwin. Talvez associar Trump a um novo Hitler seja realmente tão grotesco quanto dizer, como parecem dizer aqueles assanhados tipos do Observador, que todos os anti-Trump são perigosos radicais de extrema-esquerda.

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    15. E Trump não tem imigrantes na família? Tá bem, abelha.

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    16. Jobs, herói? Em que mundo vivem vocês?

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    17. «mulheres violadas na passagem de ano em várias cidades europeias?»
      ???????

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    18. Ok, Paulo.
      Mas não me parece que sejam assim tão assanhados todos os tipos que escrevem no Observador. Tenho ali encontrado artigos não assanhados, bem interessantes, de vários autores.

      Mas pronto: vamos andando e vamos vendo -- com a calma possível, que a inquietação que está instalada no mundo atinge(perturba/baralha)-nos a todos: os observadores e os observados...

      [Agora vou ver se arranjo um bocado de calma para tentar encontrar uns textos que terei algures por aí guardados acerca do período do Al-Andaluz, no qual - se não estou em erro - terá havido um pacífico e criativo entendimento entre muçulmanos, cristãos e outros, o que originou importantes evoluções em vários campos do conhecimento, da ciência, etc.]

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    19. Ok, eu não disse todos mas sim, acalmemos.

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    20. Sim, na passagem de ano de 2016.
      Na Alemanha, na Finlândia, na Suiça.
      Vejo que está bem informado.

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    21. O Trump tem imgrantes na família... parece que sim, mas foram dos que se incluiram e assimilaram a cultura americana, a ponto de um descendente vir a ser presidente daquele país... ó anónimo, por vezes nem pensamos bem naquilo que dizemos, pois não? Ahahahah!
      Bzzzz .... ruído da abelha!

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    22. E eu disse justamente que tinha. É preciso ler bem. Tá bem abelha para o Trump que parece já ter-se esquecido.

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  3. O mundo está algo perdido ... os países voltaram-se para dentro... é uma vazio, uma procura de identidade nas suas origens. Quando lá chegarem irão perceber que as origens estão fora ou foram enriquecidas pelo que veio de fora ... é um ciclo

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    1. As origens estão fora?????
      Explique-me melhor esse curioso e contraditório conceito, por favor...

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    2. as origens que se procuram, na verdade já não existem, existe uma história das mesmas que deve ser valorizada e respeita, mas é apenas isso, uma memória irrepetível!

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  4. A propósito de “Estranho Estrangeiro”, vale a pena ler também este outro texto, intitulado “Ainda há Americanos na América?”, que há poucos dias apanhei no Observador: http://observador.pt/especiais/ainda-ha-americanos-na-america/
    O texto é grande, mas tenham paciência: leiam-no até ao fim, que é esclarecedor.

    O caso é que os USA são uma nação que resulta da imigração para a América do Norte de milhões de pessoas de todos os continentes, raças e culturas.
    Quer dizer: as diferenças de culturas, línguas, raças, etc, não impediram a consolidação da nova nação e da sua identidade.
    Pelo contrário: muitos – mas mesmo muitos – dos cidadãos norte-americanos que foram ou são relevantes nas áreas da cultura, das artes, da política, das ciências, tecnologias inovadoras, etc, são originários de outras partes do mundo.
    O próprio Trump é filho e neto de imigrantes idos da Europa.

    Se há sítio no mundo onde a xenofobia não faz sentido, é precisamente aqui nos EUA.
    Se a xenofobia for aqui incentivada, como o imprudente Trump parece desejar, não tardará muito que a nação se fragmente, desatem à porrada uns contra os outros, e aquilo se transforme nos Estados Desunidos da América.
    Como tal, o gajo (para não lhe chamar uma coisa que ofenderia a sua mãe) havia de ter mais respeitinho pela exemplaridade da sua própria nação e pelo pessoal do resto do mundo.

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    1. O caso é que os USA são uma nação que RESULTA da imigração para a América do Norte de milhões de pessoas de todos os continentes, raças e culturas.

      ...e do massacre dos autoctones (os tais peles-vermelhas)!

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    2. Os americanos são uma enorme mescla, é verdade, porém unidos em volta de um ideal comum, que os manterá unidos e não vai provocar outra guerra civil. Pelo contrário, os americanos são muitíssimo pouco abertos a receber estranhos, podem ser classificados como xenófobos... de um modo geral, e racistas, sim. Portanto imaginar que vão entrar em guerra por causa da questão dos imigrantes é inadmissível, acredite!

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    3. Certíssimo Severino!
      Mas, esqueces-te de referir quem foram ou eram esses emigrantes: Eram dissidentes da Europa! Dissidentes por razões religiosas, políticamente, ou os social e económicamente excluídos que foram em busca da oportunidade de serem donos dos seus destinos, livres e que poderiam viver como bem entendessem! Achas que os descentes desses pioneiros, vão aceitar a entrada de mais imigrantes que vêm agora com intenção de se instalarem à sua moda, viverem como entendam e portanto competir com os que se instalaram? No lo creo...

      Quanto ao massacre dos índios, é mais uma página na história da humanidade que é feita desses casos... cá na Europa também, nota!

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    4. Ó Pacheco o que é certo é que estamos perante uma tragédia (para a maioria deles e para todos nós), que a todos perturba mesmo aos politicamente correctos que, por vezes, não são confrontados com a realidade e dizem coisas que (lá no seu intímo) não pensam. Eu, sinceramente, tenho dificuldade em "lutar" com o problema.

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    5. Para os americanos os muito morenos de cabelo pintado de louro são mais brancos do que os brancos de cabelo castanho natural.
      Já entraram nos eu? Já tiveram que preencher o formulário de entrada? Pois é

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    6. O que é certo é que todos dizem mal dos EUA, todos dizem mal da Europa, dos regimes que vigoram, dos sistemas, etc. , porém, todos querem para lá ir!
      E, dos que estão , poucos querem de lá sair, excepto o Puck que quer ir para Zorg! Eheheh!

      É a enorme contradição, a incoerência em que vive a nossa sociedade "políticamente correcta" , que determina que não se abatam animais nos canis, mas depois nem vai lá adoptar animais ou os abandona quando se tornam incómodos! Essa mesma sociedade que chama idosos aos velhos porque acha imprópria esta designação, mas os abandona em lares, hospitais ou mesmo em casa... a sociedade que faz petições por causa do peso das mochilas da escola, mas não quer saber das condições em que os miúdos são ensinados ou se amontoam nas estabelecimentos de ensino para os pais poderem passar o dia a trabalhar descansadamente. A sociedade que grita venham os refugiados, coitados, mas que vive á custa das empresas que fabricam ou vendem armamento e os exploram lá nos seus países e causam ou promovem as guerras que os desalojam, porém se dizem "venham", nem por isso depois os recebem e acabam por ter medo deles...

      O Puck tem razão! Tá tudo doido... onde é que se compram bilhetes para Zorg? Ou quer vir ter comigo a Benguela? Nem está assim tão mau...

      Quanto aos EUA:
      Estive lá por 2 vezes, na década de 90:
      A primeira fui em trabalho, e corri várias cidades integrado num grupo de quadros do Pingo Doce, quando se estabeleceu a parceria com o Grupo Albert Hein que detêm nos EUA várias cadeias de supermercados. Obter o visto, foi apesar de tudo justificado e facilitado, mas fui sujeito a avaliação na embaixada em Lisboa! Rigorosa... e depois confrontado lá na fronteira , no aeroporto JF Kennedy. Não é fácil entrar lá...
      A segunda, fui por um período mais largo, estudar na Universidade de Cornell. O pedido foi feito pelo Grupo Jerónimo Martins, quem pagou viagem, estadia e propinas. Foi tudo investigado, fui sujeito a investigação e tive de fazer um exame de inglês, dado que o objectivo era estudar! Obtive novamente visto e desta vez até permanente ... ou seja poderia entrar nos EUA sempre que quisesse, para estudar ou fazer turismo.

      Para residir ou trabalhar é m ais complicado... o meu cunhado está lá há mais de 20 anos, e teve dificuldade em obter o "green card", e a minha irmã e sobrinhos podem lá ir visitá-lo e até permanecer e as crianças estudar, mas ainda não receberam autorização de residência e trabalho (o tal green card). Portanto, tanto quanto sei nunca foi fácil entrar nos EUA, a não ser com visto de turista.

      Saudações expatriadas da Cidade Morena.

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  5. «Estrangeiro» é uma palavra de sentido recíproco.
    E, já agora, o exemplo de um texto fundador:

    «Está a gente marítima de Luso
    Subida pela enxárcia, de admirada,
    Notando o estrangeiro modo e uso
    E a linguagem tão bárbara e enleada.
    Também o Mouro astuto está confuso,
    Olhando a cor, o trajo e a forte armada;
    E, perguntando tudo, lhe dizia
    Se porventura vinham de Turquia.»
    (Os Lusíadas)

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  6. E há, também, "alien"... Muito comum no vocabulário das forças da lei e da ordem nos Estados Unidos.

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  7. Então "Brexit" não é a mesma coisa que "saída do Reino Unido da União Europeia"?
    Sendo assim, a primeira frase do texto é uma valente redundância.
    E a primeira vírgula não devia ser substituída pela conjunção "e"?

    Ora vamos lá corrigir:
    "Com o Brexit e com a subida ao «trono» de um Trump tresloucado..."

    Ou:
    Com a saída do Reino Unido da União Europeia e com a subida ao «trono» de um Trump tresloucado..."

    Ó Sra. Editora, estava distraída, pelos vistos...

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  8. Entretanto foram publicados pela FCG os Textos que Agustina ao longo dos anos foi publicando em diversos jornais e revistas. Andou bem a FCG ao publicar em 3 volumes esses textos imprescindíveis para conhecer Portugal e os Portugueses desses anos. Uma boa introdução do antigo Diretor do Expresso.

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  9. Ora aqui está um assunto que dá pano para uma burka.
    “Honi soit qui mal y pense “.
    Refugiados, exilados,migrantes,emigrantes e expatriados não é tudo a mesma coisa.
    Não se pode confundir pessoas que pelas mais variadas razões se incluem nestas categorias com elementos disruptores.
    Para os últimos ainda há a lei e para todos os direitos humanos.
    Ou já saiu de moda?
    Será que é demasiado politicamente correcto?
    Não se fazem guerras por causa de imigrantes, fazem-se guerras porque dá dinheiro.
    Vergonha, se é que a há, é de uma Europa que tinha a obrigação de saber o que vinha lá e ter planos de contingência ou de efectividade para lidar com tal situação.
    De uma maneira humanista e política.
    E não o fez, não por ignorância mas porque aos burocratas e aos seus patrões dá-lhes jeito um mundo enfastiado, com medo e sem espaço.
    As guerras preparam-se com tempo o auxílio é que não.
    Semeiam-se os preconceitos com todos os extremosos cuidados da ignorância.
    E afinal acabamos todos radicalizados.
    Ao sr.(a) Anónimo 14.57 ocorre-me responder que a Europa mete essa gente toda naqueles sítios onde os europeus não querem estar... Por exemplo nos Ghettos ou num rochedo qualquer.
    Ao caro Pacheco resta-me dizer-lhe que até os barbeiros se estão a adaptar, fartam-se de vender bálsamos para a barba e nunca viveram tão bem.
    Posto isto e como ” Estes romanos são loucos” penso imigrar para Zorg depois mando notícias.

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