Adaptações

No mês dos Óscares, estreiam-se muitos filmes nas salas de cinema portuguesas e dá-se início a um ano de novidades cinematográficas (em que se incluem os candidatos ao galardão de Hollywood, mas não só). Leio numa revista que em 2017 vai ser possível ver vários filmes que se basearam em livros e sei que alguns deles constituirão uma desilusão para quem leu as obras, mas podemos sempre esperar adaptações felizes. Em Janeiro, já pudemos ver O Silêncio, de Martin Scorsese, sobre jesuítas portugueses no Japão, a partir do romance de Shusaku Endo; e também, por exemplo, o filme assinado por Ben Affleck Viver na Noite, sobre a obra de Dennis Lehane. Em Fevereiro vai aparecer mais um filme da série das Cinquenta Sombras e, em Março, A Cabana, o best-seller de W. Paul Young levado à tela por Stuart Hazeldine, e um filme para o qual estou muito curiosa baseado n’O Sentido do Fim, de Julian Barnes, com a fantástica Charlotte Rampling. A famosa actriz Julia Roberts será a mãe de Augie no filme Milagre, a partir da obra homónima de R. J. Palacio, com estreia marcada para Abril; e, nesse mesmo mês, haverá A Cidade Perdida de Z, uma história passada na Amazónia escrita por David Grann, bem como a adaptação de O Círculo, de Dave Eggers, que será protagonizado por Tom Hanks. O romance O Jantar, de Herman Koch, dá origem ao filme com o mesmo nome que será possível ver em Maio (com o já entradote Richard Gere) e, a partir desse mês, com o calorzinho a espreitar, são de esperar muitos outros filmes, quiçá levezinhos, como as roupas de Verão. Para quem gosta de ler os livros antes de ver os filmes, já aqui fica a informação.

Comentários

  1. Apenas uma rectificação: A Vida de Pi foi realizado por Ang Lee, que aliás ganhou o Óscar de melhor realizador. O filme foi nomeado para 11 categorias mas apenas ganhou 4.
    Também estou com curiosidade em relação ao Sentido do Fim e ao Jantar (não li mais nenhum desta lista).
    Sempre que possível gosto de ler o livro antes de ver o filme.
    Antonieta

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    1. Obrigada, era o que estava na revista e não confirmei. Vou corrigir.

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  2. Os Óscares têm o condão de me colocar de fora. A partir de certa altura filme que ganhava o Óscar era filme que eu não via. A arte substituída pela indústria, é de mais. Então aqueles discursos na noite da cerimónia, insuportáveis. Nem noite dos Óscares nem filmes dos Óscares, brrr...

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    1. Bem, eu diria que nem tanto ao mar, nem tanto à terra... Brrr!
      E foi sempre assim?
      Nesse caso arrisco-me a dizer que perdeu alguns dos melhores filmes de sempre - quer vencedores, quer nomeados.
      Posto isto, eu recuso-me a ver um filme só porque ganhou um Óscar, ou a ler um livro só porque ganhou um prémio - tem que
      haver mais qualquer coisa...
      Mas gosto de ver filmes feitos a partir de livros que adorei ler, nem que seja para ficar desiludida.
      Antonieta

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    2. Estou com o Anónimo das 11:29: exagero seu, mas realmente aqueles discursos hipócritas e toda aquela encenação...

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  3. Cláudia da Silva Tomazi7 de fevereiro de 2017 às 03:35

    A festa do Óscar 2017 (muito aguardada) trás à tona discussões paralelas de interesse mundial, já prevê a Academia Hollywoodiana o transbordamento ou melhor, a inclusão da sétima arte "sob controle" a ótica democrática para além, dos cinéfilos com barbas de molho.

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  4. Gosto de ler as vossas opiniões!
    Sou dos que gostam de ler o livro primeiro, também, parece-me que depois é mais fácil entrar no filme, se bem que normalmente goste mais do livro.
    Mas há filmes fantásticos, tão bons quanto o livro... olhem os baseados na obra de Tolkien, que grandes filmes! Ou "about mice and men" que grande filme também! E há mais... felizmente.
    Ser candidato a Óscar também me parece ser na generalidade um indicador de qualidade. Idem para alguns prémios literários, mas acho que estes são mais duvidosos que a Oscarização, e, ressalvo que nem por isso leio ou vejo só porque foi premiado mas sim porque se baseia numa dada obra ou porque o tema, autor, etc. me despertam o interesse.

    Saudações cinéfilas cá da Cidade Morena.

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  5. Depois de ler o livro, não gosto de ver o filme. Um dia destes, caí na asneira de ver «Uma História de Amor e Trevas» de Natalie Portman, adaptação cinematográfica do livro de Amos Oz, e nem queria acreditar na profundidade da minha desilusão.

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  6. Do que vi/li, "12 anos escravo" foi o único que gostei mais do filme.

    E tenho a sensação de que também deverei gostar mais do livro (que ainda não li) do que do filme "O SILÊNCIO" —o último filme/livro que vi.

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  7. Antonieta
    Não é o ganhar prémios que me criou este estado de alma, é o facto da indústria destruir a alma que está dentro da arte.
    Quanto a adaptações cinematográficas de livros também acho que desmerecem, Nem todas, algumas das que lhes dão "uma volta" são do meu agrado. Assim de repente lembro-me do "Apocalipse Now", das "Ondas de Paixão" e mesmo de "A Balada da Praia dos Cães".

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    1. O Ondas de Paixão foi adaptado de algum livro? Tenho a sensação que é um argumento original do Lars von Trier, mas posso estar enganada.
      Também gosto dos outros dois que refere e acrescento mais alguns:
      - O Leopardo
      - Morte em Veneza
      - Reflexos num olho dourado
      - Rebecca
      - Os Pássaros
      - O Leitor
      - A Escolha de Sofia
      - A Estrada
      - O Paciente Inglês
      - Expiação
      e tantos, tantos outros...
      Voltando aos Óscares, este ano não estou nada entusiasmada e ainda não vi um único filme.
      :-) Antonieta

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  8. PAPILLON (Henri Charriere)-Já lá irão provavelmente cerca de trinta anos mas foi um livro que, na altura, não consegui largá-lo quando lhe peguei; o filme (com grandes actores) uma lástima completa. Será, talvez, o caso mais paradigmático desta "nuance".

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  9. Creio que as actuais possibilidades que o cinema possui, permitirá fazer filmes cada vez melhores, como é o caso do Harry Potter ou Tolkien, que ganham muitíssimo com os efeitos e toda a tecnologia...
    Há filmes que são de facto desilusões, mas olhem também alguns como Morte no Nilo, etc. e tantos outros que são adaptações muitíssimo bem conseguidas. Não sejamos injustos a ponto de dizer que são sempre uma desilusão, o que sucede é que ler é uma coisa e ver cinema outra coisa muito diferente, as emoções não são bem as mesmas.
    Também a qualidade do argumentista ou guionista ou lá quem faz a adaptação pesa e muito, assim como o realizador e o produtor que o influenciam e podem de facto subverter e estragar a obra, por razões pessoais ou interesses meramente cinéfilos.

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