Uma boa história
Uma aldeia situada a cerca de trinta e cinco quilómetros de Burgos saltou do anonimato para as parangonas dos jornais do país vizinho. É um lugar chamado Quintanalara, de apenas quatro ruas, casas de pedra de um só piso e, segundo o censo, uns míseros 33 habitantes (embora só nove vivam lá durante todo o ano). E, porém, ao contrário de aldeias e vilas de outra dimensão, acaba de construir uma biblioteca, e uma biblioteca de 16 000 volumes! Estes foram doados, na maioria, por particulares que herdaram bibliotecas de família que não cabiam nas suas casas, mas também por universidades, como a de Navarra, que se apaixonou pela iniciativa e mandou um camião cheio de livros. E o que é espantoso é que esta biblioteca, estando no meio rural, fica aberta dia e noite (sim, vinte e quatro horas por dia!) e não é um lugar de empréstimo, mas de troca: quem lá for buscar um livro tem de deixar outro, para que o número de volumes não diminua (a biblioteca está, de resto, incluída na rede de bookcrossing como um dos pontos de troca de livros mais bem apetrechados). Os responsáveis crêem que este pequeno templo milagroso atrairá pessoas a Quintanalara e projectam realizar ali conferências e apresentações de livros, não apenas para os habitantes locais (que não encheriam a sala) mas para gente das terras das redondezas que não têm grande oferta e para turistas e gente que ficou curiosa com a notícia. Propõem, aliás, o plano ideal para um fim-de-semana: visitar o património românico da zona e terminar o passeio na biblioteca, com uma boa história! Não sei porquê, mas já me estou a ver a ir a Quintanalara…
Que excelente ideia! Bom dia.
ResponderEliminarMais do que uma boa história, diria que é uma história deliciosa, até inspiradora. E Burgos também merece uma visita.
ResponderEliminarRui Miguel Almeida
Por estas e por outras é que eu gosto tanto de nuestros hermanos.
ResponderEliminarE o interior da biblioteca é magnífico (adorei aquela aranha azul) - um local que acolhia pessoas serve agora para acolher livros: lindo!
Vá lá, Rosário, não deixe de ir e conte-nos como foi.
E ao visitar a única igreja local repare bem no retábulo da Virgen del Rosário (a acreditar no google), o que só pode ser um bom presságio.
Tivesse eu condições e partia já amanhã... mesmo com este frio.
Boa viagem!!!
Antonieta
A Cartuxa de Miraflores e o Mosteiro das Huelgas atrairam-me a Burgos neste verão. Ainda levantei o olhar e vi o retábulo de Siloè em San Nicolas mas não vi nada que desse notícia da boa história em Quintanalara. Que pena!
ResponderEliminarNão pretendo ser desmancha-prazeres, mas uma iniciativa dessas nesse local, soa-me a ter um parque de areia no Namibe ou a montar uma venda de gelo na Serra da Estrela...
ResponderEliminarNão é que as iniciativas sejam boas e louváveis as intenções, nada disso, mas muitas vezes pecam pela total irrealidade e porque sonhar não basta, há que criar condições para o sucesso, do que duvido...
Com os preços dos combustíveis, e demais bens de consumo, quem vai fazer sei-lá-quantos km para ir ver uma biblioteca assim? Se nem se vão às que ficam perto de casa... numa sociedade comodista e preguiçosa como as nossas, duvido muito desse plano que pretende criar turismo-literário. Antes arranjar as casitas, ter um bar (em Espanha é um local onde se come e bebe) e criar ambiente que atraia escritores... para trabalharem em sossego...
Enfim, digo eu...
Saudações cépticas cá da Cidade Morena.
Concordo. Mais um negócio insustentável.
Eliminar"Eles não sabem que o sonho,
Eliminaré uma constante da vida,
e que sempre que um homem sonha,
o mundo pula e avança,
como bola colorida,
entre as mãos de uma criança."
António Gedeão (cito de cor).
Não menospreze os "maluquinhos dos livros", caro ALP.
Há quem faça kms para ver concertos rock e jogos de futebol,
para comprar fumeiro e comer iguarias, para conhecer castelos, praias, igrejas, para ver touradas e também para conhecer museus, livrarias e bibliotecas.
E ainda bem que assim é.
Antonieta
Certo Caríssima Antonieta, mas "faz parte" de um certo culto até moderno e actual... ir buscar livros ou visitar uma biblioteca-vulgar, não se enquadra.
EliminarClaro que posso estar enganado, pero no lo creo...
Não é bem um negócio, mas uma forma de preencher culturalmente o ócio dos outros tirando os nativos algum proveito também económico. Pode ser que nem resulte. Mas, pela propaganda e pelas imagens, já resultou: os responsáveis, além do muito trabalho que tiveram, puseram a localidade no mapa.E agora vamos ver. Mas há que acreditar na boa vontade de tanta gente e no merecimento do projecto.
Eliminarvulgar é que esta biblioteca não é. Pode não ter peso suficiente para nos fazer deslocar - dá-me um bocado de mau jeito ir trocar livros tão longe -, mas há-de haver gente mais próxima. E o encanto que tem assim rústica, no meio do nada, e carregadinha de livros...
EliminarMas, caro e extraordinário ALP, esta biblioteca é tudo menos vulgar, quer no conceito, quer no espaço físico.
EliminarDiria mesmo que é uma biblioteca extraordinária. Dê uma espreitadela no google e vai ver que vai gostar - uma traça literária tem de gostar de uma biblioteca assim...
Saudações gélidas da Beira Interior.
Antonieta
"Uma boa história" - Thomas More !
ResponderEliminarMagnífico!
ResponderEliminarNão há adjectivos, para classificar a iniciativa. Que dure e perdure!
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