Subserviência ou medo

Leio no The Guardian a notícia de que a Prémio Nobel da Literatura Svetlana Alexievich e mais de trinta outros escritores, entre os quais o autor de policiais de sucesso internacional Boris Akunin e o poeta Lev Rubinstein, deixam o PEN Club da Rússia, reagindo à expulsão de Parkhomenko, membro do staff e acusado de ser um provocador e querer destruir a instituição a partir do seu interior. Ao que parece, Parkhomenko, destituído pelos 15 membros da administração do PEN russo, não gostou que os colegas recusassem o seu pedido de apoio ao cineasta ucraniano Oleg Sentsov, a cumprir uma pena de 20 anos de prisão decretada pelo tribunal da Rússia por «actividades terroristas», e acusou no Facebook o mesmo PEN de não cumprir a obrigação de defender e promover a liberdade de expressão, como fazem todos os outros PEN em diferentes lugares do mundo. Svetlana Alexievich, na carta em que comunica o seu afastamento da organização, alerta para o facto de nos anos da Perestroika o PEN ter sido motivo de orgulho para os escritores russos, mas sublinha que agora a instituição os envergonha pela subserviência ao poder, o que só tinha acontecido – et pour cause – durante o estalinismo. E acrescenta que, um dia, Putin partirá, mas que esta triste página do PEN ficará gravada para sempre na memória de todos… Os escritores, é verdade, poderão até imortalizá-la.

Comentários

  1. A Rússia continua com os seus tiques estalinistas...Aconselho a leitura de ESTALINE - A Corte do Czar Vermelho. Lá, vem minuciosamente tudo explicado, com base em factos e documentos.

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  2. Nada há de pior do que a subserviência e o medo. Afastam-nos da vida em concreto, aquele sincretismo operante que nos faz ser protagonistas em vez de espectadores.

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  3. Sempre assim tem sido... a escrita é uma arma poderosa, que os regimes tentam pôr a seu serviço ou eliminar!
    Ignoro se há ou não razão na tomada de posição em relação ao tal cineasta acusado de terrorismo... mas defendo que ninguém pode ser julgado e banido por causa de ideias!
    E, quando digo ninguém estou-me a lembrar da Maria Vieira com quem aliás discordo completamente nas sua tomada de posição quanto aos animais de circo, que pelo simples facto de se atrever a ter uma opinião contrária à dos seus "amigos" de esquerda e liberais está a ser maltratada... é apenas um exemplo, pois temos de nos lembrar que não podemos só defender os que pensam como nós, mas sim em nome da diversidade e da liberdade do pensamento que deve ser transversal e universal, temos também de defender os que pensem diferente.

    É bem verdade que há uma onda de intolerância... e não é só Trump ou o Putin, nem o ISIS / DAESH quem a pratica!

    Saudações livres cá da Cidade Morena!

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  4. Já que aqui por estas bandas, todos nós pretenderemos defender a livre informação aconselho-vos a, de vez em quando, passarem os olhos pelo sítio Sputnik Brasil; deste modo não estamos sempre sujeitos a uma (única) Voz do Dono.

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  5. É preciso coragem para um tal acto sem abandonar o país, porque escrever de fora dele, é, sem dúvida, mais fácil. As repercussões na vida pessoal podem serão danosas. Para quem pensa pela sua cabeça, viver sob o domínio de Putin, imagino, não será límpido. Não sei que tem o mundo - além de homens com força de ditadores - para não neutralizar e antes permitir que esta gente chegue ao poder. Cada vez creio mais que não é sobretudo neles mesmos que está o erro.

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    1. A escritora não vive na Rússia, que eu saiba. Tampouco é Russa.

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    2. António Luiz Pacheco25 de janeiro de 2017 às 04:34

      Vai certamente discordar e agastar-se comigo, como habitualmente, mas eu digo-lhe o que na minha opinião (vale o que vale...) mas o que tem o Mundo, é falta de gente de bem que seja decidida e interventiva!

      Gente de bem há, mas é passiva, só intervém dialogando, por palavras.
      Ora enquanto não perceberem que não é com diálogo que se combate o mal, o crime, a ditadura, o extremismo... não se vai a lado nenhum e eles, os outros, continuarão a impor-se porque o fazem de facto e não pela força das palavras, é pela força do músculo!
      Por isso o Mundo está assim, e contunuará enquanto nós nos limitarmos a votar sabendo de antemão que estamos a votar em gente que não cumpre, não faz e não quer saber de nós a não ser para votarmos neles e os sustentarmos.
      Fazem falta cruzados... heróis, porque os anti-heróis só no cinema e na literatura é que vencem e foram criados pelos fracos que não ousam, para se justificarem da sua própria timidez, das suas hesitações e da sua acomodação. Quem governa o Mundo sabe disso... sempre soube e sempre concorre para que cultive a passividade, a cobardia, o comodismo e o políticamente correcto que é um cancro social!

      Confunde-se autoridade com autoritarismo, decisão e força com opressão, crença e ideais com obscurantismo, sentido de união e pátria com xenofobia e falta de evolução, tradição e conservadorismo com ignorância e imobilidade, e enquanto assim for não há esperança.




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    3. Ena!, que confusão ai vai.

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    4. António Luiz Pacheco25 de janeiro de 2017 às 07:26

      Olhe que não Extraordinário Paulo Oliveira, quero dizer, pode estar confusa a forma como expus, mas não a idéia em si.
      Eventualmente o Paulo será daqueles que sendo alvo de uma agressão física tentará dialogar e convencer o agressor a falar antes consigo em vez de agredir... e não o critico, reconheço mesmo que é preciso ter coragem para isso, porém o que julgo saber é que não resulta! O agressor fica mais seguro de si e da sua capacidade de agredir, continuará a usar a agressão como forma de se afirmar e você fica magoado... é por isso que os tiranos e os opressores se perpetuam, por excesso de diálogo da parte contrária.
      Uma vez vi um slogan da NRA que dizia: "the only thing that stops a bad guy with a gun, is a good guy with a gun!" , ora concordo inteiramente com este ponto de vista.

      Um grande abraço!

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    5. "gente de bem"; "good guy"; "bad guy" - como se definem estes conceitos? Quem julga? Quem decide? Haverá "good guys with guns"?
      Se o mundo fosse assim tão fácil de explicar (como um episódio do "Bonanza")...

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    6. Obrigada. Na verdade desconhecia-a completamente e foi o que me ocorreu.

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    7. pois...não pensa por acaso que se a forma que aponta fosse um modo eficaz para combater o mal já estaríamos no paraíso terrestre? Parcialmente até concordo que dialogar nem sempre resulta, não é erro do diálogo. Há diálogos que se resumem a dois monólogos, duas verdades distintas cada uma a querer impor-se à outra.

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  6. Svetlana é bielorrussa.

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    1. E a Bielorrússia tem um regime ditatorial pior que o da Rússia e em íntima sincronia com Putin. O que a protege é o Nobel, se não também ia de cana.

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  7. Cláudia da Silva Tomazi25 de janeiro de 2017 às 14:15

    Os russos merecem-se e, gostam-se! A prioridade têm sido fazer cena, diga-se o público (mundial) os "absorvem".

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