Premiar a persistência
Pouco depois de o poeta Vasco Graça Moura, uma espécie de príncipe da Renascença dos nossos tempos, ter morrido, foi criado, para o homenagear, o Prémio de Cidadania Cultural com o seu nome, visando pessoas especialmente activas e empenhadas na divulgação da cultura. Nesta segunda edição (na primeira o prémio foi entregue a Eduardo Lourenço), o galardão foi atribuído ao conhecido jornalista José Carlos Vasconcelos, um veterano da acção cultural, que o júri definiu como «um dos raros exemplos de persistência na imprensa portuguesa de âmbito cultural» e é, desde há muito, a alma do Jornal de Letras, Artes e Ideias, um das poucas publicações periódicas dedicada à cultura que tem conseguido sobreviver a todas as intempéries. José Carlos Vasconcelos é também poeta, com cerca de uma dezena de livros publicados, fez Direito em Coimbra, onde presidiu à Associação Académica da Universidade, foi chefe de redacção da Vértice, uma revista emblemática que haveria de dar a conhecer muitíssimos autores, e ainda actor do teatro universitário quando estudante. Depois ingressou na carreira jornalística – Diário de Lisboa, Diário de Notícias, O Jornal, Visão… – mas sem nunca perder o pé à luta pela liberdade de expressão, tendo sido dirigente sindical e presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa. A sua ligação ao Brasil é conhecida e, nesse âmbito, foi membro da Comissão de Honra das Comemorações dos 500 Anos da Descoberta do Brasil e é sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras. Tem 76 anos e continua a trabalhar todos os dias na divulgação de escritores e artistas de todas as áreas. Parabéns, José Carlos Vasconcelos, pela sua persistência.
O JL é, de facto, José Carlos Vasconcelos e a ele devemos ao longo de décadas o único jornal cultural português de alguma dimensão. Não o conhecendo pessoalmente, para mim os seus editoriais revelam um homem bom que prefere aplaudir e estimular do que criticar e arrasar. Para além obviamente da sua enormíssima cultura e do seu genuíno gosto pelos livros e pelas artes. JCV dá-nos um verdadeiro "Curso de Cultura Geral" em todos os números do JL. O Prémio Cidadania Cultural assenta-lhe como uma luva !
ResponderEliminarEfectivamente o Senhor José Carlos de Vasconcelos é um baluarte da cultura, um homem com um H muito grande; a sua luta, a sua persistência pela vida do JL-Jornal de Letras, Artes e Ideias é duma dimensão só possível aos grandes homens.
ResponderEliminarParabéns pelo justíssimo prémio e o meu obrigado a José Carlos de Vasconcelos.
Sou leitor do JL desde a primeira hora. Este prémio merecido talvez seja um incentivo mais para que JCV continue por muitos mais anos. Dado que os Suplementos Literários dos Jornais desapareceram, hoje apenas o JL e a revista LER se dedicam á divulgação do livro e da leitura com a qualidade que é exigida por quem é um apaixonado por livros.
ResponderEliminarMas ó caríssimo extraordinário Albertino, a LER anda (talvez já há uns dois/três anos) muito, muito fraquinha (uma xaropada de todo o tamanho); creio que não haverá actualmente neste planeta revista sobre literatura (ou sobre qualquer outro tema) com capas tão horríveis.
EliminarTodavia, tenho todos os números (só me falta o número zero, que sei ter sido lançado na altura, mas eu, com grande pena minha, não o consegui).
Estranho! Intrigante, no mínimo:
Eliminarporque continuará um ser pensante a comprar (por 6€) uma revista que é uma "xaropada e tem as mais horríveis capas do planeta"?
Mistério...
Tem razão, mas se a LER também desaparece se não a apoiarmos, ficamos com quê em termos de publicações impressas em papel? Não falo do que existe na blogosfera que tem divulgação limitada. Se tem conhecimento de outras publicações semelhantes, que desconheço, diga-me que vou já assinar!
EliminarNutro honestíssima e admirada simpatia por este senhor que muito considero. Espero bem que surjam outros como ele. Serão uma mais valia onde quer que estejam.
ResponderEliminarParabéns ao JCV, homem da comunicação e que contra ventos e marés tem mantido vivo o Jornal de Letras. Um bom comunicador e escritor.
ResponderEliminarLembro-me de, quando era jovem, ter delirado com um poema de sua autoria que terminava com algo assim:
ResponderEliminar"tricota poeta teu verso, tricota.
Meu grande filho da pota".
foi delírio mesmo.
EliminarA atribuição deste prémio de «cidadania cultural» a José Carlos de Vasconcelos representa uma enorme demonstração de desprezo, por parte do respectivo júri, para com Vasco Graça Moura, a sua memória, o seu legado. Aliás, é mais uma «cuspidela póstuma» no saudoso autor, depois de a INCM ter criado outro prémio (este literário) com o nome dele, e onde os galardoados são obrigados a editar as suas obras em sujeição ao abjecto AO90.
ResponderEliminarExtraordinário... e eu sempre a aprender!
EliminarCaríssimo Octávio, eu confesso na minha enormíssima ignorância de traça literária assumida ignorar quem é José Carlos de Vasconcelos - jornalista... o que todos os outros Extraordinários parecem saber perfeitamente.
Portanto e se assim o entender, poderá ser mais específico no que diz ao contestar a atribuição do citado prémio?
Vasco Graça Moura eu sei quem foi, claro, e foi um nome grande na nossa cultura, sem qualquer reticência - até por ser contra o negregado AO!
Um abraço cá da Cidade Morena.
Caro António Luiz Pacheco, respondo-lhe com a transcrição de um excerto do meu artigo «Língua-mãe... ou madrasta?», que publiquei no meu blog Octanas em (Maio de) 2013:
Eliminarhttp://octanas.blogspot.pt/2013/05/observacao-lingua-mae-ou-madrasta.html
«... Hoje apenas um reles pasquim. Na mesma situação está o Jornal de Letras, Artes e Ideias, embora o seu "diretor" constitua um exemplo muito, muito pior; José Carlos de Vasconcelos integra(rá) em lugar de relevo uma "galeria da infâmia" dos que colaboraram mais activamente com os fascistas da ortografia; e a sua mais recente demonstração desse colaboracionismo está no editorial da edição (Nº 1110) do JL de 17 de Abril último, em que o Sr. Vasconcelos tem o atrevimento de, criticando a oposição à edição da obra completa do Padre António Vieira em obediência ao AO90, se referir à "cruzada de alguns opositores" marcada pela "cegueira" e pelo "extremo radicalismo"; o Sr. Vasconcelos deveria estar a olhar-se ao espelho (de uma janela?), porque os verdadeiros "radicais", os autênticos "terroristas culturais", são aqueles que alteram toda uma ortografia à medida dos seus caprichos e devaneios utópicos, sem qualquer correspondência com as necessidades concretas das nações e das pessoas que utilizam aquela.»
Obviamente, nem sempre considerei o JL um pasquim, nem sempre considerei JCV um colaboracionista. Porém, tal mudou quando ambos se tornaram instrumentos da imposição - ilegítima, ilegal, inútil - do AO90. Este representa uma autêntica negação da cidadania, pelo que é absurdo e ofensivo atribuir ao Sr. Vasconcelos um prémio de «cidadania cultural», para mais ostentando o nome de Vasco Graça Moura.
Grato pelo seu esclarecimento... desconhecia em absoluto a existência dessa pessoa... Inacarditával! É o que se me sugere dizer!
EliminarReceba um abraço cá da Cidade Morena!
Prémio muito merecido. O JL é um marco na nossa cultura.
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