Leitores e livreiros
À semelhança do que acontece em outros países do mundo, em que livreiros elegem uma obra entre todos os livros publicados em determinado ano (o Prémio FNAC em França, por exemplo), a cadeia de Livrarias Bertrand resolveu criar o Prémio Livro do Ano Bertrand para uma obra em prosa (romance, conto ou novela) publicada entre Novembro de 2015 e Novembro de 2016. O júri é composto por todos os livreiros da rede Bertrand e bem assim pelos Leitores Bertrand, aqueles que possuem o cartão de fidelização da livraria. A selecção dos livros, que são 55 no total e podem ser vistos (capinhas e tudo) no site da Bertrand, contou com o apoio dos jornalistas Anabela Mota Ribeiro e José Mário Silva, que recomendaram cinco livros cada um (não fosse ficar alguma coisa importante de fora), e foi grande o meu contentamento quando vi que a lista contemplava quatro títulos que publiquei (A Vegetariana, Um Postal de Detroit, O Coro dos Defuntos e Não Se Pode Morar nos Olhos de Um Gato), pois considero que, com tanto livro a sair todas as semanas por tantas editoras, ter lá um quinto da minha produção anual é francamente bom. Até dia 15 deste mês, os portadores do cartão Bertrand podem votar (só uma vez cada um) no seu livro preferido (deixo abaixo o link para os interessados) e, no final do mês, surgirá então a lista dos dez títulos finalistas, dos quais nascerá um pouco mais tarde a obra vencedora. Essa terá a sorte de ter exposição nas livararias do grupo durante todo o ano de 2017. Pode ser que me calhe essa sorte...
Os livreiros da Bertrand e da Fnac (na sua maioria) tanto podiam vender livros como podiam estar num talho.
ResponderEliminar0 de informação, 0 de conhecimento, 0 de interesse. Desconhecem livros, desconhecem escritores, desconhecem a grafia. Tudo poucochinho, infelizmente.
Depois do que o anónimo referiu (e que reitero) atrevo-me, espero que sem despropósito, a voltar ao post anterior (da passada sexta-feira) sobre o Curso de Cultura Geral emitido ontem na RTP2, e volto a transcrever o que já lá escrevi:
EliminarO 1º. programa que ontem vi, foi uma tristeza e creio que poderá ter dado razão ao que o Pacheco parece ter previsto:
— três chatos, três bem-pensantes, três "inúteis" que, à volta de um whisky, só bolsaram banalidades como se estivessem num café em Paris ou Nova Iorque (daqueles que não se cansaram de citar) e que disseram absolutamente NADA de NADA! Será isto CULTURA ou MÔFO?
Exacto. E são esses mesmos livreiros que serão juri?
EliminarNão vi... tive um jantar com amigos, de despedida. Foi uma razão mais forte portanto.
EliminarLamento ler a tua opinião Severino - não por ti evidentemente, mas pelo que dizes.
Espero sinceramente que haja a tal alternância de que falei - e suscitou a indignação da Extraordinária Beatriz, que já agora gostava de saber como viu e o que achou do referido programa...
Por alternância, quero dizer diversificar, levar lá outras pessoas, parece-me que na "cultura" cabem todos: o chato, o divertido, o dr e o analfabeto, o filósofo e o prático, o Fernando Rocha e o dr. António Barreto...
Abraço para ti e votos de Bom Ano!
Bolas, volta não vai saio anónimo em vez de António...
EliminarBem, para ser honesto e também poder opinar tenho estado a ver o programa usando as repetições automáticas.
Não achei nada mau... e pode até vir a ser bastante interessante!
Vejamos: gosto bastante da Clara Ferreira Alves. Enferma, aliás como os outros dois participantes que são bastante afectados, aquele terrível tique de superioridade elitista porque é culta, viajada, vivida... mas suporta-se porque de facto é inteligente e interessante. Digo eu e cá para mim!
No geral agradou... mas se for sempre assim nesta tónica vai fatalmente tornar-se uma feira de vaidades chatérrima e só visto por pequenos grupos de uma clique que seja claque deste ou daquele.
Dou-lhe o benefício da dúvida portanto, e, tenho pena de não poder provávelmente ver mais, com outras pessoas, mais comunicativas e menos afectadas, de outras áreas da cultura - sempre no entendimento de cultura que faço: aquilo que fazemos todos os dias.
Um abraço Severino!
Concordo consigo ALP, eu estive a ver o programa (das 12.15h às 13,15h em repetição) e achei interessante:
Eliminaruma jornalista/escritora, um arquitecto e um pintor respondendo informalmente às perguntas lançadas pela sempre competente Anabela Mota Ribeiro.
Não sei se o Seve esperava uma aula a sério, com a professora a
ensinar "cultura geral" aos meninos e meninas - sei que eu esperava uma conversa inteligente entre pessoas cultas, que sabem muito mais do que eu, e não me senti defraudada.
E penso que uma hora semanal até me sabe a muito pouco...
Antonieta
Não que eu menospreze a cultura popular, de modo nenhum, mas as televisões estão cheias de programas que celebram a música chamada pimba, o artesanato, a gastronomia, a literatura light, as histórias de faca e alguidar, etc., portanto espero que este programa se mantenha num patamar um pouco mais elevado.
EliminarEu também admiro, já há muitos anos, a Clara Ferreira Alves - uma
mulher inteligente, culta e corajosa.
Antonieta
Concordo... em parte.
EliminarE digo em parte, porque quem são pimbas não é o povo, as pessoas em geral, quem é PIMBA e tremendamente são os apresentadores e as apresentadeiras! Esses sim, a quererem ser popularuchos e assim simpáticozinhos para com o pobre povo a cujo nível julgam descer e assim exibir alguma coisa... será? Creio que sim, no geral.
Fazem programas pimbas com apresentadores pimbas, e depois espalham a pimbada!
O saudoso Pedro Homem de Mello apresentava um programa sobre folclore, e era pimba? Nem por sombras... são a qualidade do apresentador e da realização!
Saudações populares e não pimbas, cá do Bairro Ribatejano.
Quero felicitar a competentíssima equipa que selecionou PROMETO PERDER, do Pedro F. Chagas.
ResponderEliminarFiquei completamente esclarecido quanto ao conceito de "melhor livro do ano".
Prometo não votar.
Totalmente de acordo.
EliminarA única certeza que tenho é que não vou alimentar uma indústria, onde me revejo cada vez menos, que nem sequer mantém os bons livros mais de três meses nos escaparates.
ResponderEliminarPor muitos "pinos" e "cambalhotas" que façam, literatura continua a não ser sinónimo de mediocridade e dinheiro.
Tinha esse cartão da Bertrand e quando quis aplicar o saldo que tinha constituído informaram-me que fora convertido em zero. Senti-me no uso de um daqueles produtos financeiros que tanta felicidade têm espalhado por aí. Lancei fora o dito cartão e agora não posso votar. Confio que a Maria do Rosário não fique a vegetar.
ResponderEliminarEntrando agora em diálogo, se me é permitido: 1) Na Bertrand, antes do Natal, não tinham nem ninguém ouvira falar do "Há Fadistas". Falhou o presente; 2) Uma tremenda desilusão esse "Curso de Cultura Geral". Achei o título engraçado porque o tomei como uma ironia, afinal é a sério, que desgraça. Um programa de televisão sem imagens, só os presentes ali a debitar! No único momento em que alguém mostrou uma foto que levara já preparada, o realizador não conseguiu mostrar a imagem aos seguidores do programa. Um falhanço televisivo. Eu temia que fosse mais um caso em que cultura é "artes e espetáculos" onde ciência e técnica estão ausentes, mas a introdução da arquitetura, nesse aspeto, contrariou um pouco o meu temor. Sendo a arquitetura uma arte tem contudo por finalidade construir edifícios para as pessoas usarem. Bem sei que excessos como o Museu de Bilbao e a Gare do Oriente são exibições gratuitas dadas como espetáculo, mas tomo-os como exceções. A RTP 2 está a fazer progressos mas o "Curso" foi um passo atrás, talvez não volte a pôr-lhe os olhos em cima.
Como tenho cartão de leitor, ou cliente ou o que seja, fui convidado a votar.
ResponderEliminarA iniciativa parece interessante e estimo que beneficie algum autor, sobretudo se for um daqueles menos promovidos - o que acho difícil.
No entanto , parece-me algo injusto, pois só se vota no que se leu e quem terá lido todos os títulos em concurso? Eu não... por isso não votei.
Só se votasse por simpatia no autor... o que não é correcto.
Saudações abstentas cá do Bairro Ribatejano - ainda...
Não soubesse eu já desta iniciativa e que até Abril ainda falta, pensaria que era uma mentira de 1 de Abril...
ResponderEliminarE o programa de cultura é de uma pobreza franciscana.
Curioso como os criticos dos jornais. Têm opiniões tão diferentes. Só me pareceu semelhante no caso do João Ricardo Pedro embora não tenha encontrado agora a crítica do público :
ResponderEliminarhttp://observador.pt/2016/03/25/nestas-viagens-cruzadas-inquietam-marta/
http://observador.pt/2015/11/24/um-romance-que-precisa-de-dicionario/
http://observador.pt/2016/06/16/sete-vidas-nos-olhos-de-um-gato/
https://www.publico.pt/2016/05/21/culturaipsilon/noticia/o-livro-do-apocalipse-1732137
https://www.publico.pt/2015/11/27/culturaipsilon/noticia/terra-do-demo-e-de-faunos-1715509