Cultura geral
Nós, portugueses, temos fama de nos queixarmos constantemente de tudo – o mau tempo, a falta de dinheiro, as políticas do governo… – e, se é um facto indesmentível que o mundo anda mesmo às avessas, a verdade é que também há coisas que estão a melhorar, e eu diria que a RTP é uma delas, sobretudo a RTP2, que está a saber combinar serviço público e entretenimento da melhor maneira. No próximo domingo à noite, é lá que vai estrear-se um programa da autoria de Anabela Mota Ribeiro que promete: chama-se Curso de Cultura Geral e propõe aos convidados que falem do que é hoje ser culto, baseando-se nas suas experiências pessoais e numa lista de coisas que viram, leram, ouviram, sentiram, e os marcaram para a vida. Haverá gente de todas as áreas, famosos e desconhecidos, especialistas e aprendizes, bancários, padres, jovens e muito mais. A produção avisa que a paridade foi uma preocupação e que, em 13 programas, participarão 39 mulheres. Eu também lá vou estar (sobre isso falarei um destes dias), mas não é por ter sido convidada que recomendo o programa, antes porque estou certa de que todos os que lá vão aprendem tanto como os que os ouvirem a partir de casa. No próximo domingo, cerca das 22h30, ligue a televisão e fique a saber mais coisas.
Magnífica proposta. A seguir, como de resto sigo grande parte dos programas emitidos pelo Canal 2 da RTP. Um grande Canal, sem dúvida. Subscrevo na íntegra os comentários que aqui lhe faz.
ResponderEliminarNão falharei. Veremos se contempla como deve a vertente técnico-científica da cultura ou se é à base de artes e espetáculos.
ResponderEliminarExtraordináriamente bem observado!
EliminarE, permito-me avançar ainda: também sobre a cultura propriamente dita, nem a técnico-científica nem a artística, mas falo da cultura numa perspectiva daquilo que é a do nosso povo, o que se faz e pensa todos os dias, essa que é desprezada normalmente pelas "elites" bem-pensantes, as das artes e área técnico-científica. A cultura do trolha e dos piropos, o calão vernáculo do trabalhador e do operário, do futebol, a do vinho ou da "mine", a da alheira, a da sardinha assada e da "sandes" de coirato, a cultura do Sol e do azeite, da praia, do futebol, de Fátima, do fado, dos toiros, o marialvismo, o bairrismo do Norte, os "pintas" e as peixeiras, os tendeiros, a dos esquemas, das tabernas, das repartições, dos bairros, das telenovelas para pessoas desocupadas ou sem horizonte na sua rotina, frustradas ou deprimidas, dos programas da manhã e tarde para idosos solitários, dos festivais alcoólico-musicais para jovens desinteressados... no fundo é essa a verdadeira cultura, a que faz de nós um povo (aliás espalhado pelas sete partidas do Mundo, onde assume e ganha novas culturas) e bem mais do que a dos outros aqui referidos, que representam uma pequena parte e não o todo que é o país.
Normalmente resume-se a cultura a esse nicho!
Saudações deprimidas (tou quase a ir embora...) cá do Bairro Ribatejano.
Desculpe, mas não estou a ver...queria uma data de programas sobre o calão vernáculo e os mil e um pormenores da vida quotidiana de que as novelas fazem cópia?! e por que razão pensa o senhor que isso seja educativo? E por que fala em elites se o programa vai ter gente de muito e variado quadrante...não julgo que se educa apenas reproduzindo as vivências quotidianas, a educação - que, como sabe, forma e informa - tem de ser mais, estar para além de; e dar o que falta na sociedade civil. Ou sugerir. Ou cativar para. Sem impôr, de preferência. As pessoas comuns, como eu, desconhecem tanta coisa como não faz ideia. Algumas sabem que desconhecem. Outras, nem isso. Portanto, em primeiro lugar há que dar a saber que elas existem. E depois mostrar que, algumas, como os livros, por exemplo, estão ao alcance de muita gente. Há sistemas de trocas, empréstimos, vendas em segunda e mais mãos, que são baratas... E quem sabe isto pode acontecer com a música, o teatro, a dança, a ida aos museus...tudo isto meu amigo, quando for de todos e comum, teremos um povo diverso, a sua atitude em relação à arte é de respeito e admiração. Até lá, mesmo que os museus se encham, se forem sempre os mesmos a visitá-los (e sim, são quase os mesmos) ou se os visitem sem a atitude que compete, munidos de espírito disposto a amar e admirar, aí sim, continuamos nessa das elites. E já agora sempre lhe digo que a escola podia e devia fazer muito mais nesse sentido.
EliminarMau, li agora que está deprimido. E isso é por se vir embora para Portugal?! Leva o tempo a querer cá estar e deprime porque vem?! Vá lá a gente entender os homens.
EliminarCara Beatriz,
Eliminara senhora parece estar (sempre) deveras amarga e de mau humor.
E já que se fala em cultura que tal prestar atenção à interpretação?
AL Pacheco disse "Saudações deprimidas (tou quase a ir embora...) cá do Bairro Ribatejano. " Ou seja, prestes a voltar para Angola.
A senhora diz" Vá lá a gente entender os homens." Com vários ?! pelo meio.
Descontraia, isso faz-lhe mal.
Inzáctamente! Defendo que a cultura é o que se faz todos os dias e não apenas nas salas de espectáculos, museus, blogs de leitura...
EliminarPor sistema os programas dedicados a cultura são chatos, maçadores e aborrecidos, porque só tratam daquilo que apenas uma minoria, a tal elite a que aludo, e não às pessoas comuns, a todas as pessoas.
Se entendeu que quero ouvir o Fernando Rocha e o Quim Barreiros, entendeu mal, se bem que também façam parte da cultura brejeira, da nossa cultura popular que é desprezada e talvez por isso seja de baixa qualidade. Não é com injecções de chatice ao povo que se faz dele "culto" no sentido em que entende a cultura.
Volto a repetir que Anabela Mota Ribeiro tem o meu voto de confiança para não ser uma seringa de aborrecimento.
Parece-me que não entendeu nada daquilo que escrevi, deve ser defeito meu pois sempre implica comigo por isso já estou habituado.
Votos de Bom Ano com o menos de azia possível, lembre-se que há quem esteja pior!
Tem razão, foi interpretação errada. Mas perguntar não ofende. E esclarece.
EliminarCaro senhor
Eliminarpeço desculpa, mas na verdade não queria implicar, só entender. Sou pouco dada a implicâncias. As minhas desculpas.
Tenha um bom fim de semana. E não deprima que há coisas boas em todo o lado.
Obrigada pelos votos. Bons votos dão sempre jeito.
O 1º. programa que ontem vi, foi uma tristeza e creio que poderá ter dado razão ao que o Pacheco parece ter previsto:
Eliminar— três chatos, três bem-pensantes, três "inúteis" que, à volta de um whisky, só bolsaram banalidades como se tivessem num café em Paris (daqueles que eles não se cansaram de citar) e que disseram absolutamente NADA de NADA! Será isto CULTURA?
Extraordinária notícia esta!
ResponderEliminarPrecisamos que se fale de nós, talvez assim saiamos da depressão em que mergulhámos desde que quiseram fazer de nós europeus à força.
Creio que Anabela Mota Ribeiro tem a necessária sensibilidade para o levar a bom porto! Pena é que o não possa seguir depois, porque não tenho em Benguela acesso à RTP2.
Saudações vivas cá do Bairro Ribatejano!
Oh com franqueza!...está brincando com o pessoal...
EliminarSou munta reinadio sou...
EliminarEu estou deprimido, porque vou partir como a Beatriz não entendeu, mas parece que não por defeito meu, uma vez que alguém o percebeu... se calhar a Beatriz nunca teve de partir e talvez por isso não compreenda.
Creio que hoje acordou mal-disposta...
Tudo ao contrário, mas não faz mal. Há coisas assim que acontecem a quem escreve e no fundo não se conhece, apenas escreve:). Sorry
EliminarSou uma pedra, nunca me mexi . Pedras não deprimem.
E Boa Viagem, na esperança do regresso.
Se não o vir em directo, vou vê-lo em diferido:). Parece-me um programa interessante.
ResponderEliminarDesculpem-me o ceticismo, mas parece-me que a cultura geral não se ensina. O programa pode ser magnífico mas o título é infeliz ao propor um "curso" sobre matéria que não se ensina. Anda aí pelas livrarias um livro alemão chamado "Cultura" que pretende sumariar num volume aquilo que uma pessoa culta deve saber, como se a experiência cultural pudesse ser obtida em segunda mão, através de intermediários. Folhei-o, li umas 10 páginas, e conclui que é uma dolorosa caricatura da exaltante experiência da fruição cultural direta. Ninguém poderá apreciar verdadeiramente o "D. Quixote" sem ter tido a experiência de ler o livro. Não é substituível pela leitura de ensaios sobre a obra, por melhores que sejam esses ensaios. Que até se podem ler depois com proveio. Ou apreciar o Mosteiro da Batalha apenas a partir de imagens na internet. Ou os painéis de São Vicente de Fora sem ter ido ao Museu Nacional de Arte Antiga. Mas é seguramente uma iniciativa bem intencionada de uma jornalista dedicada há muitos anos à temática cultural. Antes isso do que a criação de um concurso televisivo para "testar" ou "aumentar" a "cultura geral". Já agora esperemos que o programa não comece às 23.30 porque há quem trabalhe à segunda de manhã e não tenha pachorra para gravar programas.
ResponderEliminarA ver...
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