A nossa luta
Defendo que não há nada pior do que tentar apagar o passado, por pior que tenha sido, e creio que assistir a determinados documentários ou ler a verdade sobre o Holocausto, por exemplo, leva a que lutemos para que esse tipo de horrores não volte a acontecer. E, porém, fiquei um bocado assustada com a notícia de que Mein Kampf (A Minha Luta), a obra de Adolf Hitler que já não era publicada na Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial, foi um dos livros mais vendidos naquele país contra todas as expectativas (aliás, a primeira tiragem foi de apenas 4000 exemplares e já se venderam 85 000!). O Instituto de História Contemporânea de Munique, que organizou um grande número de debates e apresentações à volta da obra, informa, porém, que esta edição anotada por especialistas do manifesto anti-semita do líder nazi, apesar de nunca ter saído do Top de vendas de livros de não-ficção desde que foi distribuída, tem servido sobretudo para promover o debate por toda a Europa sobre as consequências nefastas dos regimes autoritários e está longe de inflamar o neo-nazismo e a ideologia de extrema-direita que a obra expressa. Numa altura em que existe uma onda de xenofobia por toda a Europa, especialmente no que toca aos refugiados oriundos do Médio-Oriente, espero que seja mesmo assim: a nossa luta contra a luta de Hitler.
Certamente há de ser o exemplo a derrota. Literatura e história (simplesmente) são limites e horizonte donde a natureza verga a humanidade. Criatividade e conteúdo fazem (desde sempre) diferença à formação humana. Nem tenho interesse em ler coisas vulgares, valorizo a verdadeira história de quem lá esteve, de quem lá sobreviveu o nefasto.
ResponderEliminarJá vimos como é fácil fazer acreditar que num determinado local existem armas de destruição maciça. Acabamos de saber que os oito mais ricos do planeta têm tantos bens como a metade mais pobre de toda a população mundial. Finalmente, se os nacionalismos voltarem a impor-se tudo poderá acontecer.
ResponderEliminarTenho-a ali, herdada, mas nem nunca a abri. Basta-me ver aquelas imagens...
ResponderEliminarBolas, este "nem nunca" soou mesmo mal e fez-me lembrar um ditado qualquer, "... nem sempre, nem nunca". Infeliz.
EliminarNacionalismo, sim!
ResponderEliminarSem ele serei impedido de assistir a corridas de toiros, de comer fumeiro, de beber vinho, de ter os meus ricos feriados, de comer joaquinzinhos, fazer ou ter acesso a tanta coisa que outros noutros lugares não entendem e pretenderão fazer abolir de acordo com as suas culturas diferentes da minha!
Por isso sou nacionalista, mas sem excessos..
Essa dos refugiados, bem, estamos a ver no que dá ... eles não fazendo nenhum esforço por se adaptarem ao nosso modus vivendi e cultura, vindo desestabilizar e trazer insegurança: Não! Tenham lá paciência e sejamos claros e honestos. Refugiados é uma coisa, invasores é outra e o que se tem visto é uma invasão pura e simples de HOMENS novos, em idade de lutar, não apenas e sobretudo famílias...
Como já disse antes aqui, andei a ler o Mein Kampf. É uma obra perigosa, sim, como o são tantos livros, se não houver estrutura moral, intelectual, histórica, humana, etc. A Bíblia é perigosa, como o é o Corão... apenas para dar um exemplo óbvio daquilo que pode inspirar extremistas e oprimir povos inteiros!
Mas concordo inteiramente que não se pode nem deve branquear nem apagar, ignorar, obliterar, a história! Na história está a base do entendimento do ser humano e de nós mesmos. Pena que não o expliquem devidamente nas escolas... e que a história tenda a ser uma disciplina secundária e desprezada, qualquer dia passa a ser opcional!
Saudações históricas cá da Cidade Morena.
Caro Paulo Oliveira,
ResponderEliminarAs expressões saem-nos por vezes menos felizes, mas o seu 'nem nunca' não mancha nem contamina a atitude que colocou ao escrever o que tão bem afirma. Pela mesma razão não consigo ver novamente, de uma assentada, 'A lista de Schindler'. Contudo consigo (re)ver tudo sobre Anne Frank e (re)visitar os lugares de sofrimento atroz. Recomendo aos meus filhos e aos amigos, pois quem pisa, toca, sente o odor desses lugares, se tiver uma boa formação cívica e social, não vai desejar provocar ou dar continuidade a horrores destes.
Cara Maria do Rosário, o 'fenómeno Mein Kampf' deve ser objecto de reflexão. Muito oportuna esta crónica.
Deixo abraços!
LT
Li o Mein Kampf quando andava na Faculdade nos anos 60,por desfastio, considero mesmo que está mal escrito, para além da ideologia. Não devemos levar muito a peito os nºs da Alemanha; é uma moda passageira. Aconselho vivamente a Biografia de "Estaline e a corte do czar vermelho" editada gratuitamente pelo Expresso. Já vou no II volume. Só dois exemplos para aguçar o apetite: enquanto a camarilha bolchevique passava férias no sul nos anos 30 e dançava ao som do gramofone, comendo e bebendo do melhor, traindo os respectivos comparsas, milhões morriam á fome na Ucrânia ou comiam batatas podres, cães e cascas de árvores. O carrasco oficial do Partido Blokhini, que matou milhares dos seus concidadãos, usava um avental de couro igual ao dos carniceiros para que os salpicos de sangue das vítimas não manchassem o seu uniforme; dizem que esta criatura morreu placidamente em 1955!
ResponderEliminarCarma ... quero dizer, calma! Caríssimo Anónimo.
EliminarUma coisa não desculpa nem justifica a outra... isto é, sempre que se fala nas mortandades Estalinistas (e por aí fora, os Gulags, etc.) contra-argumenta-se com o nazismo. E sempre que se fala no nazismo e no extermínio das SS, contra-ataca-se com a Rússia vermelha.
O resultado é que se acaba sempre a discutir uma outra coisa que não aquilo que é o importante: que estas coisas não deviam e nem podiam ter acontecido... mas aconteceram e o pior é que vamos ver a história e elas aconteceram sempre, em toda a parte e perpetradas por brancos, pretos, amarelos, vermelhos, descorados... à esquerda e à direita, em repúblicas ou monarquias, entre cristãos, muçulmanos, hindus, sem religião, animistas... e a mim, pessoalmente nada me conforta saber! Porque receio que se repita, entre todos ou com quaisquer uns!
Têm medo da Merkel? Do Putin? Do Trump? Eu cá tenho medo do Bloco e do PAN... pois é! Até bem mais do que tenho do gajo da Coreia ou da Turquia!
Desculpe o desabafo, mas não consigo justificar ou esquecer umas coisas por causa de outras iguais e de sinal contrário...
Boa noite. Partilho com toda a força o seu desejo, mas tenho receio. Receio de que a informação do referido Instituto seja cortina de fumo. Receio de Trump, de Putin e de uma sempre latente hegemonia alemã. Receio das notícias que chegam da Polónia. Receio por já termos vistos nos Balcãs, há não muitos anos, imagens que nos remetem para os dias negros de 1934-45.
ResponderEliminarCaríssimo Fernando, creio que se tratava de si quando apareceu o "Anónimo"?
EliminarPartilho em parte os seus receios... e olhe que nem sou muito dado a medos infundados, andei pela Venezuela, Moçambique, Angola... onde permaneço... não posso ser receoso, timorato ou indeciso como calcula, e como quando se pega de caras um toiro, há que saber ver e avaliar, o risco é calculado. Nós portugueses temos essa capacidade ancestral de abrir braços a um toiro como à vida e de apeitar as cargas de uns e outros, aguentando-lhes os derrotes. Ainda somos assim.
Mas não se esqueça do que temos em casa, antes de se preocupar com o Trump! Eu vivi o PREC com 19 anos, assisti a ocupações, greves selvagens e barreiras, a RGA's e a purgas, a saneamentos, fui ameaçado ou apedrejado, estive nas manifestações da ALA, em 1976 estava em Évora a estudar, em pleno Verão quente... ter como parceiros de governo quem ainda vive nesses tempos e anseia retomá-los (e não, não estou a falar do PCP!) é bem mais preocupante que o Trump ou o Endorgan, o Putin, a Merkel ...
Um grande abraço expatriado cá da Cidade Morena.
Bom dia caro António Luiz. Só para que fique claro, não, não sou o "Anónimo". Não tenho por hábito assinar desta forma. Cumprimentos.
EliminarO que me espanta e mais me assusta é ter alunos que acham o "Mein Kampf" o seu livro favorito...
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