Recomendações

Eu, que publico actualmente muito poucos livros estrangeiros, fico contente por ter acertado na escolha de A Vegetariana, pois, quando comprei os direitos deste pequeno romance para Portugal, ele ainda não tinha tido nenhum prémio internacional de monta nem fora publicado senão em dois ou três países. Foi, como dizem os franceses, um simples coup de foudre. A sorte acompanhou Han Kang, a sua autora, que arrecadou o Man Booker International Prize pouco depois, e acompanhou-me também a mim, que acreditei no seu talento. De resto, não fui só eu – e os elogios têm-se multiplicado nas últimas semanas; nas listas que muitos jornais e revistas publicam habitualmente quando o Natal se aproxima e as pessoas estão mais receptivas a sugestões porque têm de comprar presentes, seja na Publishers Weekly, no New York Times, na Economist ou no Guardian, A Vegetariana (e, no jornal britânico, também Human Acts, um outro livro da coreana com que brindarei os leitores em 2017) apareceu destacado e foi considerado uma das melhores leituras do ano 2016. A mesma sorte não teve, infelizmente, um romance de uma autora chilena, Andrea Jeftanovic, que me pareceu igualmente fascinante – Amar numa Língua Estrangeira – e que mereceria mais atenção.  Pode ser que os editores de língua inglesa a descubram e façam também dela um sucesso.

Comentários

  1. Para mim, o valor das obras não aumenta com a entrega de prémios.
    Por vezes quanto mais se fala em determinado livro mais me afasto dele.
    Não tenho em grande conta o booker, por exemplo.

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  2. Também sou daqueles para quem nem prémios nem críticas têm grande influência na avaliação pessoal da obra... os prémios porque são de circunstância ou muitas vezes políticamente correctos, suspeitos até, e , as críticas raramente coincidem com a minha opinião, que vale o que vale mas é a minha e daquilo de que gosto sei eu e não preciso que me o digam.

    Fico satisfeito pelos autores, ainda bem que ganham prémios e que o seu trabalho é promovido ou reconhecido, mas o meu prémio esse só o dou a quem entendo e ao que gosto.

    Parabéns à vegetariana e a quem apostou nela, não posso deixar de dizer!

    Saudações premiadas cá da Cidade Morena.

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  3. Mal acabe de ler JUSTINE, do Durrell, será a vez de A VEGETARIANA.
    Depois da carne, o vegetal - para reduzir o colesterol.

    ABC

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    1. Justine, eis um bom livro.

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    2. Referem-se ao "Quarteto de Alexandria", certo?

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    3. Sim, o primeiro romance do quarteto.
      Há outra Justine, a do Sade.

      ABC

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    4. Obrigado. A partir do momento em que li Durrell soube que não era o "Justine" de Sade...
      Excelente livro.

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    5. Longe de mim querer interferir nas suas leituras ABC, mas no seu caso eu leria primeiro os restantes livros do Quarteto de Alexandria - penso que perde um pouco se não os ler de seguida.
      E até porque a Vegetariana (que gostei imenso de ler) também é bastante carnal.
      Antonieta

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    6. Obrigado pela sugestão, Antonieta.
      A Vegetariana, um romance mais curto e menos denso de prosa, será uma breve pausa refrescante.

      ABC

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    7. E muito menos sumarento.

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  4. De facto, posso confirmar que o livro de Andrea Jeftanovic - Amar numa Língua Estrangeira - é deslumbrante. Uma prosa simplesmente deliciosa, rica e avassaladora. Traz dentro uma história tão bonita! é de resto um livro a que volto muitas vezes! A vegetariana, estou muito curiosa para lhe por a vista em cima, mas lembro-me de outro livro estrangeiro que a Rosário publicou e que é igualmente surpreendente: Tenho o direito de me destruir de Kim Young-Ha.

    Os prémios são sempre importantes, não só para o reconhecimento e motivação dos autores, mas para trazer também à luz do dia obras que de outra maneira poderiam ficar na sombra.

    Um abraço.
    Carla Pais

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    1. Depois de ler este post fui procurar o livro de Jeftanovic e, a sinopse pareceu-me pobrezita. Um lugar-comum, até.
      Desconhecia por completo o livro.

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    2. Respeito a sua opinião, mas nem sempre o que parece é! Como haverá certamente sinopses muito prometedoras para livros que o não são. Por isso não se deixe enganar e leia o livro que muito merece leitores.

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  5. Ama-se sempre numa língua estrangeira. Não li nenhum dos livros mas parabéns à Rosário e ao seu feeling que apostou num sucesso a haver.

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  6. Emílio Gouveia Miranda13 de dezembro de 2016 às 04:11

    Nenhum destes repousa ainda nas minhas estantes. Talvez um dia destes me possa sentir tentado, primeiro a folheá-los, depois a trazê-los para casa.

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    1. Estou na mesma situação. Não comprei nem li nenhum.
      Mas havendo tantas obras-primas ainda por ler, obras que passaram o teste dos tempos, sabe como é...

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    2. Emílio Gouveia Miranda13 de dezembro de 2016 às 05:45

      É verdade; tanto para ler e tão pouco tempo... Tantas obras excelentes a aguardarem vez...

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  7. Então e não é que ainda só li um livro do Dickens, nenhum do Conrad, nenhum do Faulkner, apenas um do Camilo...

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