Relembrar
O jornalista Joao Morales quer tirar muitos livros do esquecimento, uma vez que as livrarias já não coseguem mostrar senão as novidades e há títulos e autores que correm o risco de não voltarem a ser lidos e falados, uma espécie de morte completamente imerecida. Vai daí criou uma actividade que decorre mensalmente na Livraria Almedina, ao Saldanha, em Lisboa, para a qual convida normalmente duas pessoas que ali vão partilhar com o público as suas leituras desde a infância e alguns livros que leram e dos quais já pouco gente se lembra. Sim, é uma espécie de «ressurreição» de obras literárias e, por isso, Morales chamou à iniciativa Recordar os Esquecidos (na qual já participei há coisa de um ano com João Paulo Cotrim e pilhas de livros). Amanhã às 18h00 quem vai estar a mostrar os seus livros equecidos são dois autores da nova geração: Nuno Costa Santos e Nuno Camarneiro. Vale a pena irmos ouvir os seus livros lembrados.
Esta iniciativa, louvável e interessante, sem dúvida, a que eu gostaria de assistir, se morasse perto, tem o senão de muitas outras boas tentativas: a maior parte dos leitores que aparecem, para não dizer a totalidade, não está esquecida dos esquecidos, porque se trata de uma franja literariamente esclarecida.
ResponderEliminarTalvez as grandes livrarias pudessem criar um espaço reservado aos ilustres esquecidos, renovável, estando eles diariamente ao alcance do leitor comum.
ABC
Excelente ideia, essa de as livrarias criarem um pequeno espaço dedicado aos Esquecidos. Porque o que vale a pena pode ser ser re-descoberto. Bom fim-de-semana.
Eliminar...e se tivessem bons preços vendiam-nos e desempatavam armazéns e caixotes.
EliminarEssa é uma ideia adoptada nas escolas durante a semana da leitura: convidam-se pessoas normais e não ligadas à escrita (mas por vezes também há escritores) que contam como começaram a ler e por que razão são leitores; levam obras de que gostam particularmente e que, de alguma forma, as marcaram. É muito interessante, caso se saiba captar a atenção dos alunos e permite a gente que está fora do mundo escolar contactar com as tais pessoas que não lêem, não gostam de ler, nem de perder tempo com livros. Em regra, é uma boa surpresa para todos. Certa vez foi-me dado assistir a uma aluna do ensino nocturno que levou o Levantado do chão de Saramago. A senhora leu e comentou com exemplos várias passagens, comoveu-se até às lágrimas durante a leitura, pediu desculpa aos garotos e eles estavam sem voz, a beber o que contava. Foi muito bonito e tenho certeza que alguns foram ler Levantado do chão. Por vezes, a biblioteca da escola não tem as obras em apreço, o que é compreensível. Mas há sempre as bibliotecas municipais...e, quem sabe, alguns ouvintes mais motivados adquirem o livro.
Talvez tenha divagado sobre o tema. Sorry.
BFS
Don’t be sorry, Beatriz
EliminarO primeiro livro que li do Saramago foi precisamente o “Levantado do chão”, que muito me abriu a pestana, estranho que era a essa ruralidade e realidade portuguesa.
Penso que alguém, mesmo que não seja escritor, quando gosta muito acaba por contagiar.
Há qualquer coisa de intrinsecamente genuíno que passa do leitor para o público e que por vezes até arrepia.
E é isso que acaba por acontecer nesses eventos que referiu, ou talvez no evento como o de amanhã. Porque os livros são como as sementes, por vezes invisíveis mas continuam lá.
Talvez requeiram mestria, para os plantar, talvez paixão ou tão somente persistência.
Um pouco de silêncio, também.
Tentei fazer um exercício, de que se tivesse que fazer uma lista ou escolher um, qual escolheria?
Ser- me-ia muito difícil escolher, é tudo o que sei!
E também quiçá porquê, este livro ficou-me sempre relacionado com sopa de beldroegas( tenho que o voltar a ler).
...e comer sopa de beldroegas - que não é uma sopa assim tão boa. Mas é tipica.
EliminarExcelente iniciativa! Votos de boas leituras, para todos nós, neste fim-de-semana molhado.
ResponderEliminarO João Morales tinha uma rubrica dedicada aos livros esquecidos na extinta revista literária "Os Meus Livros", de que foi, salvo erro, o último director.
ResponderEliminarA OML morreu e ressuscitou várias vezes, primeiro com a Tereza Coelho e depois com o João Morales - e tenho pena pois era uma revista bem interessante.
Se estivesse em Lisboa não deixaria de aparecer por lá.
:-) Antonieta
Realmente foi pena que "OS MEUS LIVROS" tivessem dado às de Vila Diogo (sem novas nem mandados) pois bem precisávamos de uma boa revista de livros que, actualmente, não existe.
EliminarA "LER" é, na actualidade, uma estopada de caixão à cova, sem ponta por onde se lhe pegue (ainda por cima com uma capa, a cada número que passa, execrável —qual delas a mais horrível).
Comecei por considerar a ideia excelente, depois ainda achei melhor a outra que sugere um espaço reservado para o efeito. Com a mudança frequente dos títulos e um chamariz publicitário atrativo era capaz de alcançar bons resultados.
ResponderEliminarÉ que os inimigos dessas obras não são apenas as novidades literárias e a concorrência do lixo escrito, é também a ideologia que logrou subalternizar determinadas correntes.
...é horrível que até nos livros existam essas cadeias arrastadas da ideologia. Deixemo-los ser. E que, libertos de peias, possam voar.
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