Madrid me mata

Às vezes precisamos de uma boa notícia para nos animar – e uma boa forma de internacionalizar a literatura portuguesa, que é a que eu mais pratico, é vê-la ser destacada e celebrada num país estrangeiro. Melhor ainda é isso acontecer num país que não parece ter-lhe ligado grande coisa durante muito tempo, quiçá devido a inimizades ancestrais (quando eu andava na escola, a Espanha ainda era descrita como um país inimigo, calculem) ou a qualquer outra razão que agora não importa desenvolver. Portugal e Espanha já se deixaram disso e andam actualmente muito mais próximos, tendo havido nos últimos tempos mostras várias da cultura portuguesa na capital espanhola. E a boa notícia é que Portugal será o convidado que se segue da Feira do Livro de Madrid, a 76ª, que terá lugar no Parque do Retiro em 2017 e será uma óptima oportunidade para os editores portugueses apresentarem os seus autores no país vizinho. O único senão? As datas: é que esta feira acontece mais ou menos ao mesmo tempo da Feira do Livro de Lisboa (entre 26 de Maio e 11 de Junho) e eu não estou bem a ver como ser ubíqua... No entanto, vai ter de dar para tudo, que ocasiões como esta não se podem perder.

Comentários

  1. Muito bem!

    Eu sou consumidor de literatura espanhola, como sou consumidor de outros elementos culturais espanhóis: desde logo da caça (país onde a arte cinegética tem grande tradição) y dos toros... pois claro! Os espanhóis escrevem muito sobre caça (metade da minha biblioteca cinegética é capaz de ser composta por autores espanhóis), e pintam... tenho quadros de pintores espanhóis sobre os temas da caça e campo, até um amigo que é um notável pintor e caçador - Miguel Ángel Bedate.

    Mas não só: gosto de sevilhanas, de malagueñas, de copas, de jambón e sinceramente uma das duas grandes cidades de que mais gosto é Barcelona... Madrid nem tanto, talvez porque lhe falte a largueza daquela e das suas ramblas, como da excelente oferta gastronómica - tenho um grande amigo catalão, arquitecto, gourmet e mergulhador com quem é sempre um prazer enorme correr Barcelona, ver e saber a história dos edifícios recuperados ou novos e correr os restaurantes más exquisitos!

    Na verdade acredito no Iberismo.
    Sinto-me depois de barrão, ribatejano e português, ibérico! Europeu nem tanto assim, confesso, pois sempre me senti muito mais africano... dirão que nasci no continente errado, nada disso! Nasci no contintente e na península certos, pois ser português permite-me ser ao mesmo tempo ibérico e africano!
    Se há alguém de quem estamos próximo é dos espanhóis, dos extremenhos sobretudo. Tenho uma sobrinha casada com um espanhol ali de perto de Cáceres, e, temos muito mais em comum do que se pode pensar... afinal somos lusitanos, nós do Vale do Tejo e os da Extremadura, Tejo acima, pelo meio das montanhas que o circundam e onde nasce, Mérida era a capital da Lusitânia.

    Se deixámos perder a possibilidade de uma comunidade de língua portuguesa, uma federação ibérica não seria de desprezar, me perdoem os nacionalistas mas os tempos são outros e afinal somos cada vez menos portugueses, vamos deixando que os políticos e as modas, os modernismos, tratem disso!

    Saudações iberoafricanas cá da Cidade Morena.

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  2. Que boa notícia! Ando sempre à procura de pretextos para ir a Madrid, este é irresistível. Lá estarei.

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  3. Emílio Gouveia Miranda29 de novembro de 2016 às 04:31

    Para reforçar (ainda mais) as relações de amizade entre vizinhos-irmãos, porque não, também nestes acontecimentos de grande relevância para as literaturas ibéricas, conjugar esforços no sentido de tornar os complementares, em vez de concorrentes? Fica a ideia.

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    1. Na verdade, Lisboa será em 2017 a capital ibero-americana da cultura, por isso, já existe alguma sintonia.

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    2. Emílio Gouveia Miranda29 de novembro de 2016 às 06:51

      Folgo sabê-lo. Muito obrigado. Parabéns pelo seu blogue.

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  4. O Retiro é lindo, um bom lugar para a Feira do Livro de Madrid. E oxalá os espanhóis gostem de nos ler que são bastante mais e pode que o mercado se expanda. Navegar é preciso.

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