Dias desassossegados

A partir de amanhã e até ao dia 30 de Novembro (data da morte de Fernando Pessoa e do aniversário da Casa que tem o seu nome) celebram-se uma vez mais os Dias do Desassossego com numerosas actividades que vão desde a promoção da leitura aos debates, concertos, passeios literários e declamação de poemas. A iniciativa, que nasce de uma parceria da Casa Fernando Pessoa com a Fundação José Saramago, vai ter eventos pessoanos e saramaguianos para todas as idades – e um dos mais giros será seguramente o Contatininhas, de Luís Carmelo e Nuno Morão, para crianças a partir dos 4 anos, sobre trava-línguas e fábulas ao som de uma concertina. Mas a Fundação José Saramago receberá a peça A Ilha Desconhecida, do nosso Nobel da literatura, alguns músicos vão mostrar com instrumentos como interpretam o que lêem, especialistas vão partilhar experiências sobre a melhor forma de dar a ler, Pessoa e Saramago vão andar por aí a mostrar-se de todas as maneiras e feitios pelas ruas de Lisboa. Se estiver interessado, deixo aqui o programa completo. A entrada é gratuita.


http://www.josesaramago.org/programa-dias-do-desassossego16/


 


 

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda15 de novembro de 2016 às 01:26

    Bom dia. Todas as evocações são merecido tributo àqueles acrescentam valor à nossa identidade enquanto povo. Obrigado.

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  2. Não me dá jeito ir a Lisboa – “Não me Peçam Razões” -- mas aqui, no meu sossego, acho que vou conseguir desassossegar-me com este:

    «Não me peçam razões, que não as tenho,
    Ou darei quantas queiram: bem sabemos
    Que razões são palavras, todas nascem
    Da mansa hipocrisia que aprendemos.

    Não me peçam razões por que se entenda
    A força de maré que me enche o peito,
    Este estar mal no mundo e nesta lei:
    Não fiz a lei e o mundo não aceito.

    Não me peçam razões, ou que as desculpe,
    Deste modo de amar e destruir:
    Quando a noite é de mais é que amanhece
    A cor de primavera que há-de vir.»

    José Saramago

    + + +

    E quem sabe se, “Às Vezes”, com este...:

    «Deus costuma usar a solidão
    para nos ensinar sobre a convivência.

    Às vezes, usa a raiva para que possamos
    compreender o infinito valor da paz.

    Outras vezes usa o tédio, quando quer nos mostrar
    a importância da aventura e do abandono.

    Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
    sobre a responsabilidade do que dizemos.

    Às vezes usa o cansaço, para que possamos
    compreender o valor do despertar.

    Outras vezes usa a doença, quando quer
    nos mostrar a importância da saúde.

    Deus costuma usar o fogo, para nos ensinar
    a andar sobre a água.

    Às vezes, usa a terra, para que possamos
    compreender o valor do ar.

    Outras vezes usa a morte, quando quer
    nos mostrar a importância da vida.»

    Fernando Pessoa

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    Respostas
    1. Muito obrigada pelos poemas. São bonitos os dois.

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    2. Junto a minha voz à da Beatriz para agradecer ao Extraordinário J.J. (sempre oportuno) estes belos poemas de dois dos meus escritores favoritos: estão ambos no topo da pirâmide das minhas preferências, seguidos de muito
      perto pelo José Maria e pelo Luís Vaz.
      Também não vou poder ir a Lisboa, mas é bom saber que o Fernando e o José vão andar por lá
      juntos...
      :-) Antonieta

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    3. Grato, Antonieta e Beatriz.

      José Maria não tenho. Mas tenho aqui um do Manuel Maria que, de certeza, a Antonieta vai gostar.

      E, para a Beatriz não ficar a chuchar no dedo, vai para ela um do Luís Vaz.

      Não é que, assim à primeira vista, quadrem com isso do desassossego -- mas, com os meus cumprimentos, vamos lá então:


      Se é doce

      Se é doce no recente, ameno Estio
      Ver toucar-se a manhã de etéreas flores,
      E, lambendo as areias, e os verdores,
      Mole, e queixoso, deslizar-se o rio;

      Se é doce no inocente desafio
      Ouvirem-se os voláteis Amadores,
      Seus versos modulando, e seus ardores
      De entre os aromas de pomar sombrio;

      Se é doce mares, céus ver anilados
      Pela Quadra gentil, de Amor querida,
      Que esperta os corações, floreia os prados;

      Mais doce é ver-te, de meus ais vencida,
      Dar-me em teus brandos olhos desmaiados
      Morte, morte de amor, melhor que a vida.

      Bocage

      + + +

      Oh! como se me alonga, de ano em ano

      Oh! como se me alonga, de ano em ano,
      a peregrinação cansada minha!
      Como se encurta, e como ao fim caminha
      este meu breve e vão discurso humano!

      Vai-se gastando a idade e cresce o dano;
      perde-se-me um remédio, que inda tinha;
      se por experiência se adivinha,
      qualquer grande esperança é grande engano.

      Corro após este bem que não se alcança;
      no meio do caminho me falece,
      mil vezes caio, e perco a confiança.

      Quando ele foge, eu tardo; e, na tardança,
      se os olhos ergo a ver se inda parece,
      da vista se me perde e da esperança.

      Camões

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    4. Cara Beatriz
      Por favor, tome como também para si a resposta que, aí adiante, dou a Antonieta.

      Grato
      Joaquim

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    5. Muito obrigada pelo poema. Cristina Branco canta-o no álbum Ulisses, quando fazia parceria com Custódio Castelo.

      https://www.youtube.com/watchv=DiforWvWrEo&index=89&list=PLugOXWB-E7eksMRfOETQwaAWozYpTRbBk

      Um abraço

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  3. Tanta actividade que existe e a gente não dá conta. Mas é bom que exista, porque nem o sol nasce para todos. Alarga-se o leque de opções. E os dois escritores bem merecem ser lembrados que tanto nos deixaram.

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  4. José Cipriano Catarino15 de novembro de 2016 às 10:57

    A Ilha Desconhecida é um conto extraordinário. Bem gostava de assistir, mas não dá. Pior fico.
    JCC

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