Dialogar com o corpo
Há muitos anos, em conversa com um psiquiatra sobre as razões que levam tantos jovens ao suicídio, ele explicou-me que, em muitos casos, longe de se tratar de amores mal resolvidos – ideia um tanto romântica essa de morrer de ou por amor –, eram situações em que os implicados tinham uma má relação com o próprio corpo, alguma coisa nele que não conseguiam aceitar (e a verdade é que conheço pelo menos dois casos em que isso era verdade). Disse-me ainda que, quando uma mulher muito magra se acha gorda e não pára de falar nisso, é preciso estar atento, porque pode ser um sintoma de que está desencontrada do seu corpo, e nunca se sabe aonde isso pode levar. Li recentemente um pequeno livro de poesia de uma jovem autora espanhola, Elisa Levi, que é, a este título, magistral. Chama-se Perdida en un bol de cereales e reflecte sobre o desencontro entre a cabeça e o corpo (os seus, presumo) de uma forma em que ambos dialogam (ou o corpo escuta e a cabeça fala) e, por isso, o tu nunca deixa completamente de ser o eu. É uma recolha de poemas breve, mas intensa, em que alguém mostra que consegue fazer as pazes com o corpo desavindo e segue em frente. Sei que não será fácil encontrar essa colectânea nas nossas livrarias, mas a rede global apanha tudo e acredito que ajude todos aqueles que em algum momento andaram por aí desencontrados do corpo e da identidade, especialmente os mais jovens. Recomendo vivamente.
Pode descarregar em pdf no link:www.planeta de libros.com/libro-perdida-en-un-bol-de-cereales
ResponderEliminarE eu desacredito vivamente que a leitura de um livro lhes mude a mente. Mas mal não fará.
ResponderEliminarPermitam-me lembrar que a leitura de uma das obras-primas da Literatura, "Os Sofrimentos do Jovem Werther", de Goethe, levou muitos jovens ao suicídio, na altura da sua publicação.
ResponderEliminarComo dizia há bem pouco tempo um autor brasileiro, pouco optimista sobre os caminhos da Literatura (eu acrescento por ex: o Nobel para o fanhoso do Dylan, que sacrilégio!) o escritor hoje não tem importância nenhuma, a Literatura ficou um objecto fétiche. Ela era elitista, mas irradiava, agora não, qualquer entretenimento tem mais tentáculos, atinge mais pessoas, influencia mais gente. Quem é que hoje se mata por causa de um Werther!?
Eliminarvou espreitar. obrigada pela sugestão ;)
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