Central Madrid

As pessoas que gostam de livros têm sempre coisas em comum... Um destes fins-de-semana, aproveitando o feriado e a ponte, fomos a Madrid, o Manel e eu. E, estando lá, não pudemos deixar de visitar livrarias como outros visitam museus ou lojas (e nós também, mas no dia seguinte). Tínhamos conhecido uns anos antes uma livraria fantástica em Barcelona, daquelas que já não encontramos em Lisboa, chamada La Central, e alguém dissera ao Manel que havia agora também uma La Central na capital espanhola, pelo que estávamos com água na boca para a conhecer. Fomos e, claro, comprámos livros. A loja de Barcelona que tínhamos visitado é mais bonita, mas esta tem igualmente aquelas coisas que já não se encontram nas FNAC e similares, e cheira a papel e chão encerado em vez de cheirar a ladrilhos e telemóveis. No dia seguinte, encontrámo-nos com dois amigos que descobrimos estarem também em Madrid nesse fim-de-semana, o Nuno e a Manuela Júdice. E, quando lhes perguntámos que planos tinham para aquela manhã, a resposta foi rápida: La Central, claro. Fomos outra vez. As pessoas que gostam de livros têm sempre coisas em comum.

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda8 de novembro de 2016 às 01:28

    As pessoas que gostam de livros, normalmente gostam de pessoas que gostam de livros... Os livros são um excelente «cimentador» de caracteres similares...

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    1. António Luiz Pacheco8 de novembro de 2016 às 05:19

      Gostei desta... gosto de si, portanto, gosto muito deste espaço e dos Extraordinários, e , gosto muito de livros!

      Eheheheh!

      Saudações gostosas cá da Cidade Morena!

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    2. Emílio Gouveia Miranda8 de novembro de 2016 às 05:25

      Este espaço é um bom espaço. É um espaço de encontro daqueles que gostam de livros... logo um espaço daqueles que gostam daqueles que gostam de livros... Repito: um bom espaço... Nele me fico, com os que gostam do que gosto... De livros. Que belo vício, este. De quem gosta de livros!

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  2. Também a procura de livrarias fazem parte do meu percurso quando viajo e é pena viajar pouco, mas na semana passada calhou passar por Estrasburgo e descobrir por acaso uma excelente livraria com um nome extraordinário, Quai des Brumes, onde cada obra tinha uma pequena apreciação crítica manuscrita. Muito organizada, não havia por lá as capas chamativas que aqui se veem, pouco sóbrias. Um encanto de livraria.

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  3. Pelas minhas andanças por essa Europa (Paris, Estocolmo, Bruxelas, Londres) visitei sempre livrarias além das FNACS; em Madrid, por acaso, não me lembro de nenhuma porque o tempo era escasso e os museus eram prioritários; em Bruxelas, numa de que não recordo o nome, consegui comprar, há um par de anos "La Fisiologie du Goût" de Brillat Savarin que não encontrava em mais lado nenhum; é para isto que servem as boas livrarias!

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  4. António Luiz Pacheco8 de novembro de 2016 às 05:36

    Pois é, creio que todos nós Extraordinários, acabaremos por nos encontrar um dia no Campo das Leituras Eternas... ahahah! De certeza.

    A propósito deste nosso tema de hoje, ontem tive uma reunião numa fazenda remota, onde acabámos por jantar e ficar a conversar até à meia-noite, num jango (local coberto por um telhado de colmo) onde se ouviam coaxar os milhões de rãs ou sapos e os jacarés no rio Coporolo, aves e demais bicharia nocturna, ali em pleno mato. Até um macaco gritando aflitivamente às tantas... aquilo coisa boa não lhe aconteceu!
    Filosofando sobre a qualidade de vida e o privilégio que são aqueles momentos, às tantas um dos meus companheiros de ocasião, um ainda jovem engenheiro agrónomo que foi fazer o levantamento para um sistema de rega, a propósito de estarmos a dissertar sobre Fernando Pessoa que o meu amigo e dono da fazenda gosta de citar e é leitor - se calhar era mais feliz com a filha da minha lavadeira - diz-me assim a sangue frio e tão a seco quanto o scotch velho que tinha no copo: Eu não leio! Não gosto de ler!
    Confesso que me estragou tudo... fiquei sem fala e nem tive taramanhos
    para lhe dar resposta, apenas confirmei, ele repetindo que não gosta de ler, só leu aquilo a que foi obrigado...

    Pergunto-me se conseguirei gostar dele?
    Parece-me que foi a primeira pessoa que me disse tal coisa... ele está aqui há um par de meses apenas e ainda não se integrou, ainda não conseguiu perceber onde está nem com quem lida, as razões de as coisas aqui serem como são, conforme percebi ao longo da conversa que mantivemos.
    Então percebi aquilo que lhe falta: Ler! Sem dúvida, e acho que nem nunca se vai adaptar, é daqueles que daqui a um par de meses vai embora, não leva e nem deixa saudades...

    Saudações arrepiadas cá da Cidade Morena

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    1. Ó Pacheco: essa de “um macaco gritando aflitivamente às tantas... aquilo coisa boa não lhe aconteceu” – das duas, uma:

      a) ou era uma macaca a quem uma coisa tão boa estava a acontecer que até parecia aflita;

      b) ou foi o macaco que, ao ouvir o que disse o jovem engenheiro agrónomo, passou-se da cabeça e descarregou gritando, na sua língua: “Ó f...da p...!! Tomara eu que o Pacheco me ensinasse a ler!”

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    2. António Luiz Pacheco8 de novembro de 2016 às 12:27

      Ahahahah!
      Pode ter razão... aquilo até um macaco escandaliza!
      E dos sapos e rãs gostou?

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    3. Claro que gostei, particularmente da referência aos sapos, que os nossos por cá continuam, e mandam-lhe cumprimentos.
      Infelizmente não temos aqui condições para rãs.
      Mas os nossos sapos pedem ao Pacheco que transmita também às rãs africanas os melhores cumprimentos.
      E que, já agora, as ensine também a ler -- que não apenas aos macacos e aos engenheiros agrónomos, ora essa!
      Sim! que, segundo eles, nisto da Cultura não deve haver cá discriminações, ora essa!
      E -- diz-me aqui o sapo-chefe -- ensine também a sua lavadeira.
      E o engenheiro que ensine a filha dela, e aproveite para ler alguma coisa, o estupor.

      Dados os recados, junto-lhes os meus cumprimentos.

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  5. Entro, vejo, posso até ler um pouco. Contudo, não tenho memória de aquisições em qualquer das livrarias que admiro e visitei. Mas gostei de vê-las e sentir-lhes o ambiente. E aos livros. É um pouco como acontece aqui, gosto de saber o que vai saindo, agradam-me alguns livros e depois compro um ou outro caso mantenha o agrado ao folheá-lo e não se interponha um volume desconhecido que mais me atraia.
    As pessoas que gostam de livros têm esse factor comum a uni-las. As que não gostam, têm outros. Felizmente para todos.

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  6. Mais uma coisa hoje aqui comprovei - é que os extraordinários deste blogue, para além de gostarem de livros e de livrarias, são efectivamente gente absolutamente globalizada — é que vão ali a Estrasburgo, Paris, Nova Iorque, Estocolmo, Bruxelas, Londres, Madrid, como eu vou ali a Corroios...é realmente de impressionar (me)...

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    1. António Luiz Pacheco8 de novembro de 2016 às 06:45

      E ao Carivo? Ó Severino... até vamos ao Carivo, à Kalohanga, ao Dombe... eu sei lá! Vamos a toda a parte - aliás sendo essa a nossa diferença para com Deus, que está em toda a parte, nós vamos!

      Ahahah!
      Grande abraço global cá da Cidade Morena!

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    2. Nem de propósito: anda Pacheco...

      Um amigo meu (que tem o Pai em Angola) fala-me muito no Caribe (que que será Caribe - será Pacheco?)

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    3. António Luiz Pacheco8 de novembro de 2016 às 08:22

      Caribe? Confesso que não conheço e nem ouvi falar.
      Esta fazenda de que falei chama-se Carivo - é em Benguela (80 Km para SE.
      É propriedade de uma família de velhos colonos-sertanejos, e o seu fundador Álvaro Eugénio Pedrosa foi talvez o último sertanejo! Tem uma história daquelas que dava para um bom livro ou contar diante de uma garrafa daquelas que se estendem pela noite, eheheh!

      Abraço!

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    4. Ó Pacheco - afinal é Namibe.

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    5. Conversa de chacha, altamente literária: porque não trocam e-mails entre vocês? Não era suposto falar de livros e livrarias?

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    6. Mas que envinagrado é este Seve.

      Tome calmantes, homem.

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    7. António Luiz Pacheco9 de novembro de 2016 às 01:05

      Caríssimo Anónimo:
      - Não sendo você nem dono nem administrador do blog, considero que lhe falta uma boa parte da autoridade necessária para criticar aquilo que falamos entre nós, aqui neste espaço.
      E disse "parte da autoridade", pois também respeito a sua classificação quanto ao desinteresse para si da minha conversa com o Severino, no entanto sempre lhe digo que tem bom remédio: não leia!

      Voltando ao "de chacha", atrevo-me a contestar pois me parece que não estamos de todo descontextualizados , atendendo quer à natureza do post quer ao tema central do blog, e cito-me:

      " Esta fazenda de que falei chama-se Carivo - é em Benguela (80 Km para SE.
      É propriedade de uma família de velhos colonos-sertanejos, e o seu fundador Álvaro Eugénio Pedrosa foi talvez o último sertanejo! Tem uma história daquelas que dava para um bom livro ou contar diante de uma garrafa daquelas que se estendem pela noite, eheheh!"

      Pode contestar-se o estilo e a forma, sem dúvida, mas tanto eu quanto o Severino somos gente simples e sem pretensões literatas ou de ostentar cultura, daí o corriqueiro da nossa conversação. No entanto, o conteúdo, que refere a história que pode inspirar uma história ou um romance, já me parece que se integra e justifica plenamente no espírito e tema aqui do blog.

      Posso estar errado, evidentemente, pelo que peço desculpa a quem se tenha sentido incomodado pela minha troca de comentários com o Severino.

      Saudações contrictas cá da Cidade Morena

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  7. Francisco Henrique das Dores Cheira8 de novembro de 2016 às 10:21

    Gostei do texto sobretudo pelas sensações que aqueles que gostam de livros e de livrarias partilham.

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  8. Não me vou alongar na conversa
    Apenas dizer que lamento que seja o patrão do Sr. Manuel Valente que contribuiu para a morte em Portugal das chamadas livrarias: "Cheira a papel e o chão encerado em vez de cheirar a ladrilhos e telemóveis."
    Tenho pena que um dia destes tenha tido de retirar um comentário a um poema com 20 anos no facebook do João Pacheco em respeito ao Pai
    deste, escrito pelo Sr. Manuel Valente.
    Considero que a empresa onde o Sr Manuel Valente trabalha o levou a encarar o ramo Livreiro em moldes do que ele era e defendia há 30 anos atrás.
    Eu defendo que: "Livros é nas Livrarias"
    Desgosta-me que um dos patrões dele tenha dito publicamente que queria acabar de vez com a merda dos clientes pequenos.
    E agora ver o Manel a gostar em Madrid e em Barcelona de Livrarias iguais a tantas que tiveram de encerrar em Portugal, porque não tiveram meios de sobreviver.
    Ainda hoje sobrevivem alguns, mas sempre com o credo na boca por causa da pressão dos grandes grupos monopolista existentes em Portugal.
    Apelidam-se por enquanto de "Os Resistentes".
    Falo com conhecimento de causa, tenho 54 anos de trabalho nos Livros e faço parte do grupo que ainda vai tentando ajudar os Livreiros que lutam com dignidade pela sua profissão..
    Saudações Livreiras.

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