A literatura contra o trânsito
Quem mora e/ou trabalha na capital anda por estes dias com os nervos em franja. Não só a cidade está toda em obras – obras que acontecem em todo o lado ao mesmo tempo e que neutralizaram muitas zonas de estacionamento –, como o trânsito está tão insuportável que mesmo os de índole mais paciente não podem deixar de perder a calma, vociferar, chegar a casa zangados ao fim de um dia de trabalho. E quem não mora em Lisboa sabe-o pelos jornais, pois não param as críticas à Câmara por esta bizarra operação de estética global. Temos de fazer alguma coisa… No Canadá, a literatura decidiu virar-se contra o trânsito (a literatura até para isto serve, calculem) e vários artistas inundaram as ruas com 10 000 livros, numa espécie de manifestação chamada Literature vs Traffic criada por um grupo que se autodenomina Luzinterruptus e que pretende levar a cultura a lugares que são marcados pela poluição e a velocidade. Encheram literalmente o alcatrão de livros iluminados (doados pelo Exército de Salvação) e deixaram-nos lá para quem quisesse ir buscá-los e lê-los. A «instalação» só durou dez horas (a rua era necessária à circulação de carros na manhã seguinte), mas a imagem diz que valeu a pena.
Brilhante iniciativa! Está adesão de canadenses configura (representa) alto índice de leitores e nem só, protestos deste nível despertam a responsabilidade e humanizar de modo civilizado é todavia o bom exemplo.
ResponderEliminarFaçam isto por cá, caramba! Seria uma excelente iniciativa, levada a cabo numa parceria entre Editoras, agora por alturas do Natal. Livros em stock, cuja saída seja já difícil - tudo bem -; que sirva para se promoverem e para promoverem o Livro. A Cultura aceita tudo que a difunda e «democratize».
ResponderEliminarPS: Será que Cultura e Democracia fazem um bom cocktail? Não sei, mas o que importa se podemos ter os dois?
Que boa ideia!!
ResponderEliminar- Talvez seja a hora dos poetas, apenas!
ResponderEliminarE agora que o Cohen entrou para os vagos campos da história, habitados por tantos heróis, malditos e esquecidos...
Talvez, o trânsito, seja apenas um pretexto, para escorregar na sua voz de veludo espesso, mas que pica como a barba por fazer.
Talvez seja, apenas do que é feito o tempo das palavras.
Talvez, a sua voz, carismática ,seja só o corpo que as palavras escolheram para si.
A forma como quiseram ser ditas.
Talvez, seja só o silêncio entre elas, isto que nos fica na cabeça.
Adeus, é muito tempo!!!
Sempre,
é bem melhor, entre violinos, pianos e rios.
Preferível a enviá-los prá guilhotina, como fazem muitas editoras por cá; por isso, excelente iniciativa!
ResponderEliminarContudo, não penso que gere novo leitores (cá ou lá) —quem lê não precisa destas iniciativas para ler mais, do mesmo modo que quem não lê não serão as mesmas que o tornarão leitor.
Que coisa bonita e excêntrica! Oxalá tenha sido bem aproveitada a pausa para escolha de livros no meio da estrada (e também nas esquinas, nas bermas, na inteira via). Mas por vezes penso que atitudes deste calibre são apenas um chamar da atenção pública. Um pouco como o Natal ser uma quadra de paz e amor e os países em guerra abrirem uma trégua por tal motivo e, mal ela se vai, voltam a ser inimigos, matam-se sem dó. Tudo que seja em prol dos livros e da sua leitura, vale.
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