Para variar
Este é um blog que fala sobretudo de livros e de edição, mas, para variar, vou hoje falar-vos de um filme, até porque sei que, ao fazê-lo, não estou a sair da minha zona de conforto. Na verdade, o filme trata de livros… e de edição, claro, e em várias passagens – salvaguardadas as distâncias, bem entendido – recordou-me o meu trabalho quotidiano e algumas das vicissitudes deste belo, mas às vezes tão duro, ofício. Trata-se de Um Editor de Génios, realizado por Michael Grandaje, que conta a história da relação entre Max Perkins (o grande editor da Scribner que deu à estampa autores tão grandes como Hemingway e Scott Fitzgerald) e o escritor Thomas Wolfe (não confundir com o autor de A Fogueira das Vaidades) desde o final dos anos 1920 até à morte deste, em 1938. As duas personagens (papéis desempenhados por grandes actores como Colin Firth e Jude Law) são quase antagónicas, mas criam-se entre ambas laços apertados e até uma certa dependência, uma vez que o escritor é demasiado prolixo e é preciso reduzir milhares de páginas adjectivadas e metaforizadas que escreveu a um volume mais conciso e legível, o que sem o editor não é tarefa fácil. Mas estes laços e estes cortes são apenas uma parte das cisões e das ligações desta história que interessará seguramente a todos os que gostam de livros. A ver, evidentemente.
Evidentemente!!!!!
ResponderEliminarSaudações cinéfilas cá da Cidade Morena.
Bom dia (porque o dia serve para as 24 horas), peço desculpa pelo comentário pois é a primeira vez que aqui entro. Mas, tendo decidido vaguear pela blogosfera nacional esta manhã, encontrei, totalmente sem esperar, este espaço muito agradável onde a palavra escrita ainda tem valor.
ResponderEliminarNão conheço a autora do blog, mas ler "Para Variar" que ainda se lê. edita. e se fala sobre escrita, seja ela nacional ou não, desde alguma coisa com interesse genuíno, em Portugal é confortante.
Contudo ficou-me uma pequena dúvida... como sabe o editor se o escritor é ou não um génio?
Gostei muito,
Haragano, O H.
Obrigada pela visita. Volte sempre.
EliminarNa verdade, pressentir o génio de um autor é isso mesmo: não se sabe, sente-se.
Se ele, o escritor, sair de uma lâmpada e ser para o azulado, é um génio, concerteza:)
ResponderEliminarÓ Haragano (bem vindo), embora corra o risco da minha comparação puder parecer absurda, deixe-me lá ver se conseguirei transpôr a minha resposta para o futebol:
ResponderEliminarO Oliveira, que jogou no FCP e no SCP (e que foi dos jogadores de futebol mais geniais que vi jogar até hoje, bastava, aos entendidos, vê-lo dar um único toque na bola para se ver que era um génio, às vezes basta ver como se movimenta), marcou, na noite em que, por infeliz coincidência, o Pai dele morreu, quatro fabulosos golos a uma equipa jugoslava, numa noite europeia, e no fim, quando lhe perguntaram como descrevia os golos, ele respondeu: quem viu viu, quem não viu visse. É que Oliveira era um génio e era preciso ver porque só vendo. — do mesmo modo que só escrevendo (e lendo) se vê se o escritor é génio ou não.
Concordo.
EliminarMas foram três golos.
Ainda ontem estive a pensar nesse filme. É bem capaz de me interessar. BFS
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