Miúdas versus Rapazes

Um dia, num belíssimo filme de James Ivory, ouvi Vanessa Redgrave (já não recordo o nome da sua personagem) dizer que, se as mulheres mandassem no mundo, haveria muito menos guerras porque elas não quereriam que os seus filhos combatessem e fossem mortos. Serão as mulheres diferentes dos homens a esse ponto? Não fui mãe, mas tenho sete sobrinhos, cinco dos quais são raparigas. Observando-os aos sete ao longo do tempo, sou obrigada a concluir que elas foram sempre mais desembaraçadas, mais desenrascadas, mais auto-suficientes, menos dependentes. Souberam inventar formas de fazer dinheiro para poderem viajar, distribuindo panfletos e sentando convidados VIP em estádios de futebol durante o Euro ou estacionando carros em eventos internacionais como o Open de Ténis do Estoril. Eram (e as mais pequenas serão ainda possivelmente) mais senhoras de si, mais autónomas, mais fura-vidas. Li que actualmente há mais mulheres do que homens a entrarem nas nossas universidades; e, quando dão notícias sobre equipas de pesquisa médica e científica por esse mundo fora que descobrem curas e fazem outras conquistas notáveis, não raro estão nelas várias mulheres. Também as estatísticas confirmam que Elas lêem muito mais do que Eles. Um dia destes, li até a estranha notícia de que no Reino Unido os pais gastam menos 25% em livros para os filhos do que para as filhas, porque os rapazes preferem outros brinquedos. Ora, se os rapazes deixarem de ler, cuidem-se: as raparigas vão mesmo tomar conta do mundo…

Comentários

  1. ... conquanto na politica Merkel, May, Clinton, ou Lagarde na finança já o dominam. Serão boas leitoras? Sim, do Mundo.

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  2. Não terá também algo a ver com a educação? As raparigas são ainda hoje mais educadas para ajudarem, perdendo o medo do trabalho, e para servirem os outros, o que as põe com menos complexos para exercerem certas tarefas.
    Os rapazes são mais protegidos, impedidos de ajudar na cozinha, de limpar o pó, de estender a roupa, de pôr a mesa, etc. Aprendem a esperar que os outros os sirvam e lhes agradem.

    Não será um pouco isso?
    Mas não são só os pais os responsáveis, também as mães...
    «Meninos da mamã» - expressão ainda actual.

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    1. P.S. E, no entanto, não sacralizemos o estatuto de mãe! Não sei se concordo com as palavras da personagem de Vanessa Redgrave. Há mães que fazem muito mal aos filhos, que abusam deles (mesmo sexualmente), que os chantagiam, manipulam, etc. E também há mães terroristas, algumas suicidas (que não se importam nada de matar os filhos dos outros). Chega de santificar o estatuto de mãe! "Nossa Senhora" é um ideal, não uma realidade!

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    2. António Luiz Pacheco24 de outubro de 2016 às 01:47

      Sim e não... penso eu.
      Sim na parte em que diz que as mulheres estão mais disponíveis para se sacrificarem, ajudar, trabalhar, etc. Mas creio que é mais do que pela educação, é instintivo.
      Não quando diz que os rapazes são impedidos de fazer coisas que competem às raparigas o que os limita. Hoje em dia, e já à muitos anos, pelo menos umas duas ou três gerações que os rapazes já não são educados assim! Pelo menos no meu círculo familiar e de amizades.

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    3. As mães não são santas, mas são mães. Como tal, pela primeira característica enfermam dos mesmos erros que toda a gente. Mas, enquanto mães, são maioritariamente seres que desejam com muita força o bem dos filhos, capazes de morrer por eles. Os exemplos que deu existem, mas não fazem a regra. São a excepção. É que antes de sermos mães ou mesmo não o sendo, todos somos pessoas.

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    4. Sim, mas muitas vezes são essas excepções que chegam a lugares de liderança (e olhe que as excepções não são tão poucas como isso). Além disso, nem todas as mulheres são mães. As palavras de Vanessa Redgrave são redutoras, na medida em que não se refere a todas as mulheres, só às mães e, dentro dessas, às mães exemplares.

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    5. Exactamente: «todos somos pessoas». Com os mesmos erros e as mesmas fraquezas. Então, porque é que com mulheres na liderança do mundo não haveria guerra?

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    6. Vanessa Redgrave refere-se às mães. Ponto. E não se restringe às mães biológicas. Não tenho ideia que fale de mães exemplares (as quais penso que nem existam, ainda que umas se aproximem mais do conceito que outras; sobre educação, afirmava um psicólogo conhecido, a tirar-nos as peneiras "o que quer que faças farás sempre mal"). As excepções podem ser muitas, mas, em relação ao número de mães existentes no mundo, são um ínfimo número. Além do que, acrescente-se, algumas das mulheres em lugares de chefia não têm a coragem de pensar e agir como mulheres e copiam os modelos masculinos. São receitas de sucesso e é mais fácil seguir que inventar e pôr-se em risco. Também temos que entendê-las, por mais que nos custe. Não é fácil sobreviver na linha vermelha.

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    7. Mesmo que as mulheres mandassem no mundo, coisa que, como já disse acima, não penso ser desejável, as guerras existiam na mesma. Mas seriam em menor número. Digo eu, jogando no campo das probabilidades que é aquele campo que pouco interesse tem neste caso. Mais nos vale a nós mulheres ir limpando o presente, arejando mentes, preparando caminho a quem vier.

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    8. «Mais nos vale a nós mulheres ir limpando o presente, arejando mentes, preparando caminho a quem vier.»
      Grande frase, Beatriz, subscrevo inteiramente.
      Antonieta

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  3. António Luiz Pacheco24 de outubro de 2016 às 01:54

    Mas as mulheres sempre mandaram no Mundo... só parece que não, mas se formos a ver... ahahah!
    Creio que na Europa e na América do N isso já nem se põe... a mulher assumiu o merecimento que tem e hoje não se pode falar em termos profissionais e similares em distinção de sexos.

    Em África, eu digo muitas e repetidas vezes, que se fossem as mulheres a mandar, este continente estaria muito melhor, mais desenvolvido e evoluído.

    Quanto à leitura, que é afinal o nosso assunto de referência, creio que sim, hoje em dia as mulheres lêem muito mais e creio que isso também já vem de trás!
    Qual a razão disso? Bom, não sei, haverá uma explicação lógica que até entrevejo, mas é uma suposição de traça e não uma opinião que consiga defender com argumentos sólidos, é mais na base do "acho que...".

    Saudações livrescas cá da Cidade Morena

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  4. A moderna sociedade ocidental "matou o pai". Quanto à mãe...

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    1. António Luiz Pacheco24 de outubro de 2016 às 06:30

      A mãe, é o próximo alvo!
      Muitas ideologias e filosofias modernas vão além do feminismo (supremacia feminina) e pretendem mesmo abolir o conceito homem / mulher, tentando acabar com a célula base da nossa sociedade, a família e a mãe por conseguinte - sim, a mãe pois continuo a achar que a mulher/mãe é a pedra-base e daí a nossa religiosidade mais profunda ser para com a Virgem Maria, mãe de Deus. As famílias monoparentais que são o objectivo de uma certa esquerda e tentam impor-se a todo o custo através da adopção e das barrigas de aluguer, mais adiante da reprodução in vitro, ditarão final e fatalmente o fim da mãe.
      Mas não creio que atinjam os seus objectivos, apesar de irem fazendo muito mal ao Mundo e à sociedade...

      Fica-nos a literatura, onde a mãe é consagrada, a literatura que nos esclarece e ajuda a evoluir a saber das coisas, que informa, instrói e conforta, que ajudará a que estas coisas nunca morram, que o resto é moda e ainda se lê o Homero!
      Perdoem-me ser tão retrógado, obscurantista e essas coisas todas, mas enfim, é o que penso e a literatura perdurará!



      S

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    2. As famílias monoparentais podem ter uma mãe:). E a figura materna não tem que ser a biológica, tem é que ser uma mãe em toda a acepção da palavra e muito mais por coração e sentimento que assumir-se na figura feminina. Isso sim. Quanto às barrigas de aluguer...onde é que está o problema?! Apenas são para a gestação...e depois haverá uma mãe. Ou não. Podem ser duas; ou dois pais:). Mas suponho que mesmo quando há dois pais, pelo menos um deles - ou mesmo os dois - faz esse papel maternal.
      De facto, hoje está um bocadinho para o retrógrado. Vá, deixe-se disso.

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    3. António Luiz Pacheco24 de outubro de 2016 às 14:59

      Não, nisto não deixo de ser conservador: família! O que a Beatriz refere não me espanta e leio nas entrelinhas o que já adivinhava: discordamos em absoluto!
      Família é família e mãe ou pai são mesmo os progenitores e nada pode substituir esses laços pois o sangue fala sempre mais alto... o resto é poesia e teoria, treta se quisermos ser directos.
      Quem tenha tido pais sabe o que digo, e melhor sabe quem tenha filhos - que nenhum animal ou adoptado pode substituir.

      Felizmente temos a boa literatura (boa no sentido de humanidade) para nos fazer lembrar disso, e tal como a literatura a família não será substituída por clones, por colagens ou afins.

      Saudações retrógadas mas esclarecidas cá da Cidade Morena.

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    4. Bom. Para mim e toda a gente, o mais desejável é a família biológica. Em teoria. Porque há famílias biológicas terríveis de más e contraindicadas na educação de qualquer criança. E as adopções relevam, na sua grande maioria, de impossibilidades de concepção. Ora, concebo como um bem adoptar uma criança de qualquer instituição, abandonada pelos ditos pais biológicos, que lhes foi retirada por não reunirem condições. E etc, etc. Penso ser um bem para ela e quem a quer e deseja. Um pouco na linha da filosofia política de agir procurando o bem do maior número.
      E se a isto continua a opor-se ancorado na tal boa literatura - que nem sei onde está - que defende os laços de sangue sobre todas as coisas...então não tem remédio, divergimos.

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    5. Mais uma vez, Beatriz, concordo inteiramente com este comentário.
      Antonieta

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    6. António Luiz Pacheco25 de outubro de 2016 às 02:01

      Sem dúvida! Saudavelmente, mas só em parte note... porque não podemos negar nem ignorar o papel positivo e humano da adopção!

      Cumprimentos distinguidos cá da Cidade Morena!

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    7. «... e melhor sabe quem tenha filhos - que nenhum animal ou adoptado pode substituir.»
      Frase terrível para ser lida por quem não pode ter filhos...
      Antonieta

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  5. A temática de hoje está realmente na ordem do dia, porém eu talvez escolhesse em vez de "Miúdas versus Rapazes" um titulo um pouco mais acutilante, "The Rising of the Girls" (uso o inglês apenas porque a palavra rising sempre me pareceu mais forte que a nossa ascensão), porém não estou a criticar o titulo mas antes a escolher a versão masculina do tema.

    Com efeito as miúdas estão mais ativas do que nunca, mas apenas porque hoje podem percorrer caminhos que antes lhes estavam vedados. A própria novidade gera momento e impulso. Mas será a mulher com poder menos fria do que o homem? Será mais sensível? Quando olho para os exemplos da Alemanha e do FMI fico com sérias dúvidas.

    Infelizmente, esta ascensão apenas acontece a Ocidente, tirando honrosas exceções no resto do mundo a guerra ainda é lutar por um estatuto real de pessoa, mas é este o caminho pois somos todos seres humanos.

    Já quanto aos dizeres da personagem Vanessa Redgrave tenho as minhas dúvidas. As mulheres efetivamente não querem que os seus filhos morram na guerra, mas será que se importam assim tanto com os filhos das outras?
    A coruja acha que os seus filhos são os mais lindos do mundo (segundo a conhecida fábula) mas apenas se refere aos seus e não a toda a sua espécie.

    Quanto ao facto de entrarem mais mulheres que homens na Universidade, tudo começou com a adesão à CEE, em 1985, depois se Soares assinar o tratado. Nesse ano ainda entraram quase mais uma centena de homens na Universidade, mas foi a última vez que os homens levaram vantagem. Porém, segundo censos de 2011, existem mais quase 500.000 mulheres que homens em Portugal, ou seja, só a partir das 25.000 entradas a mais de mulheres é que a proporção tomba para o feminino. O que aconteceu aliás este ano com 26.000 mulheres a mais, mas em termos proporcionais e estatísticos apenas poderem dizer que pela primeira vez as mulheres têm mais 1% de entradas na Universidade do que os homens. Importante? Sim. Mas ainda pouco relevante.

    Adorei a temática de hoje e poderia acrescentar mais algumas coisas, contudo a autora do post tem razão: "as raparigas vão mesmo tomar conta do mundo…"

    Haragano, O E.

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  6. Cláudia da Silva Tomazi24 de outubro de 2016 às 03:25

    Minha querida Rosário, você (propriamente) a prova neste contexto social.

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  7. Sou pelas mulheres onde quer que esteja e até debaixo de água. Em relação ao outro género, quero muito que sejamos iguais em direitos e deveres, coisa que ainda não encontro nem nas novas gerações. Mas não quereria que as mulheres mandassem no mundo. Se mulheres e homens mandarem, sem descriminação e tendo como critério a qualidade pessoal, para mim está bem. Podem existir organizações só de mulheres ou maioritariamente constituídas por elas - e o inverso - porque assim o determina o tipo de pessoa ou as qualidades exigíveis para os cargos. De resto, num mundo onde os dois sexos coexistem e necessitam um do outro, parece-me lógico que também nas chefias os pensamentos se encontrem. Está visto que as raparigas são, em geral, mais desenrascadas, habituaram-se a conquistar a sua independência.

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    1. "Está visto que as raparigas são, em geral, mais desenrascadas, habituaram-se a conquistar a sua independência".
      Deveras? Imagino o que as 5 sobrinhas terão lutado por essa conquista.

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    2. Não posso responder à sua questão. Acerca das ditas cinco meninas, nada sei. E é bem verdade que as lutas de uns não são as de outros. E que tendemos a pensar que as nossas próprias foram e são mais renhidas que as de outrem. Há muito ano, Miguel Esteves Cardoso escrevia num artigo que os homens pensam das suas mulheres que elas são umas leoas e todas as outras umas galinhas. Julgamos mal em causa própria. Apesar disto, todos concordamos: neste mundo, as mulheres tiveram e têm de lutar mais que os homens. E nem me refiro a conquistas e lutas por lugares ao sol onde o preconceito é, ainda, por demais evidente sobretudo em algumas profissões e cargos. Falo do quotidiano, para elas mais pesado. Ou seja, em geral, partem para a luta muito mais cansadas e em situação desigual. A igualdade de género é ainda uma extravagância adiada, assim a modos do que se usa numa doença terminal, vão-se dando uns paliativos, mas continua lá. E mata. Mas alguém disse que as atitudes e a mentalidade são do mais difícil de mudar. Pode que ainda venha a acontecer realmente.

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  8. Júlio Machado Vaz não diria melhor. Há mulheres e MULHERES, tal como, aliás, há homens e HOMENS...

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    1. Hummm...e por que carga de água o professor vem à liça? É só por ser um defensor da igualdade de género? Deve haver mais gente conhecida em Portugal a defender o mesmo. Ou não?

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    2. Porquê Júlio Machado Vaz? soa-me um pouco a hipocrisia a extrema (jubilosa) defesa que faz das mulheres.

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    3. Porquê? Por acaso lhe conhece na vida factos que desmintam essa defesa? E mesmo que conheça, lembro-lhe que todos nós temos alguns valores que muito prezamos e por vezes infringimos. Não é por isso que deixamos de lutar por eles. Se desconhece, então melhor será abster-se de avaliar. Que fraca é a avaliação feita pela tonalidade vocal.

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    4. Naturalmente que apenas me baseio no que oiço (os programas radiofónicos em que JMV é interveniente) e depois tenho a mania de pensar pela minha cabeça.

      É que o DOUTOR (ó doutor como ele repetidamente não se cansa de acentuar) Júlio Morais Vaz fica indignado com os ditames de cariz sexual do TRUMP (o tal rufia americano) mas todos os dias, mais a sua partenaire na Antena UM, lançam, por tudo e por nada, constantes ditames de igual cariz a cada momento do programa (hoje foram as bicicletas/vibradores). Então? como é que isto se chama?

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  9. A Natureza sempre produziu mais fêmeas que machos e percebe-se porquê.

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  10. Na verdade, a natureza sempre produziu mais homens do que mulheres (cerca de 105 meninos para 100 meninas). Parafraseando Mota Amaral, são números curiosos e o meu colega Francisco Dionísio escreveu um livro de divulgação científica em que explica o fenómeno: http://www.fnac.pt/Uma-Tampa-Para-Cada-Tacho-Francisco-Dionisio/a525903. Essencialmente, a tendência é para que naturalmente a proporção de machos e fêmeas seja 1:1 na idade da reprodução. Mas em muitas espécies nascem ligeiramente mais machos do que fêmeas para compensar a mortalidade mais elevada nos machos até à idade reprodutiva. É claro que existem ainda aspectos sociais que podem alterar esta proporção de forma dramática, como o infanticídio de bebés do sexo feminino em certos países.

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    1. António Luiz Pacheco25 de outubro de 2016 às 02:06

      Normalmente - falamos na perspectiva meramente reprodutora - um macho pode cobrir várias fêmeas, daí o seu número superior (delas).
      Por outro lado, o excesso de machos nas manadas, quem normalmente não está no núcleo dela e sim na periferia (os machos novos que ainda não se afirmaram como reprodutores e que os outros afastam) , ou seja, têm a função inconsciente de atrair os predadores dado que estes isolam e atacam preferencialmente os que estão fora do grosso da manada. Ora como estes jovens machos são "dispensáveis" acabam por assim defender as valiosas fêmeas reprodutoras e os machos .
      Uma coisa é certa, a Natureza está muito bem feita...

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  11. Lamento insistir, mas na maior parte das espécies com reprodução sexuada o número de machos e fêmeas é praticamente idêntico. Há uma explicação evolutiva para esta aparente coincidência (chama-se o princípio de Fisher e basta ir ao Google para encontrar várias explicações).

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  12. Não era o Diderot que dizia:"Há mais choupanas que palácios, logo, é mais fácil brotar um génio de uma choupana que dum palácio"; portanto, se há mais mulheres (raparigas) que rapazes nas Universidades e noutros domínios, é lógico que tenham hipótese de sobressair mais do que os rapazes".M. de la Palisse dixit...

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