Esperança na humanidade

Parece-me que o mundo se está a tornar um lugar onde não apetece lá muito viver e que a leitura se está a transformar numa actividade cada vez mais restrita quando, no fundo, deveria ser o contrário. E, no entanto, de vez em quando surge uma história milagrosa que me enche de esperança. Desta feita, foi a de uma menina de 11 anos num bairro pobre de São Paulo que descobriu muito cedo o gosto pela leitura e promoveu uma campanha para construir uma biblioteca no quintal da casa a fim de contagiar os vizinhos com a sua paixão. Publicou um vídeo na Internet, que foi visto por um grande empresário, através do qual recebeu uma doação de cerca de 5000 livros (dos quais – pasme-se – já leu mais de 500!). A sua casa está sempre cheia de crianças (que têm de passar pela cozinha para chegar à biblioteca), mas a família já se habituou ao rebuliço e sabe que é por uma boa causa, pelo que não refila. Kaciane – assim se chama a menina – diz que sempre gostou de brincar às escolas e que não vai ficar por aqui, planeando para breve uma biblioteca itinerante, que leve livros a outros bairros desfavorecidos, porque a leitura é fundamental e necessário que os livros cheguem a todos. Estamos precisando de mais Kacianes por esse mundo fora...

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda10 de outubro de 2016 às 01:21

    Quem disse que os anjos não existem e que é impossível fundar o céu na terra?

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  2. Por mais Kacienes que existam, alguém já disse aqui esta interessantíssima verdade- ler é uma questão de atitude!

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    1. É impossível fundar o céu na terra.

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  3. Fantástico. As crianças são dos poucos seres que ainda nos alegram com as surpresas boas que criam. Quem dera que a Kaciane consiga também realizar o sonho de levar os livros a outros lugares onde há gente que os desconhece.
    Já leu 500 livros!...

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  4. António Luiz Pacheco10 de outubro de 2016 às 06:21

    Curioso, notei o detalhe de ser uma criança de um bairro pobre... os pais serão portanto pobres, penso eu.
    Não sei que tipo de instrucção ou interesses culturais terão, se são artistas pobres por exemplo ou professores modestos, gente com gosto por alguma forma de leitura ou se meramente o típico casal de bairro pobre do género telenovela x futebol , mas seja como for parece deitar por terra muitas teorias elitistas!

    Não há portanto desculpas nem justificações para se gostar ou não de livros e leitura, é o que digo!

    E ainda bem!

    Saudações leitoras cá da Cidade Morena.

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    1. Ó Pacheco é uma criança pobre porque só tem um telemóvel (com acesso à Internet)...

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    2. mas há desculpas para não se saber se se gosta ou não.

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  5. Cláudia da Silva Tomazi10 de outubro de 2016 às 07:21

    Pois sim... Onde nasce o carinho com livros a leitura?!

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  6. Que história bonita! Essa menina promete. Se tão pequena já conseguiu cumprir esse sonho, o que poderá fazer com o passar do tempo? Oxalá consiga levar a leitura a muita gente.

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  7. A história de Kaciane Carolina Marques do Nascimento vem na Folha de S.Paulo acompanhada por algumas fotografias. Vive em casa própria, embora de habitação social presumo eu, com computador e celular com certeza, longe do bairro pobre ou favela. De qualquer forma invejo-a por duas razões : só li ainda 35 livros e ela já vai nos 100, como o consegue, com escola, deveres e tudo o mais, é um mistério; também não tenho 5000 livros, longe disso, embora disponha de 3 locais onde eles se arrumam, mas o espaço não dá para mais, o que me traz á memória o poema do Ruy Belo "O Problema da Habitação".

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