Escada para um romance

Em Istambul, confluência de mundos, uma estranha escada desperta a atenção de Tiago Salazar, conhecido sobretudo como escritor de viagens; e ele decide ir atrás da sua história, que se confunde com a extraordinária saga dos seus construtores, presenteando-nos com o seu primeiro romance. Conhecidos como os «Rothschild do Oriente», os judeus Camondo erraram pela Europa até se instalarem em Istambul, onde viriam a tornar-se banqueiros do sultão e grandes filantropos. Abraham-Solomon, o patriarca, era o judeu mais rico do Império Otomano e combateu a maldição do judaísmo na Turquia fundando escolas que respeitavam todos os credos e legando ao filho e aos netos a importância da caridade e do mecenato. Já em Paris, o seu bisneto Isaac, amigo dos pintores impressionistas, doaria ao Museu do Louvre mais de cinquenta quadros de Monet, Manet e Degas; e o seu primo Moïse abriria um museu que ainda hoje pode ser admirado e visitado na capital francesa. E, porém, apesar do seu poder e da sua influência, poucos conhecem a história desta família magnânima... O mistério explica-se: sobre a dinastia Camondo abateu-se uma fatalidade – a sua fortuna e o seu sangue eclipsaram-se nos campos de Aushwitz. Em A Escada de Istambul, Tiago Salazar resgata do esquecimento várias gerações desta memorável família e compõe, a partir de factos e documentos reais, uma ficção na qual ele próprio deambula como personagem. (A foto abaixo é do grande Cartier Bresson.)


 


Foto Escada.jpg


 

Comentários

  1. Tenho alguns livros do Tiago Salazar e também costumava ver os documentários de viagens na rtp-2. Não sabia que ele tinha escrito um romance e este tema parece-me aliciante.
    A foto é belíssima, o que não admira sendo de quem é.
    Vou espreitar o livro assim que puder.
    :-) Antonieta

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    1. Espreitei o livro e comprei-o no dia 2. Comecei a lê-lo ontem à tarde e terminei-o hoje.
      Bela estreia a do Tiago Salazar no romance biográfico - gostei imenso de ler a história da família Camondo.
      Curiosamente este livro trouxe-me à lembrança um outro, que li há dois anos - A Lebre de Olhos de Âmbar, de Edmundo de Waal - e que narra a história da família Ephrussi: um livro absolutamente admirável e muito pouco conhecido.
      :-) Antonieta

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  2. Que bela apresentação de um romance que vou ser "obrigado" a comprar! Aliás, como já o fiz com obras da Drios e do Paulo M. Morais, sempre lidas com grande prazer pessoal e proveito literário. O blog da MRP arruína-me. Já agora a fotografia do Cartier Bresson é da dita escada de Istambul ? Podia ser no centro histórico de Lisboa e não seria de estranhar que o fosse: já sabemos por Pamuk que a paisagem urbana e a memória histórica irmana Lisboa e Istambul, ambas habitadas por populações mestiças euro-africanas, nostálgicas dos seus antigos impérios e amistosas à cultura judaica.

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    1. Bom dia, Artur!
      Já li o livro do Paulo M. Morais e, tal como esperava, gostei imenso de o ler.
      E tem razão, o Horas leva-nos à ruína...
      :-) Antonieta

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    2. Pois é, cara Antonieta, também vai sendo arruinada por frequentar este blog, mas que levamos desta vida de melhor do que os mundos extraordinários que os grandes escritores nos oferecem?

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    3. Sim, é a Escada Camondo em Istambul; e há outra em Paris, mas não tão estranha.

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    4. Obrigado pelo esclarecimento !

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  3. Já agora, também por recomendação da MRP, fui ver a correr o filme "Editor de Génios" (melhor título do que o original em inglês que é só "Genius"). Focado no Thomas Wolfe (o génio!) e no Perkins, o editor claro. Convenceu-me que o Thomas Wolfe nunca teria sido lido sem o trabalho ciclópico deste extraordinário editor. Grande filme ! Pelo menos para quem gosta de literatura. Nunca li nada do Thomas Wolfe, mas fiquei com vontade de o procurar na biblioteca, para experimentar um dos seus aparentemente sempre longos romances. Será verborreico em demasia, como o filme dá entender? Ou o Perkins podou-o com total eficácia? A verdade é que o Wolfe é hoje menos lido do que o Hemingway ou o Fitzgerald, autores que estão no meu altar.

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  4. Emílio Gouveia Miranda27 de outubro de 2016 às 03:14

    Parece-me interessante.

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  5. António Luiz Pacheco27 de outubro de 2016 às 03:32

    Interessantíssima informação, que desconhecia, sobre essa família e sobre o romance subsequente.
    Confesso que não li nada de Tiago Salazar se bem que já ouvisse falar dele, mas porque conduz um tuk-tuk ou algo assim.
    Vou no entanto pesquisar, leio muito literatura de viagens mas confesso que não ligo muito a certos autores celebrados como viajantes... viajam demasiado depressa para o meu gosto, eu que sou mais como Graham Greene que ia pelo ir e não para chegar a lado nenhum.

    Saudações tranquilas da Cidade Morena

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  6. Há-de ser um bom livro. Tenho que resistir a algumas ofertas, não consigo comprar nem ler tudo que aqui me agrada. A foto propicia a reflexão.

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  7. Acompanho o Extraordinário Pacheco, também não tenho apetência por autores que escrevem sobre viagens. Quero dizer, não tinha, pois por coincidência acabei de descobrir um escritor holandês de quem estou a gostar muito de ler o que escreveu sobre sítios de Espanha. Trata-se de Cees Nooteboom, o qual consta na badana já ter sido várias vezes ventilado para o Nobel.
    Isto não tem nada que ver com Tiago Salazar cuja obra aqui divulgada nem sequer é de viagens. Por acaso também despertou o meu interesse, não só pelo tema resumido como também por Istambul, que me encantou quando a visitei.

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  8. Costumo ler as crónicas que o Tiago escreve no JL, mas ainda não li nenhum titulo dele.
    Já registei o nome deste romance, parece muito interessante.

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