Contra a violência doméstica

Dizemo-nos um país de brandos costumes, e é bem verdade que em Portugal ainda se respira com segurança e até se pode caminhar por muitos dos bairros da capital sem perigo nem sensação de ameaça. E, porém, todos os anos morrem cada vez mais mulheres, assassinadas por maridos, ex-maridos e namorados, sendo os números das que não morrem mas são igualmente vítimas de violência doméstica também cada vez maiores. Ana Cristina Silva, de quem publiquei vários livros nos últimos anos, o mais recente dos quais A Noite não É Eterna, escreveu em 2003 A Mulher Transparente, um romance que se encontrava esgotado havia muito e que relata justamente a vida de uma mulher marcada pela brutalidade de um homem que sobre ela exerce um poder absoluto. Agora, com prefácio da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, o livro, reescrito pela autora, foi oportunamente reeditado. Apresentado no ISPA no final do mês passado pela escritora e procuradora da República no Tribunal de Família e de Menores Julieta Monginho, os seus direitos revertem integralmente para a APAV. Vamos colaborar?

Comentários

  1. António Luiz Pacheco14 de outubro de 2016 às 02:10

    Violência doméstica contra mulheres, contra crianças... é um tema pertinente e infelizmente sempre actual, se bem que a violência infantil contra os adultos devesse ser igualmente percebido!

    Também é montes de giro escrever sobre o cão e o gato - muitas vezes só se teve um, ou tem-se um há seis meses mas assume-se postura de perito em comportamento animal!

    Aguardo que um velho ... idoso como se diz agora, ou um veterano como muitos de nós nos consideramos, escreva sobre o abandono a que são votados e à exclusão da sociedade para a qual contribuíram e sustentaram.

    Fico à espera... mas ainda não veio a moda, talvez se houver uma série ou filme ou assim, os escribas de sucesso e dos regimes se lembrem do tema.
    "Reds" é um filme de acção feito a propósito e até se vê bem...

    Saudações veteranas cá da velha Cidade Morena.

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    1. "Reds" é um filme de acção?!....

      Vergílio Ferreira escreveu tanto e tão bem sobre a velhice!...

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    2. António Luiz Pacheco14 de outubro de 2016 às 11:12

      Red! Escorregou-me o dedo para o s extra... não têm nada a ver, Red é um filme dedicado aos veteranos retirados ...

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  2. Emílio Gouveia Miranda14 de outubro de 2016 às 02:38

    Todas as iniciativas para porem fim à violência, em todas as suas formas, são bem-vindas. Bem-haja.

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  3. É sempre ignóbil quando um ser mais forte abusa de um mais fraco.

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  4. Há temas que nunca se esgotam!
    Infelizmente.

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  5. E digam-me, vocês que (quase) tudo sabem, onde não existe violência? O mundo sempre foi violento e continua a ser. Há violência contra quem quer que seja, inclusive contra os bichos e bichanos (e bichas também), intra muros, como lá fora, pelas ruas, pelas estradas, nos parques, nas portas dos bares. Há a violência física, há a violência verbal.
    Há o abandono que é de tanta violência que mata.
    Violentam-se mulheres, homens, novos e velhos. Violentam-se direitos. Rasgam-se constituições e códigos de direitos adquiridos. Ora poupem-me! Sempre foi assim. Agora está na moda o tema, mas ele é tão antigo quanto antigo é o Mundo.

    A Humanidade foi um projeto que não deu certo. Assim, o que podemos fazer? Digam vocês, que sabem tanto.

    Um simples exemplo: tira-se um velho do convívio familiar por se suspeitar ou por ser verdade que recebe maus tratos. É recolhido a um lar ou asilo ou coisa que o valha. Muda alguma coisa? Não são corriqueiros os casos em que os assistentes nessas instituições também agridem verbal e fisicamente esses internos?

    Não há solução, caríssimos. Sempre fomos assim e assim seremos.

    Somos o projeto que deu errado. Fazer o quê?

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