Cinco séculos à mesa

Como vamos todos de fim-de-semana (grande, no meu caso), deixo-vos um livro para se deliciarem durante os próximos dias (em que há mais tempo para cozinhar), intitulado Cinco Séculos à mesa e assinado por uma especialista em História da Alimentação, Guida Cândido. A identidade da cozinha portuguesa, os pratos nacionais e regionais, são relativamente recentes em termos históricos. Mas, embora as práticas gastronómicas, os gostos culinários e as técnicas de confecção dos alimentos tenham evoluído ao longo dos tempos, muito do que comemos hoje é herança de um passado remoto, pelo que é possível, em pleno século XXI, preparar uma receita com quinhentos anos e saboreá-la em nossa casa. Este é o propósito da obra que vos trago; apresentando-nos o caminho traçado pela História da Alimentação, propõe que peguemos em cinco obras clássicas de culinária entre os séculos XV e XX e recriemos nas nossas modernas cozinhas uma bateria de cinquenta receitas deliciosas, incluindo entradas, pratos de peixe e carne, sobremesas, refrescos, e muito mais. O livro é prefaciado pelo chefe Hélio Loureiro. Tenham um saborosíssimo fim-de-semana!


 


capa do livro.png


 

Comentários

  1. Emílio Gouveia Miranda28 de outubro de 2016 às 01:26

    Interessante proposta...

    ResponderEliminar
  2. Emílio Gouveia Miranda28 de outubro de 2016 às 01:27

    Obrigado. Bom fim-de-semana, igualmente.

    ResponderEliminar
  3. António Luiz Pacheco28 de outubro de 2016 às 02:15

    Oracáestá um livro mesmo à minha medida!!!!

    Vai direitinho para a minha biblioteca da cozinha (tenho lá um nicho, onde se guardavam os candeeiros a petróleo, que actualmente é ocupado pelos livros de cozinha!).

    Ainda há pouco participei de um livro colectivo, organizado e muitíssimo ilustrado pelo Alexandre Fernandes (artista) sobre aves aquáticas, cada um de nós falava sobre a caça a uma aquática e partilhava uma receita, a mim coube-me participar com a galinha-de-água e o seu pastelão! Já que estamos entre amantes da leitura e a falar de comezaina vou deixar um pequeno excerto:

    DA CAÇA À GALINHA D’ÁUGA

    Isso mesmo, à galinha-d’áuga, cum’a se diz aqui na ’nha terra: o Bairro Ribatejano!
    Acontece o Bairro Ribatejano ser uma região cinegéticamente tão rica e variada quanto o é do ponto de vista agrícola, pois jamais se poderá separar a caça da agricultura: sempre ouvi dizer aos velhos caçadores, os que sabiam das coisas da caça e do campo, que a caça se cria nas terras cultivadas, isto falando da caça miúda, é claro!
    Hortas, vinhas, pomares, olivais, searas, pastos, com pequenas manchas de pinhal, sobral e eucaliptal, estendem-se por terras de semeadura ou charneca, na lezíria, várzeas, paúis, encostas, cabeços e planaltos, cruzados por numerosos vales e linhas de água, compondo um quadro propício ao afolhamento e poisios, o que salta aos olhos qual manta de retalhos na paisagem duma agricultura diversificada naquilo que se chama mosaico de culturas e alternando ao longo do ano, dão o abrigo e comida indispensáveis à criação de uma variegada fauna de pêlo e pena, todo o ano ou temporária!
    E, água! No Bairro abunda a água, em ribeiras, regueiras, valas, presas, tanques, poços, olhos de água, charcos, fontes, nascentes e claro nos paúis… as terras baixas alagando em cheias que depois constituirão reserva nos períodos da estiagem, sempre bordejados e assinalados por uma pujante massa de árvores de grande porte como os tradicionais salgueiros e freixos mais choupos e eucaliptos, possibilitando o abeberamento de tudo o que vôe, caminhe ou rasteje…
    Desta avifauna em particular aquática, sobressaem as ditas galinhas-de-água, que aliás bem podiam ser a espécie emblemática das nossas zonas alagadas, pela sua presença marcante devida ao número, ponteando espelhos de água, e, soando quer no ar frio como no quente o seu crocitar curto e rouco, tão característico, estridente mistura do coaxar da rã com o cacarejo da galinha.
    Quando rapazola eu era atraído pelas massas de água, fossem as gélidas cheias do Inverno rigoroso cujo cheiro da lama fértil se colava à pele, fosse nos arrozais escaldantes do Verão rescendendo à humidade e hortelã-de-burro a fazer arrepiar a espinha!
    Fatalmente, as galinhas-de-água teriam de fazer parte da minha aficción venatórica… em primeiro lugar porque eram desculpa para andar a patinhar na água; segundo, porque em vez de ficar sentado à espera de erráticos e eventuais patos ou rolas (consoante a época do ano), podia assobiar ao cão e meter-me a elas a salto pelos paúis e combros das valas! Ademais, a minha Galand de calibre 24 com chumbo 8, dava muito boa conta delas e tive dois cães que se viciaram nesta caça: o perdigueiro “banzé” e depois um rafeirote chamado “batoque” que era tão eficaz nos coelhos como nas galinhas-de-água… mal visse terreno encharcado ou vala, logo se metia pelos silvados nos combros, bunhais ou por baixo da palha do arroz a fazê-las saltar, nem era preciso dizer-lhe nada!
    Era uma caça de rapazola? De pexote com um cão qualquer? Sem dúvida que sim, mas divertida e que me enchia de vício! Era aliás viciado ao ponto de ser obrigado a arranjar uma forma de comer as ditas, já que uma sacrossanta regra de lei cinegética paterna que vigorava lá em casa era: “O que não se come não se mata!” … e o que eu sofri por causa dos emborrachados estorninhos de pele casposa ou sequíssimos gaios de peitos de pau, de oleosos abibes e outras aves quase intragáveis

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Caro Pacheco,
      Até fiquei sem palavras.
      Nunca me canso de ler o que está bem escrito.
      Aplaudo e aplaudo de pé!
      “ O que não se come não se mata”, algures no meu passado, também ecoa essa frase nobre.
      Bem Haja

      Eliminar
    2. Parabéns, estava mesmo inspirado:). E BFS

      Eliminar
    3. Sempre inspirado o António! Abraço.

      Eliminar

  4. “ Bem comido, a minha alma de nada quer saber. E nem os maiores desgostos a conseguem comover”.
    Molière
    Este livro deve ser de ler e chorar por mais!
    A capa podia estar mais apelativa, talvez beneficiasse de um pormenor de uma pintura da Josefa de Óbidos, com o claro-escuro a evidenciar o esplendor das cores do outono, ou umas queijadas douradas.
    Mas muitas vezes não se trabalha com o que se quer, mas com o que se pode.
    A consultar sem dúvida.
    Bom fim de semana.

    ResponderEliminar
  5. Quando era jovem e assistia a inúmeras inovações tecnológicas que alteravam a vida de toda a gente convenci-me que à alimentação ia acontecer o mesmo. Refeições bem confecionadas, saborosas, tomadas devagar isso era hábito bom que ia acabar. Durante anos fui esperando pela alimentação de pílulas, bebidas energéticas, complementos vitamínicos e talvez fruta. Não só a evolução não confirmou aquela previsão catastrofista como foram sendo recuperadas ementas que estavam adormecidas no passado distante. Nalguns aspetos a vida é maravilhosa. Boas confeções e bom apetite a todos os Extraordinários.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário