O que ando a ler

Ora então sejam bem-vindos ao blogue depois deste mesinho de férias. As minhas foram boas, embora não tenha lido tanto quanto gostaria, pois estive de volta de um projecto de que oportunamente vos falarei (nada de exclusivamente meu, porém, não vão pôr-se já a pensar que tenho livro de poesia novo). E agora tenho em mãos um calhamaço de mais de 600 páginas, de que o nosso António Luís Pacheco (e outras pessoas) disse maravilhas – O Filho, de Philipp Meyer, um romance a que a crítica chamou, entusiasticamente, «um épico sobre o Oeste americano», obra que conta a história de uma família de pioneiros – os McCullough – ao longo de mais de um século, entre 1800 e picos e o século xxi, desde que eram criadores de gado ameaçados pelos índios até se tornarem exploradores de petróleo. Ainda estou a pouco mais de cem páginas do início, por isso, não vou adiantar grande coisa, a não ser que as personagens são muitas e fortes (dos dois sexos) e que os narradores também parecem multiplicar-se (três, pelo menos), o que, mesmo assim, não confunde grandemente o leitor. Hoje é só mesmo para pôr o dedo no ar aqui no Horas Extraordinárias – e não esperem grandes novidades esta semana, que há muito trabalho para pôr em dia e dificilmente verei o fundo ao tacho tão cedo. Custos de ter estado a descansar em Agosto, mas tinha de ser.

Comentários

  1. Bom dia Amantes da leitura.

    Em Agosto leio sempre pouco (talvez por exagerar nas férias na segunda quinzena de Julho). Mesmo assim acabei de ler "As Primeiras Coisas" de Bruno Vieira Amaral, vou lendo "A Liberdade do Drible" de Dinis Machado e aproveitei a passagem pelo campo para ler o mais que usado, "Camarada", de Cesar Pavese.

    Gostei de viajar por Turim e Roma com Pavese e também pelos arredores do Barreiro com o Amaral.

    Escrevi sobre "As Primeiras Coisas" no meu blogue e disse que embora fosse um bom livro, muito bem escrito, não o olhava como um romance (o autor foi inteligente e colou dezenas de crónicas biográficas bem esgalhadas sobre os habitantes do Bairro Amélia, mais uma introdução e um final "fabricou" um romance... )

    O mais curioso é ser um livro tão premiado, como romance...

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    Respostas
    1. Vivemos numa época em que o romance é romance e o que não é romance também é romance. Interessa aos escritores e às editoras. Aos críticos literários fica bem, é chiquérrimo e intelectual. Ficam de fora os leitores -- para que não digam que malho a torto e a direito, até em mim próprio.
      Boas leituras. Isto sim, é o que interessa.

      ABC

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  2. Ando a Ler_47

    Dos anos 60 do século passado recuperei e andei a reler “O Anjo Ancorado”, o primeiro romance de José Cardoso Pires, escrito em 1958.

    Confirma-se a minha tese: reler é descobrir. É isto que, à semelhança de Guida (o Anjo), digo de mim para comigo.

    Descobri, na nota do final do cap. Sexto, como Cardoso Pires esclarece isto:
    «(Não nos espantemos, de resto. Que isto se desse com Guida, não tinha nada de especial. Especial, porquê? O falar alto, só para si, é um excitante intelectual, um devaneio dos solitários, sonho de vingança. Tecem diálogos ao espelho as burguesinhas das vilas, fala o cego para o surdo sobre o mundo que os rodeia. Canta o galo capado, poucos o entendem. E poetas há, por essas secretarias e repartições, que vagueiam alta noite nas ruas da Baixa a esmiuçarem conversas de sua imaginação.
    É natural. Vivemos uma época em que cada qual fala para si mesmo na companhia de muitos outros.)»

    E descobri, na nota final, no último parágrafo desta 8ª edição do livro:
    «Guardo e confirmo estas linhas de 1958. Repenso-as agora, 1984, sobre o fundo esmaecido dos casebres de São Romão assinalados pela noite fora por um piscar de aviso, o farol de Peniche. Mas Peniche também não existe. Apesar de porto e vila de pesca era apenas um forte de prisioneiros políticos, uma luz misteriosa que pontuava a história de São Romão.»

    Pois é: passados uns cinquenta anos desde a minha primeira leitura deste livro, também eu agora, 2016, o repenso e confirmo o que lá está escrito. E digo de mim para comigo que vivemos de novo uma época em que cada qual fala para si mesmo na companhia de muitos outros. Por outras palavras, como diria o cego ao surdo sobre o mundo que nos rodeia: Peniche não existe, o que existe é o surf nas grandes ondas do mar.

    Em boa verdade, descobri que os trechos que transcrevo – e muitos outros, como p. ex. os dois parágrafos antes do curto diálogo que encerra o capítulo Vigésimo Quarto, acerca da evolução da sofisticação da linguagem dos que mandam, alta finança, políticos, e tal, que após a Segunda Guerra “passaram a usar palavras mais de raposa do que de lobo” – evidenciam que, excepto alguns pormenores, este livro podia ter sido escrito hoje.

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  3. Olá!
    Em agosto li mais ficção do que é costume. O melhor foi Retrato de Rapaz (Mário Cláudio); gostei menos de Sinfonia em Branco (Adriana Lisboa), O Túnel (Sabato) e O Meu Amante de Domingo (Alexandra Lucas Coelho). Outra excelente leitura foi a biografia de António Carlos Jobim (Sérgio Cabral). A grande decepção foi O Túnel, considerado um clássico da literatura; para mim, não está à altura da sua fama. Boas leituras para a rentrée... Abraço

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  4. Bem vinda!

    Cristina Carvalho

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  5. Emílio Gouveia Miranda1 de setembro de 2016 às 04:45

    De facto, O Filho é um livro fantástico. Bem vinda e boas leituras!

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  6. Duas obras-primas:

    «Luz de Agosto» de William Faulkner (releitura)
    «Luz Antiga» de John Banville

    É o poder da luz no final do verão.

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  7. Olá a todos e feliz rentrée. Acabei de ler Luz Antiga, de Banville, e despachei um ou dois policiais. Os intervalos poéticos estiveram a cargo de Daniel Jonas, em O Bisonte. Agora, acompanho as aventuras d'O Bom Soldado Sveik, de Hasek.

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  8. Seja muito bem-vinda a esta sua casa, Maria do Rosário (eheheh)!
    Por várias e não muito felizes razões li muito pouco neste escaldante Agosto.
    Andei de volta da Obra Essencial de Mário de Sá-Carneiro (uma belíssima edição da E-Primatur) e li um pequeno-grande livro do Antonio Tabucchi - A Mulher de Porto Pim - um dos poucos livros dele que ainda não tinha lido.
    Agora estão aqui em cima da mesa, a olhar para mim, os seguintes
    livros:
    - Kallocaína da Karin Boye
    - Sangue Azul Gelado do Iúri Buida
    - Onde Todos Observam da Megan Bradbury
    e ainda não decidi qual vai ser o eleito...
    Desejo a todos um Extraordinário Setembro, cheiinho de óptimas leituras.
    :-) Antonieta

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  9. Depois de um mês de férias custa recomeçar e voltar a estar entre quatro paredes.
    Nestas férias li A um Deus Desconhecido, dentro do tema dos colonizadores do oeste americano. Li de seguida A Pérola, e, embora tenha ficado com vontade de ler mais do autor (Steinbeck), agora estou a fazer fazer uma pausa com outro americano: Roth e A Mancha Humana. Pelo meio li O Homem Sentimental, do Marías, que não me deslumbrou, mas tenho de ler mais. Fui lendo também avulsos da Granta, que tem tido mais ensaios que contos e eu gosto mais destes últimos. Enfim, li menos do que queria, mas a preguiça faz-me bem. E só tenho direito a ela um mês por ano.

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  10. António Luiz Pacheco2 de setembro de 2016 às 05:59

    Ando a ler muito pouco... entretanto houve uma curiosa e grata surpresa:
    O Romance ilegal do Senhor Rodolfo - de António Eça de Queirós.

    Não é um Grande Romance, mas está bem gizado e bem escrito, por alguém culto e viajado, que sabe muito bem dizer o que pensa e com quem se partilha perfeitamente a leitura. Dentro de um estilo ligeiro, mas que vai despertando interesse e nos mantém ligados, é um livro que se lê com muito agrado.

    Gostei!
    Saudações anémicas cá da Cidade Morena

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  11. Olá Maria do Rosário, olá restantes participantes.
    Há muito anos que trabalho durante os meses de Julho e Agosto, por isso, durante o Verão as leituras têm mais ou menos o mesmo ritmo dos restantes meses, durante o Agosto terminei a leitura do policial, Morte em Pemberley, de P. D. James, depois li o policial, Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas, e vim terminar já em Setembro o romance, Ernestina, de J. Rentes de Carvalho. Entretanto vou inicial a leitura do romance de Hélia Correia, Lillias Fraser.

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