Logicamente
Uma das coisas que mais aprecio nas crianças é a sua lógica – e colecciono histórias de meninos que surpreendem os adultos com as suas tiradas, como aquela de um rapazinho que viu um dia um enorme bloco de pedra no estúdio de Miguel Ângelo e que, uns tempos mais tarde, quando por lá passou, viu a parte de cima de um cavalo surgindo dela e perguntou ao mestre: «Mas como é que sabias que havia um cavalo dentro dessa pedra?» Desculpem se já vos tinha contado isto, mas de qualquer maneira não contei certamente outras duas histórias, igualmente deliciosas, que partilharam comigo recentemente. Uma professora da escola primária perguntou a um rapazinho de seis anos a idade do pai; e este respondeu que o pai tinha seis anos. Ora, a professora fez-lhe notar que só podia estar enganado, que isso seria completamente impossível, mas a criança não se deixou abater e explicou imediatamente o seu ponto de vista: antes de ele ter nascido, o pai ainda não era pai, portanto, se ele tinha seis anos… A mesma professora queixou-se de que dois alunos gémeos tinham copiado a redacção um pelo outro, pois eram iguaizinhas. O tema era «O Meu Cão»… E um dos gémeos esclareceu: «Pois se o cão é o mesmo…» Deve ter sido o que copiou, digo eu.
É por causa destas coisas que os meus dias começam sempre aqui.
ResponderEliminarEngraçado, os meus também!
EliminarE depois venho cá espreitar de vez em quando, pois os comentários também são, muitas vezes, bem interessantes.
:-) Antonieta
Assim de repente, vasculhando a minha baralhada memória, creio que pertence a Natércia Freire um conto infantil, ou talvez outra coisa, em que o miúdo, espantado com a criatividade do seu texto, exclama: «Não sabia que a minha caneta sabia tanto.»
ResponderEliminarABC (António Breda Carvalho)
Mais uma frase deliciosa para juntar às da Maria do Rosário.
EliminarComo dizia o meu poeta preferido:
«... o melhor do mundo são as crianças.»
:-) Antonieta
Tenho algumas saudades desses tempos de descoberta, quando os meus filhos tinham entre os quatro e os oito anos.
ResponderEliminarA minha filha então era óptima a "deduzir" com a tal "lógica" infalível, que nos obriga a sorrir e a pensar (fiz várias "postas" graças a ela...).
A lógica infantil é a lógica simples, de quem ainda não obteve a informação e a técnica de a usar.
ResponderEliminarMas não apanágio das crianças:
- Imaginem-se no notário para reconhecer assinatura numa declaração.
A zelosa e solene funcionária, em gestos lentos e bem medidos ergue o papel, afasta-o para mostrar que está a ler com a maior atenção e faz um gesto de contrariedade, compenetrada, sem mostrar qualquer emoção ou dar sinal do que quer que seja levanta-se sempre com o papel nos braços estendidos e dirige-se ao chefe a quem apresenta o documento. Trata-se de uma simples declaração autorizando alguém a usar uma viatura, não é uma procuração plenipotenciária nem um testamento... o chefe tem a mesma atitude e gestos, uma solenidade austera e estudada, na sua pose de autoridade transmitida acena apenas com a cabeça, a respeitosa funcionária sempre impassível regressa ao seu lugar, senta-se e devolve o papel como se fora o tratado de Simulambuco:
"Não tem margem!", anuncia enfática e em tom de profunda crítica apontando com a caneta o espaço entre o limite da folha e o texto.
"E isso que tem a ver com reconhecer a assinatura?" - Pergunta-se.
" O documento tem que ter uma estética!". Determina...
Lógico, e, irrebatível...
Saudações lógicas cá da Cidade Morena
Este tipo de atitudes não tem lógica de qualquer espécie ou feitio:). Mil vezes a lógica infantil. Milhões de vezes.
EliminarDiz-nos o Pacheco que “A lógica infantil é a lógica simples, de quem ainda não obteve a informação e a técnica de a usar.”
EliminarEm contrapartida, Antoine de Saint-Exupéry dizia que "As pessoas crescidas têm sempre necessidade de explicações... Nunca compreendem nada sozinhas e é fatigante para as crianças estarem sempre a dar explicações. As crianças têm de ter muita paciência com os adultos."
O Antoine, havia de ter sido pai do meu António... sempre a perguntar tudo! Não concordo com o Mestre Exupéry, não nesse aspecto se bem que perceba exactamente o que ele quer dizer e sem ter de questionar: As crianças fazem asneiras e muitas como se sabe... logo os adultos estão sempre a pedir-lhes explicações o que é cansativo! Mas, as crianças também perguntam muito - o que aliás é bom sinal!
EliminarUm abraço cá da Cidade Morena onde passa o Cavaco (o rio!!!!) para a congénere do Tâmega!
Pelo contrário Caríssima Beatriz tem a lógica que se habituaria a perceber, forçosamente, pelo dia-a-dia no absurdo!
EliminarA lógica desta gente, é puramente infantil no mais das vezes... porquê? Pois porque as capacidades de usar as funções que nos levam à lógica racional estão num patamar muito baixo, regra geral... e se for ver bem, uma esmagadora maioria dos "nossos" funcionários públicos pautam-se pela mesma lógica... passe pelas conservatórias de registos predial, automóvel, civil... finanças... com frequência para tratar assuntos legais variados e depois me dirá!
Saudações alegre e lógicamente saudáveis aqui da Cidade Morena !
PS - Ou se entende esta lógica do absurdo, ou não se sobrevive ... e até acabamos por nos rir.
EliminarDizia-nos há bocado o Pacheco que “A lógica infantil é a lógica simples, de quem ainda não obteve a informação e a técnica de a usar.”
EliminarPois a corroborar esta tese, diz-nos Almada Negreiros:
«Pede-se a uma criança: – Desenha uma flor!
Dá-se-lhe papel e lápis. (…) Passado algum tempo o papel está cheio de linhas. Umas numa direcção, outras noutras; umas mais carregadas, outras mais leves; umas mais fáceis, outras mais custosas. (…)
Depois a criança vem mostrar essas linhas às pessoas: – Uma flor!
As pessoas não acham parecidas estas linhas com as de uma flor!
Contudo a palavra flor andou por dentro da criança, da cabeça para o coração e do coração para a cabeça, à procura das linhas com que se faz uma flor.
E a criança pôs no papel algumas dessas linhas, ou todas.
Talvez as tivesse posto fora dos seus lugares, mas… são aquelas as linhas com que Deus faz uma flor!»
Logicamente... – digo eu.
Lindíssimo... é isso mesmo.
Eliminar...não lhe chamaria lógica infantil. Nenhuma criança recusa um papel alegando falta de estética por ausência de margem. E não significa idade mental de criança, mas preconceito, fixidez parva em burocracia que só complica. Enquanto a lógica infantil é natural, própria da saúde de um certo caminho mental. Essa, ao invés, é pensamento adoecido. Conheço-o muito bem.
EliminarE diz muitíssimo bem... mas, há uma lógica inerente a este comportamento que é ainda a dos simples (ou simplórios se quiser):
Eliminar- Assenta no princípio que diz que se tem de dificultar o que é fácil ou directo, porque isso concede a quem o pratica "importância", dado que se as coisas andarem com facilidade e rapidez isso não é sinónimo de eficiência mas sim de facilidade e tal não dignifica ninguém, segundo a lógica do funcionário, não é assim?
Saudações lógicas e eficientes cá da Cidade Morena!
Esta não é 'lógica', mas gosto dela:
ResponderEliminarUma criança (pequenina) vai com a mãe pela rua. Passam em frente de uma fila de contentores de lixo todos com a tampa um bocadinho levantada.
Diz a criança:
- Os contentores estão contentíssimos!
Porque tinham lixo bioagradável?
EliminarABC
Porque se estavam a rir... (todos) e (talvez) por se chamarem contentores...
EliminarAchei uma imagem deliciosa!!!!!
EliminarTambém eu.
EliminarJá agora poder-se-ia dizer que eram contentores contentinhos...
EliminarPois... mas o facto é que a criança escolheu «contentíssimos»; há uma fase em que as crianças gostam de superlativar.
EliminarNa turma do meu filho aconteceu uma coisa semelhante, com gémeos. No início das aulas, o tema da composição era: "Como foram as tuas férias". A rapariga preencheu uma página inteira, contando as férias com pormenor. O irmão gémeo limitou-se a escrever: "As minhas férias foram iguais às da minha irmã". Será que é comum acontecer com gémeos, que um se "encoste" ao trabalho do outro?
ResponderEliminarUm dia a minha filha, também se saiu com um pensamento lógico, sobre matemática: "metade é o dobro a contar para baixo".
Bom... e não é que tem lógica?????
EliminarAhahahah!
EliminarUm professor anulou dois testes, pretextando um aluno ter copiado e o outro ter deixado copiar!
A prova?
Um aluno escreveu a seguinte resposta a uma pergunta: "Não sei".
E o outro escreveu: "Nem eu" .
Ahahah!